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Roteiro para a neutralidade carbónica: Portugal vai ter de reduzir produção de bovinos em 30% até 2050

O Governo quer reduzir a produção de bovinos em 30% até 2050. Esta é uma das medidas que o Executivo quer pôr em prática no roteiro para a neutralidade carbónica. O anúncio foi feito pelo ministro do Ambiente e Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes. Mas será a Política Agrícola Comum a definir estes valores.

“Parece evidente que a tendência de redução de consumo de carne está a sentir-se hoje e vai sentir-se nos próximos anos. Obviamente que isto é para discutir em detalhe com o sector, mas há uma perspectiva de produção do gado suíno, também com uma maior capacidade de tratamento dos efluentes e uma redução daquela que é a produção de vacas”, disse João Pedro Matos Fernandes.

O Governo reafirmou o compromisso de Portugal em atingir a neutralidade carbónica, durante a apresentação de dados do Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050, na qual estiveram presentes os ministros do Ambiente e Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes, e o Adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira. A apresentação decorreu em Lisboa.

Neutralidade carbónica em 2050

Portugal vai atingir a neutralidade carbónica em 2050, através da implementação de medidas relacionadas com o aumento da electrificação da economia para 65%, da produção de energia solar, a redução das emissões de gases com efeito de estufa da indústria em 70% ou de resíduos urbanos em 25%.

O roteiro refere também que a próxima década será decisiva para Portugal, com mais sectores da economia a usarem-se a electricidade produzida a partir de energias renováveis como fonte energética, de modo a reduzir as emissões de gases com efeito de estufa entre 85% a 99% em relação a 2005.

Pretende-se que, em 2030, 80% da energia produzida venha de fontes renováveis, chegando aos 100% progressivamente vinte anos mais tarde. A redução de emissões de gases com efeito de estufa mais significativa deverá ocorrer entre 2020 e 2023.

Três eixos da acção governativa

Durante a sua intervenção, o Ministro do Ambiente e Transição Energética recordou os três grandes eixos da aCção governativa e que têm contribuído para a neutralidade carbónica: a valorização do território, a economia circular e a descarbonização da sociedade.

Dos investimentos estruturantes já em curso Matos Fernandes destacou o Programa Nacional de Políticas de Ordenamento do Território e o Plano de ACção da Economia Circular, aos quais se junta agora o Roteiro para a Descarbonização 2050.

“Para Portugal, ser neutro em carbono em 2050 significa reduzir, a partir de 2017, de 68 para 12 megatoneladas as emissões de CO2” e «aumentar de 9 para 12 a capacidade de sequestro florestal de que o nosso País dispõe», explicou.

Florestas e agricultura

A propósito da recuperação florestal, o Ministro referiu que importa “aumentar ligeiramente a área florestal do País, reduzido a área média ardida por ano em cerca de 40 %”.

Relativamente à agricultura, deverão aumentar “as áreas de pomares hortícolas” e de “agricultura de precisão”, onde se inclui o aumento dos regadios e a diminuição do uso de fertilizantes.

Electricidade e combustíveis

O ministro referiu também que, de acordo com o roteiro, “em 2030, 80% da energia eléctrica produzida” em Portugal virá “de fontes renováveis” e, “em 2050, 100%”.

“A nossa dependência energética do exterior é hoje de 75%. Em 2030 será de 65% e, em 2050 de 17%”, afirmou o ministro, acrescentando que “o uso de petróleo, que hoje ultrapassa os 65 milhões de barris ao ano, não irá além dos 10 milhões, em 2050”, ano em que “já não será usado na mobilidade terrestre2.

Matos Fernandes afirmou também que “a poupança anual decorrente das importações em combustíveis que deixaremos de comprar atingirá os 4 mil milhões de euros por ano, o que representa um valor acumulado de 128 mil milhões de euros”, entre 2020 e 2050, com o consequente impacto no défice comercial.

Mobilidade

No caso da mobilidade, o Ministro referiu que «a redução de preços que resultará da massificação dos carros elétricos conduzirá a que, já na próxima década, deixe de ser eficaz comprar um carro a gasóleo e, na década seguinte», a gasolina.

“Este é o melhor desincentivo à introdução dos motores a combustão”, afirmou, acrescentando que também “na actividade dos transportes, em 2050” haverá “uma incorporação crescente de biocombustíveis”.

Impacto na economia

Sobre o impacto da descarbonização na economia, o ministro do Ambiente referiu que é de esperar “que a dinâmica económica de mercado apoiada por um enquadramento de políticas públicas adequadas, dê origem a um investimento anual de 30 mil milhões de euros, entre 2020 e 2050”.

Matos Fernandes afirmou que não se deverá falar em custos, mas sim “em oportunidades de investimento que irão estimular a inovação, a criatividade e a capacidade competitiva das empresas”.

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Um comentário

  1. Jose Magalhães

    Pois é. Temos agora o problema das vacas que se peidam. Não julguem que é de agora, Já os Fenicios, os Gregos e mais recentemente os Cartagineses desviavam as vacas dos seus exercitos…..motivo ? As vacas entoxícavam os soldados,… caíam que nem tordos ao passarem por elas. Bastava que uma desse um peido,… e pronto. Caíam logo dois ou três.

    Viriato, que tantos anos nos poupou dos invasores Romanos tinha uma estratégia simples,…. oferecia-lhes vacas alimentadas com farinha de feijão. Foi remedio Santo,…. ! Vinham prá batalha com mau cheiro e completamente intoxicados. Era um tal dar neles. Até que veio Viriato, as vacas foram-se esgotando e o bravo e novo Comandante, já não disponha de suficiente artilharia para oferecer. Estavamos na Serra da Estrela, como todos sabemos, e só restavam ovelhas,… ( que ainda hoje lá restam) que são animais já de peido mais fraco.

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