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Açores e Madeira querem soluções comuns para florestas da Macaronésia

A directora Regional dos Recursos Florestais dos Açores defendeu hoje, 4 de Setembro, a promoção de soluções comuns para a valorização das florestas da Macaronésia. Anabela Isidoro falava no Funchal durante a reunião inter-governamental do Programa Operacional de Cooperação Territorial Madeira-Açores-Canárias para o período 2014-2020.

A governante exortou os participantes no encontro para que “se encontrem soluções comuns e se aprofunde o trabalho desenvolvido nos últimos anos para valorizar as florestas da Macaronésia, através de uma utilização sustentável dos recursos e da criação de benefícios socioeconómicos para as populações”.

Por outro lado, o director das Florestas e Conservação da Natureza da Madeira, Miguel Sequeira, afirmou, em declarações à Lusa, que o objectivo é “preparar os projectos para avançarmos logo que abrirem as candidaturas”, realçando que um dos grandes objectivos é “articular políticas entre os arquipélagos”, de modo a “não cometer os erros que outros cometeram”.

Este encontro, que reúne decisores políticos e técnicos dos governos dos Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde, pretende estabelecer as condições para a formação de um consórcio na área da gestão florestal, com vista à apresentação de propostas de projectos para candidatar ao Programa Operacional de Cooperação Territorial Madeira-Açores-Canárias para o período 2014-2020. Os projectos vão ser candidatados aos apoios do programa comunitário INTERREG, Iniciativa comunitária relativa à cooperação transnacional sobre o ordenamento do território e desenvolvimento regional.

Para Anabela Isidoro, esta é “uma oportunidade para a Região Autónoma dos Açores, em conjunto com os seus parceiros da Macaronésia, desenvolver projectos comuns na área da gestão florestal e, assim, valorizar os usos múltiplos das nossas florestas”.

As principais linhas de acção dos projectos em estudo focam-se na conservação e utilização sustentável das florestas, sobretudo ao nível do turismo, na manutenção das veredas e caminhos e nos mecanismos de informação e divulgação do património florestal.

“Outra linha muito importante é a questão das alterações climáticas e dos estudos relacionados com a biodiversidade”, disse Miguel Sequeira.

O novo Programa INTERREG V, em vigência até 2020, tem uma dotação financeira de 288 milhões de euros do FEDER – Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.

As Canárias são o gestor da linha de financiamento destinada às florestas, sendo que os projectos serão comparticipados em 85% pela União Europeia.

Além dos governos dos quatro arquipélagos da Macaronésia, a elaboração dos projectos poderá envolver entidades como universidades, associações empresariais ou pequenas empresas.
“Neste momento, em que estamos a debater o âmbito dos projectos, não excluímos nenhum parceiro”, sublinhou Miguel Sequeira.

Os projectos que estão a ser elaborados têm por base a aplicação dos preceitos inscritos na “Nova Estratégia da União Europeia para as Florestas e o Sector Florestal” e no “Roteiro para uma Europa Eficiente na Utilização de Recursos”, que apontam para uma gestão integrada dos espaços florestais, para o uso múltiplo das florestas e para a valorização dos serviços ecossistémicos.

Neste encontro, participa também o Fundo Regional para a Ciência e Tecnologia dos Açores, que está a prestar apoio técnico especializado para a elaboração das candidaturas.

100 espécies ameaçadas na Macaronésia

O termo Macaronésia, de etimologia grega (makáron = felicidade, nésoi = ilhas), foi utilizado pela primeira vez pelo geólogo e botânico inglês Philip Baker Webb para se referir a uma área biogeográfica, constituída pelos arquipélagos dos Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde, tendo em conta a riqueza e particularidade dos seus recursos botânicos, segundo se pode ler na página de Internet do Jardim Botânico da Madeira, Eng. Rui Vieira.

Presentemente, a extensão geográfica desta região encontra-se alargada a um enclave continental do litoral noroeste africano. Este alargamento é baseado num conjunto de evidências de flora e fauna que relacionam, de um ponto de vista biogeográfico, os arquipélagos da Macaronésia (nomeadamente as ilhas ocidentais das Canárias) e o respectivo enclave continental.

A região macaronésica, avança o Jardim Botânico da Madeira, devido à sua localização geográfica, singularidade das condições ecológicas e o isolamento das regiões dela constituintes, “reúne uma elevada diversidade de espécies e de comunidades vegetais únicas no planeta, sendo considerada como um dos centros de biodiversidade mais importantes a nível mundial”.

Em virtude desta região não ter sido significativamente afectada pelos sucessivos episódios de alterações ecológicas decorrentes da história climática europeia recente, terá feito da Macaronesia um local extremo das vias de dispersão de biodiversidade e privilegiado para a sobrevivência de grande número de espécies relíquias.

Assim, parte da originalidade da flora da região Macaronésica, em geral é interpretada como sendo uma relíquia do Terciário, representando vestígios da vegetação subtropical de uma unidade fitogeográfica do Sul da Europa e do Norte de África (actual bacia do Mediterrâneo), presentemente extinta ou relictual devido às glaciações, alteração significativa dos períodos de precipitação, aumento global da secura e aos fenómenos de desertificação do Saara.

Em termos de diversidade vegetal indígena, os arquipélagos constituintes da Macaronésia somam aproximadamente 4.500 espécies de plantas vasculares, das quais cerca de um quinto são endémicas exclusivas de determinado arquipélago e aproximadamente 220 partilhadas.

Os arquipélagos europeus da Macaronésia – Açores, Madeira e Canárias –, apresentam o mais elevado grau de endemismo da Europa. Do total de espécies de plantas vasculares existentes nestes arquipélagos, cerca 840 são endémicas. No entanto, a actividade humana, desde o povoamento destas ilhas até à actualidade, tem provocado alterações nos ecossistemas naturais, resultando num decréscimo quantitativo e qualitativo da diversidade vegetal.

O resultado tem sido um aumento acentuado das espécies em risco de extinção. Estima-se que 418 espécies vasculares, ou seja, cerca de 50% das espécies vegetais vasculares endémicas dos arquipélagos dos Açores, Madeira e Canárias estejam ameaçadas de extinção, estando presentemente 123 sobe a égide da Directiva Habitats (92/43/CEE), directiva comunitária que estabelece espécies e habitats com interesse de conservação imediato.

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