Início / Agricultura / Produtores de leite, os mais mal pagos da UE, pedem ajuda ao Governo, indústrias de lacticínios e distribuição para “ultrapassar a miséria do actual preço do leite”

Produtores de leite, os mais mal pagos da UE, pedem ajuda ao Governo, indústrias de lacticínios e distribuição para “ultrapassar a miséria do actual preço do leite”

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Os produtores de leite portugueses são os mais mal pagos de toda a União Europeia. Em Março de 2021, receberam, em média, apenas 29,9 cêntimos por kg de leite, o pior preço do leite entre todos os países da União Europeia, segundo os dados do Observatório Europeu do Leite. Cinco cêntimos abaixo da média comunitária. “Um preço que estrangula os produtores portugueses e nos deve envergonhar a todos”, diz a direcção da Aprolep — Associação dos Produtores de Leite de Portugal.

A Associação queixa-se de que, perante esta crise que aumenta no sector leiteiro, mantém-se “o silêncio de governantes, industriais e empresas de distribuição”. Por isso, escreveu uma carta aberta aos industriais de lacticínios, empresas de distribuição, à ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, e ao secretário Regional da Agricultura dos Açores, António Ventura.

“A Senhora Ministra da Agricultura e o Senhor Secretário Regional da Agricultura dos Açores estão disponíveis para trabalhar em conjunto com o sector leiteiro para ultrapassar a miséria do actual preço do leite nos Açores e em Portugal continental?”. Esta é a primeira pergunta que a Aprolep faz na carta aberta.

A Aprolep manifesta o seu “interesse e disponibilidade” para reunir com todos os envolvidos no sentido de “encontrar soluções urgentes para a actual crise, sob pena de aumentarem ainda mais as dívidas, as falências, o abandono da produção e a revolta dos produtores”

Por outro lado, a Associação questiona se estão as “empresas de distribuição disponíveis para actualizar com urgência o preço do leite e produtos lácteos aos seus fornecedores” e se “está a indústria disponível para repercutir esse aumento às cooperativas e produtores”.

A Aprolep pergunta ainda se “estão as cooperativas, uniões de cooperativas e empresas privadas disponíveis para reduzir os seus custos de administração e passar mais valor para o produtor”.

Preço das rações a aumentar

Na carta aberta, a direcção da Associação dos Produtores de Leite de Portugal explica ser “do conhecimento geral que nos últimos meses as matérias-primas para o fabrico das rações das vacas subiram exponencialmente, sem perspectiva de descida a curto prazo. Estimamos que só isso tenha provocado um aumento no custo de produção entre dois a três cêntimos por litro de leite”.

E acrescenta que “isto é muito grave porque a margem dos produtores era já muito reduzida ou quase nula, tal como a Aprolep alertou ao longo dos últimos anos. Recebemos o mesmo preço há 20 anos e suportámos o aumento do custo da energia, da mão-de-obra e de todos os factores de produção. Com o preço do leite congelado, estamos a presenciar atrasos de pagamentos, desânimo e revolta entre os nossos associados, cujas consequências não podemos antecipar”.

A Aprolep manifesta o seu “interesse e disponibilidade” para reunir com todos os envolvidos no sentido de “encontrar soluções urgentes para a actual crise, sob pena de aumentarem ainda mais as dívidas, as falências, o abandono da produção e a revolta dos produtores”.

Fonte: Comissão Europeia

Agricultura e Mar Actual

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