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Pedro Fevereiro: “glifosato é um dos herbicidas menos tóxicos actualmente utilizados”

“O glifosato é um dos herbicidas menos tóxicos actualmente utilizados, de acordo com o nível de efeito crónico não observado (NOEL). É também um dos herbicidas com menor Quociente de Impacto Ambiental (EIQ). É por isso que é utilizado para controlo de ervas daninhas nos passeios das povoações”. Quem o diz é Pedro Fevereiro, Biólogo, Professor do Departamento de Biologia Vegetal da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, presidente do Centro de Informação de Biotecnologia.

Num artigo de opinião publicado no agroportal.pt, Pedro Fevereiro escreve que “o glifosato tornou-se um alvo prioritário do movimento ambientalista, após a introdução no mercado de variedades geneticamente modificadas (VGM) de milho, soja e algodão resistentes ao glifosato, por introdução de um gene bacteriano que codifica uma enzima que não é inibida por este herbicida. Esta modificação permite aos agricultores utilizar o herbicida após a germinação da colheita, de forma a aumentar o nível de controlo das ervas daninhas”.

Herbicida sistémico de amplo espectro

Aquele professor explica que o glifosato é um herbicida sistémico de amplo espectro. “É um composto organofosforado, que actua como inibidor da enzima 5-enolpiruvilchiquimato-3-fosfato sintase. Esta enzima não existe nos animais, mas existe nas bactérias. Nas bactérias a forma da enzima não é inibida pelo glifosato”.

E acrescenta que o glifosato é usado para matar ervas daninhas, especialmente as anuais de folhas largas e gramíneas que competem com as colheitas.

“Foi pela primeira vez colocado no mercado para uso agrícola em 1974 sob o nome comercial de Roundup. A última patente comercialmente relevante relativa ao glifosato expirou em 2000. Desde então é produzido e comercializado livremente”, salienta o presidente do Centro de Informação de Biotecnologia.

O estudo da Plataforma Transgénicos Fora

No mesmo artigo, Pedro Fevereiro critica um estudo de quantificação de glifosato na urina de voluntários, realizado em 2018, apresentado pela Plataforma Transgénicos Fora (PTF).

Os valores médios detectados nas amostras foram de 0,35 ng/ml em Julho e de 0,31 ng/ml em Outubro. “Os métodos de quantificação foram diferentes para cada data. Não se sabe como foi estruturada a amostra. Não se sabe como foram feitas as colheitas. Não foram referidas quaisquer contra-análises. É mais uma batalha na ‘guerra do glifosato'”, frisa aquele docente.

Risco de cancro?

Para Pedro Fevereiro, para além da “recente e polémica categorização do glifosato no grupo 2A (possivelmente carcinogéneos), junto com a carne vermelha e com a frequência de cabeleireiros e barbeiros, pela Agência Internacional para Pesquisa do Cancro (IARC), nenhuma entidade internacional de referência considera o glifosato uma substância que apresente risco de produção de carcinomas, utilizada ou presente nas concentrações e quantidades aprovadas”.

De facto, escreve aquele professor, uma análise em 57.311 aplicadores de pesticidas licenciados nos estados do Iowa e Carolina do Norte mostrou que “não existia qualquer associação entre a exposição ao glifosato e a maioria dos cancros. Tendo este estudo apresentado dúvidas sobre um possível risco de incidência sobre o mieloma múltiplo, um segundo estudo não encontrou tendências significativas de risco de mieloma múltiplo com dias cumulativos de uso de glifosato e com estimativas pontuais de risco para uso constante de glifosato”.

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