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Agricert: produção agrícola convencional “não pode continuar” a ser “o modo de produção”

“A produção convencional não pode continuar a ser “o modo de produção”. É necessário optar por modos de produção responsáveis, que sejam os mais adequados ao tipo de cultura, sistema de produção, destino final do produto e considerando a rentabilidade necessária para o sucesso do modelo de negócio”. Esta é a opinião da directora executiva da Agricert – Certificação de Produtos Alimentares, Maria João Valentim, e da sua gestora da qualidade, Diana Silva, realçando que a adopção de práticas agrícolas responsáveis (…) não passam obrigatoriamente pelo modo de produção biológico“.

Em artigo publicado na edição n.º 26 da publicação Cultivar – Cadernos de Análise e Prospectiva, do GPP — Gabinete de Planeamento Políticas e Administração Geral, do Ministério da Agricultura, aquelas responsáveis adiantam que “a agricultura, em particular a agricultura biológica, tem o potencial de ajudar a UE [União Europeia] a reduzir as suas emissões através de práticas sustentáveis, obtendo produtos mais saudáveis. Tendo em conta este potencial, foi tornada pública a ambição da Comissão de aumentar até 25% a superfície agrícola útil convertida para agricultura biológica”.

“Isto irá representar seguramente uma agricultura mais sustentável e ambientalmente mais responsável. Mas a agricultura biológica, por si só, não pode ser encarada como a única ferramenta para alcançar este objectivo”, acrescentam.

Para as duas autoras, o “modo de produção biológico pode fazer parte de um sistema agroecológico. De acordo com a FAO [Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura], a agroecologia ajuda a apoiar a produção de alimentos e a segurança alimentar e nutricional, enquanto restaura os serviços ecossistémicos e a biodiversidade que são essenciais para a agricultura sustentável. Conceitos de responsabilidade social, economia circular, gestão responsável são intrínsecos ao desenvolvimento da produção agropecuária”.

Práticas agrícolas responsáveis e modo biológico

Segundo Maria João Valentim e Diana Silva, a “agricultura tem de dar resposta às necessidades da população e do planeta. A ciência, associada à técnica e à produção agropecuária, permite que a produção convencional se converta e dê resposta aos problemas de perda de biodiversidade, o que tem sido evidente nestes últimos anos”.

Mas consideram que “os produtores têm consciência da necessidade de perpetuar os recursos do nosso planeta, tendo-se vindo a verificar uma crescente adopção de práticas agrícolas responsáveis, nomeadamente através do uso eficiente da água, da utilização de energias “limpas”, de práticas de conservação do solo e da biodiversidade que não passam obrigatoriamente pelo modo de produção biológico“. “Esta adaptação permite um rendimento sustentável das explorações agrícolas e a resiliência do sector em toda a União, contribuindo para o reforço da segurança alimentar a longo prazo e da diversidade agrícola”.

Mercado de produtos premium

“Produção biológica é sem dúvida sinónimo de uma alimentação saudável e eficazmente sustentável, não podendo ficar esquecida a necessidade premente de alimentar a Europa e o mundo, no actual contexto de incerteza global”. “Temos um mercado de produtos premium obtidos neste modo de produção, trazendo valor acrescentado para os produtores e uma oferta diversificada aos consumidores, como é o caso das frutas (com destaque para os pequenos frutos), legumes, azeite, aromáticas e, mais recentemente, o sector do vinho”, consideram as responsáveis pela Agricert.

Por outro lado, “dado que o consumidor português não está ainda disposto a dar o devido reconhecimento a estes produtos, pagando mais na sua aquisição, a sua produção tem de ser incentivada, sendo um mercado que importa explorar”.

No entanto, realçam que “existe um Mundo a alimentar em situação de grave carência económica e com fragilidades que não podemos ignorar. O desafio passará sempre pela inovação, com uso sustentado dos recursos e recorrendo a técnicas e modos de produção que permitam a protecção ou melhoria da qualidade da água e a redução da pressão sobre os recursos hídricos, a prevenção da degradação do solo, a recuperação do solo, a melhoria da fertilidade do solo e da gestão dos nutrientes, uma utilização sustentável e reduzida, na medida do possível, da utilização de produtos fitofarmacêuticos, em especial os que representam um risco para a saúde dos consumidores ou para o ambiente, assim como a melhoria do bem-estar dos animais e o combate à resistência antimicrobiana”.

Pode ler este artigo na íntegra e toda a edição n.º 26 da publicação Cultivar aqui.

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