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Foto: Ana Mendes/BE

BE: porque considerou a DGAV “aceitável” o envio sem quarentena de bovinos de zonas afectadas com DHE para os Açores?

O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda (BE) quer saber o que levou a DGAV — Direcção Geral da Alimentação e Veterinária a “considerar aceitável a autorização do envio, sem quarentena, de bovinos de zonas afectadas com DHE [Doença Hemorrágica Epizoótica] de Portugal continental para os Açores, onde esta doença não está presente”.

O deputado bloquista Pedro Filipe Soares, em pergunta dirigida à ministra da Agricultura e da Alimentação, Maria do Céu Antunes, entregue na Assembleia da República, pretende inda saber se “tem este Ministério conhecimento das pressões “inexplicáveis” e “ao mais alto nível” que obrigaram as autoridades veterinárias açorianas a autorizar a importação destes animais sem quarentena”.

“Tendo já ocorrido uma situação semelhante em Setembro, que levou ao abate de dezenas de animais vindos do continente, porque reiterou a DGAV nesta autorização, prevendo-se um final semelhante”, realça Pedro Filipe Soares, perguntando ainda “quantos animais foram já abatidos em Portugal continental por suspeita ou com confirmação de infecção com DHE”.

No documento entregue na Assembleia da República, o deputado do BE explica que, de acordo com o Diário do Açores, a 17 de Outubro, “pressões “inexplicáveis” e “ao mais alto nível” obrigaram as autoridades veterinárias açorianas a autorizar a importação destes animais sem quarentena”. “Antes, o navio Insular fez escala na Graciosa onde carregou mais três contentores de gado, que viajaram lado a lado com o contentor importado de Portugal continental”.

E adianta que “este navio fez ainda escala em Ponta Delgada e Praia da Vitória, o que significa que animais possivelmente contaminados passaram por diversas ilhas dos Açores. Dos 36 animais da Graciosa alguns apresentaram sinais de contaminação o que levou a que os animais fossem queimados para evitar uma situação de contágio. O contentor com animais do continente foi devolvido após chegar à Ilha do Pico”. “Há também informação que já em Setembro outros contentores com bovinos do continente foram importados, com 4 casos confirmados de contaminação e o consequente abate de cerca de 50 animais”.

“O envio de animais de zonas afectadas com DHE, ainda por cima sem quarentena, poderia ter causado uma situação de contágio nestas ilhas, obrigando à morte de milhares de animais e a um cenário dramático para os pequenos agricultores da Região”, realça Pedro Filipe Soares.

Para aquele deputado bloquista, “esta parece ser uma situação gravíssima de instigação ao desrespeito das regras mais elementares de protecção e sanidade animal por parte das mesmas autoridades que as deviam fiscalizar. De recordar que Portugal continuou a enviar bovinos e ovinos de zonas afectadas com DHE para Israel desde o início da pandemia em Novembro de 2022 e que só recentemente é que deixou de enviar bovinos, continuando a enviar ovinos que também podem estar contaminados com esta doença”.

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