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A Arte de Criar Valor nos Vinhos Portugueses

Artigo de opinião de Frederico Falcão, Presidente da ViniPortugal

Num país onde a geografia delimita a expansão volumétrica, a criação de valor nos vinhos portugueses emerge como uma estratégia fundamental. Algumas regiões de Portugal, com suas encostas íngremes, terrenos desafiadores e de pequenas parcelas, enfrenta limitações geográficas que tornam difícil aumentar a produção de vinho em grande escala. Aliás, Portugal tem exportado quase metade daquilo que produz, no que concerne a vinhos. Perante estes factos, a aposta na qualidade e particularidade torna-se crucial.

A diversidade geográfica portuguesa, desde o Douro ao Algarve, passando pela Madeira e Açores, proporciona características ímpares para a produção de vinhos distintos. Ao invés de competir em volume, os produtores têm a oportunidade de explorar as várias castas autóctones e métodos tradicionais, destacando a riqueza de sabores e aromas que caracterizam cada uma das 14 regiões vitivinícolas.

A criação de valor nos vinhos portugueses não se resume apenas à qualidade do produto final, mas estende-se à preservação das tradições e identidade local. Ao valorizar métodos de vinificação ancestrais e apostar em práticas sustentáveis e nas castas autóctones, os produtores não só garantem a autenticidade dos vinhos, mas também contribuem para a preservação do património cultural.

Além disso, a aposta na diferenciação eleva a imagem dos vinhos portugueses no mercado internacional. Ao comunicar a história única por trás de cada garrafa e a ligação intrínseca com o terroir, os produtores conquistam um espaço premium e abrem portas para mercados exigentes, dispostos a pagar por experiências vínicas distintas.

O enfoque na criação de valor também beneficia a economia local, incentivando o enoturismo e gerando empregos nas regiões vitivinícolas. A experiência enogastronómica torna-se um atrativo, proporcionando aos visitantes não apenas um vinho, mas uma imersão na cultura e tradição que permeiam as vinhas portuguesas.

Em suma, a limitação geográfica não é um problema para o vinho em Portugal, mas sim uma oportunidade para destacar a qualidade e autenticidade dos vinhos nacionais. A criação de valor, ancorada na diversidade geográfica, tradições preservadas e diferenciação no mercado internacional, não só impulsiona a indústria vitivinícola portuguesa, como também reforça a posição do país como produtor de vinhos de excelência.

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