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SPEA: “se desviarmos água para mega-empreendimentos agrícolas onde iremos buscar água para beber?”

A SPEA — Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves lançou uma campanha intitulada “O seu IRS pode ajudar a combater a seca”, frisando: “se desviarmos a água para mega-empreendimentos agrícolas, onde iremos buscar água para beber num futuro próximo?”.

A campanha foi lançada hoje, 22 de Março, no qual se assinala o Dia Mundial da Água, lançado pela UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura para salientar a importância de gerir de forma sustentável este recurso cada vez mais escasso.

“Outro atentado que o seu IRS nos pode ajudar a combater é a proposta mega-barragem do Pisão, cujo intuito é criar 50 mil hectares de regadio – um cenário em que, em vez de dar prioridade às necessidades das populações, a pouca água disponível seria desviada para projectos agrícolas insustentáveis”

“Em Portugal, a seca e a desertificação são ameaças reais. Para evitar que se agravem, precisamos da sua ajuda — e pode fazê-lo através da sua declaração de IRS”, refere a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, adiantando que ao “atribuir à SPEA 0,5% do seu IRS, não tem custos nem perde qualquer benefício, e estará a ajudar-nos a lutar contra projectos que em nome do lucro imediato ameaçam o futuro do País”.

Plantações intensivas de abacate ou mirtilo: “é profundamente irresponsável”

Para os responsáveis pela SPEA, “é profundamente irresponsável contemplar projectos como plantações intensivas de abacate ou mirtilo, que requerem milhões de litros de água por ano, no sul de Portugal, onde já se enfrentam problemas de escassez de água. Daí que, juntamente com outras organizações de defesa do ambiente, levantemos a voz contra projectos como o das Herdades da Murta e Monte Novo, que prevê a criação de 34 novas captações de água no subsolo, que na prática iriam sugar a vida daquela região”.

“Estas lutas requerem recursos, mas são intervenções para as quais raramente existem programas de financiamento a que possamos recorrer. Por isso precisamos do seu apoio”, acrescenta aquela organização em nota de imprensa.

E frisa que “outro atentado que o seu IRS nos pode ajudar a combater é a proposta mega-barragem do Pisão, cujo intuito é criar 50 mil hectares de regadio – um cenário em que, em vez de dar prioridade às necessidades das populações, a pouca água disponível seria desviada para projectos agrícolas insustentáveis”.

“Não se pode criar uma necessidade de água daquela maneira, quando sabemos que estamos num cenário de alterações climáticas em que a água é um bem cada vez mais escasso. Aprovar projectos destes significa destruir zonas húmidas, como os rios e pauis, e criar um conflito entre a utilização de água para a agricultura e a utilização de água para consumo humano, que nunca vai acabar bem”, reitera Domingos Leitão, director-executivo da SPEA.

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Um comentário

  1. Se respirar mos demais o ar acaba… a pensar assim mais vale nao produzir nada, importar de marrocos/egipto, africa do sul.. para restar água para lavar carros, tomar banho e lavar sanitas

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