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O Renascimento da Carne de Coelho na Dieta Mediterrânea

Artigo de opinião de António Fernandes, presidente interino da ASPOC

Antonio Fernandes

Ao longo dos últimos cinco anos, a Associação Portuguesa de Cunicultura (ASPOC) desencadeou esforços significativos para redefinir a perceção em torno do consumo de carne de coelho em Portugal. Inicialmente, a campanha “Carne de Coelho – Como a vai cozinhar hoje?” (2018-2020) concentrou-se na partilha de experiências geracionais, promovendo os benefícios e versatilidade dessa carne nas famílias portuguesas. A partir de 2021, a iniciativa evoluiu para “O Segredo da Dieta Mediterrânea”, com a renomada Fátima Lopes como embaixadora, destacando a carne de coelho como um dos pilares da dieta tradicional mediterrânea.

Fátima Lopes, reconhecida comunicadora de televisão, declarou o seu entusiasmo como “apaixonada pela gastronomia portuguesa”, compartilhando a longa tradição da sua família no consumo de carne de coelho. Essa colaboração visava desvendar o papel fundamental da carne de coelho na dieta mediterrânea, incorporando mensagens mais abrangentes, como sustentabilidade, meio ambiente e bem-estar animal, alinhando-se aos princípios dessa dieta.

Durante os três anos seguintes, a campanha utilizou uma abordagem multicanal, envolvendo televisão, meios digitais, redes sociais, cinema e materiais de visibilidade em redes de distribuição, tendo sempre a apresentadora Fátima Lopes como embaixadora. Eventos como roadshows em churrasqueiras e degustações em centros comerciais nas principais cidades fortaleceram a presença da carne de coelho na culinária portuguesa.

Apesar dos desafios, a ASPOC destaca o empenho contínuo de toda a fileira da carne de coelho, cuja colaboração exemplar entre associações, empresas e entidades governamentais impulsionou este projeto, com destaque para a Comissão Europeia, que financiou o projeto, e a Intercun, nossa congénere espanhola

A par da promoção, parcerias com influencers, bloggers e participação em eventos especializados, como o Congresso dos Cozinheiros, contribuíram para consolidar a carne de coelho como uma opção saudável, nutritiva e alinhada às tendências de consumo atuais.

Todo o trabalho foi realizado com o objetivo de chamar a atenção, não apenas para estes factos, mas também para incentivar os portugueses e as famílias em Portugal a consumir esta carne com maior regularidade. Além disso, a carne de coelho é parte integrante da tradição gastronómica do nosso país, constituindo-se como um elemento fundamental da nossa identidade. Por isso, enquanto Associação, entendemos ser nossa responsabilidade preservar este património gastronómico, ao mesmo tempo que abrimos espaço para a inovação.

Contudo, apesar dos esforços, os desafios económicos de 2023 impuseram obstáculos à ambição de dobrar o consumo de carne de coelho de uma vez para duas vezes por mês. Segundo dados do estudo recente da Kantar, intitulado “O Universo de Coelho em Portugal – FMCG | 1ºSemestre de 2023”, o aumento do custo de vida impactou o consumo de carne em geral, refletindo-se na carne de coelho, com uma redução de 4,00 pontos percentuais na penetração nos lares portugueses até julho.

Apesar dos desafios, a ASPOC destaca o empenho contínuo de toda a fileira da carne de coelho, cuja colaboração exemplar entre associações, empresas e entidades governamentais impulsionou este projeto, com destaque para a Comissão Europeia, que financiou o projeto, e a Intercun, nossa congénere espanhola. Este trabalho não só procura preservar a tradição gastronómica portuguesa, mas também assegurar um produto de qualidade e a sustentabilidade dos produtores envolvidos.

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