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Frutos secos portugueses em mercados de valor: “Konnichiwa” ou “Sayonara”?*

Artigo de opinião de António Saraiva, Director Executivo da Portugal Nuts – Associação de Promoção de Frutos Secos

*Olá ou adeus? (em japonês)

Este mês, a Portugal Nuts participou na Missão de Alto Nível do Comissário Europeu da Agricultura e Desenvolvimento Rural ao Japão, integrando uma comitiva de empresários europeus. Sendo uma honra, demonstra claramente um sinal de confiança por parte da organização da Missão.

António Saraiva

Num país que importa anualmente 755M € de frutos secos, metade tem origem nos EUA e a restante quantidade provém de origens mais próximas (Austrália e Índia). Pode ser um excelente mercado para os produtores europeus, pelo potencial de valor que representa (maioritariamente servido em pequenas embalagens) e pelas suas tendências atuais. Entre estas estão a procura de alimentos de outras origens, o crescente interesse por produtos gourmet, a preocupação com a alimentação saudável, o aumento do consumo de snacks e produtos de conveniência, tudo tendências às quais os frutos secos podem apresentar propostas de valor para os consumidores japoneses.

A UE tem vindo a realizar um bom trabalho, com a eliminação das taxas de aduaneiras à importação de frutos secos (nozes e amêndoas), num dos pontos-chave do Acordo de Parceria Económica com o Japão, em vigor desde 2019.

Com esta missiva o entrar no mercado japonês traz exigências face à natureza dos produtos importados e muitas foram as questões sobre a sustentabilidade das produções e sobre a rastreabilidade do produto final. Mas há outras barreiras que não são de solução imediata. A confiança é um critério da maior importância. E para se ganhar, junto dos importadores, já para não falar dos consumidores, é preciso um trabalho árduo, persistente, que não desista à primeira dificuldade. É necessário investimento financeiro e de tempo para criar uma relação sólida que deixe os nossos parceiros locais com a plena confiança do que fazemos e que somos capazes de entregar, ano após ano e de maneira consistente. Só após alguns anos de semear relações é que podemos colher os frutos da abertura dos mercados e recuperar o investimento feito, com vendas sólidas alguns anos mais tarde.

Sendo uma caraterística base do mercado japonês, a confiança não é exclusiva destas paragens e, em maior ou menor grau, encontra-se em mercados de elevado valor que se situam mais próximos e aos quais ambicionamos chegar, num futuro breve.

É o apoio para criar esta confiança nos mercados que a fileira de frutos secos nacionais reivindica. Só com solidez, será possível dar passos consequentes e investir na conquista de novos mercados, criando reputação positiva e lançando marcas que sejam apelativas aos consumidores para os quais os frutos secos nacionais podem dar respostas às suas necessidades.

A sujeição ao risco de decisões políticas menos pensadas, sem estratégia, no que à discussão do regadio diz respeito e num quadro de pouca previsibilidade no médio e longo prazo, minam a confiança de quem trabalha e de quem se começa a interessar por este cluster nacional de elevado potencial

Às portas de mais uma colheita, de amêndoa e depois de noz, com o entusiasmo que isso sempre representa para os que se dedicam aos frutos secos, seria positivo saber o que o futuro lhes traz, já que nesta campanha as restrições ao uso da água não permitiram explorar toda a “capacidade instalada”.

A sujeição ao risco de decisões políticas menos pensadas, sem estratégia, no que à discussão do regadio diz respeito e num quadro de pouca previsibilidade no médio e longo prazo, minam a confiança de quem trabalha e de quem se começa a interessar por este cluster nacional de elevado potencial.

Na semana em que o Presidente da Portugal Nuts regressava da Missão ao Japão, vi o recém-estreado filme português “Abandonados”. Baseado em fatos reais da II Guerra Mundial, o filme fala de japoneses invasores, mas centra-se nos portugueses que com os timorenses, resistiram de forma determinada ao abandono e desinteresse de que foram alvo parte do Governo de Lisboa. Estavam longe e ninguém quis saber ou talvez tivesse ativamente ignorado o que os afetava. Foi esta coincidência que me deixou a pensar.

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