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Tudo o que deve saber sobre as culturas forrageiras de Outono-Inverno

Artigo de opinião do site A Cientista Agrícola

Autor do artigo: José Pena,Estudante de Agronomia e  Técnico Superior de Mecanização e Automação Agrícola

O que são culturas forrageiras?

As culturas forrageiras  são  culturas de plantas herbáceas de ciclo vegetativo anual destinadas à alimentação animal por norma cortadas na forma de erva verde ou conservadas sob a forma de silagem ou feno-silagem.

A produção de forragens pretende assegurar a alimentação e manutenção de determinadas actividades nos sistemas de produção animal ainda que lhe esteja associada a sua curta duração e os custos de instalação (agronómicos, ambientais e económicos). Vamos distinguir dois grandes tipos de culturas forrageiras, as gramíneas e as leguminosas, e ainda dar alguns exemplos de espécies mais conhecidas e utilizadas.

Fonte da imagem: BOI A PASTO

Culturas forrageiras de gramíneas

Para uma forragem de gramíneas de qualidade é fundamental um equilíbrio entre matéria seca da planta, fibra e proteína. Estes últimos estão inversamente relacionados, ou seja, quanto maior maturidade tiver a planta maior o teor em fibra e menor o teor em proteína. Dá-se tempo de secagem à forragem após o corte para que a planta perca humidade sem comprometer o seu valor nutricional.

Azevém anual (Lolium multiflorum Lam)

O azevém caracteriza-se como um óptimo exemplo entre  as culturas forrageiras da família das gramíneas com grandes produções. Responde prontamente à fertilidade do terreno e à fertilização produzindo uma forragem com elevado valor nutricional e de grande agrado animal. A utilização do azevém normalmente está a associada à exploração de forragem verde, em vários cortes, sendo a sua sementeira o mais precoce possível para assim aumentar o número de cortes e sendo o último corte utilizado para fenar ou ensilar. (Lopes et Al, 2006).

A sementeira desta ocorre em finais do Verão – princípios do Outono (Setembro-Outubro), para assim aproveitar as estações chuvosas e ter a sua preferência por solos profundos e húmidos. Em termos nutricionais o azevém obtido no período vegetativo é rico em água e proteína, enquanto que no início do espigamento apresenta um maior equilíbrio em matéria seca e elementos nutritivos como o teor em água (que atribui a percentagem de matéria seca), açúcares solúveis (confere o valor energético) e matéria azotada total digestível (designa o valor proteico) (Moreira, 2002).  Após o espigamento ocorre uma diminuição de elementos nutritivos.

As variedades diplóides apresentam porte e dimensões mais reduzidas, com o caule delgado, folhas estreitas e nós menos pronunciados, com menor humidade nos caules, cor verde clara e as suas sementes são mais pequenas. São as mais utilizadas para produção de feno.

Já as variedades tetraplóides apresentam maior desenvolvimento vegetativo, caules maiores, folhas compridas e largas, cor verde escura e com sementes maiores. Os tecidos são mais aquosos e mais ricos em substâncias azotadas, característica que permite maior produção de forragem.

A fertilização desta cultura deve ser fraccionada, tanto mais quanto maior o número de cortes, e, quando haja excedentes da cultura precedente, não deve ser realizada à sementeira.

Fonte da imagem: Lusosem

Aveia (Avena sativa L.)

A aveia é utilizada para a produção de forragem em solos com fraca aptidão, apresentando grande adaptação a diferentes solos, com preferência nos mais profundos e frescos para grandes produções. Resiste a baixas temperaturas, mas prefere precipitações bem distribuídas (Duthil, 1967). A sua colheita deve ser feita antes da criação de grão com vista a maiores quantidades de massa verde enquanto que uma colheita tardia apresenta uma forragem rica em hidratos de carbono (Duthil, 1967).

Fonte da imagem: Engormix

Centeio (Secalecereale L.)

O centeio é escolhido pelo seu melhor crescimento inicial a baixas temperaturas e por aceitar instabilidade de temperaturas, sobretudo há noite, com quedas bruscas de temperaturas. É também seleccionado pela sua adaptação a solos de baixa fertilidade, nomeadamente de texturas arenosas e ácidos (Moreia, 2002).

Fonte da imagem: agricultura no brasil

Cevada (Hordeum vulgare L.)

A cevada adapta-se bem a solos de texturas pesadas e com boa drenagem e mostra sensibilidade à acidez. Com uma maturação mais precoce e ciclo vegetativo mais curto, adapta-se bem a regiões de clima mais seco, ao relação grão\palha tem uma elevada digestibilidade na silagem (Duthil 1967).

Fonte da imagem:InfoEscola

Trigo (Triticuma estivum L.)

O trigo é o cereal menos utilizado como forragem mas é utilizado tendo em conta o corte único após a maturação do grão para ensilar aproveitando a relação grão/palha. É um cereal que requer um solo rico em matéria orgânico e bem drenado. É exigente em fertilidade do solo (Duthil 1967).

Triticale (Triticosecal L.)

O triticale é um cereal recente mas apresenta-se como cultura forrageira com grande capacidade produtiva, com boa adaptação a diferentes tipos de solo. Resultante do cruzamento do centeio com trigo, é utilizado para alimentação animal como base de silagem, devido a grande produção de matéria seca (Moreira, 2002).

Tremocilha (Lupinus luteus L.)

A tremocilha desempenha um papel de recuperação das condições de fertilidade em solos arenosos e ácidos, para inverter a baixa fertilidade de solo (Duthil 1967). É-lhe realizada um corte único em elevado estado de maturação destinado à sideração.

Culturas forrageiras de leguminosas

As forragens leguminosas, com capacidade para fixarem simbioticamente o azoto atmosférico, contribuem para a melhoria das características físicas (consistência e textura do solo), químicas (melhoria dos níveis de nutrientes disponíveis) e biológicas (desenvolvimento dos seres vivos de todas as espécies) dos solos.

Ervilhaca vulgar (Vicia sativa L.)

A ervilhaca consociada com azevém, é utilizada tendo em vista uma produção razoável a baixos custos e com interessante valor nutritivo baixo, onde os solos apresentam texturas mais pesadas e pH neutro ou pouco ácido (Moreira, 2002).

Fonte da imagem: BRSEEDS

Trevo violeta (Trifolium pratense L.)

O trevo violeta adapta-se a diferentes tipos de solos, mas a preferência incide sobre solos bem drenados e com pH 6-6,5. É uma planta vivaz que em boas condições tem produções óptimas. Com início de cortes mais cedo (na Primavera), apresenta grande número de cortes além de que com o avançar da maturação os seus caules apresentam um elevado valor nutritivo contribuindo para que seja uma forragem de grande digestibilidade (Duthil, 1967)

Luzerna (Medicago sativa L)

Fonte da imagem: Germisem Sementes

A luzerna é uma das culturas forrageiras cujas plantas são vivazes, e com uma raiz aprumada que se desenvolve a grande profundidade tendo boa capacidade de recrescimento e de adaptação a condições adversas do meio. Adaptam-se bem aos Verões quentes, e mesmo à secura através do seu muito profundo sistema radicular (Fernandes, 2000).

A luzerna é explorada em ciclo anuais longos, com vários cortes por ano, em função da estação, sendo o número de cortes e o estado de desenvolvimento em que são realizados os principais intervenientes no valor nutritivo e da persistência cultural.

A sua principal utilização é a produção de feno embora seja possível realizar a silagem, sobretudo no primeiro corte da estação de crescimento, ainda que seja necessário inoculantes de conservação ou pré-fenação, quer para silos quer para rolos plastificados (Fernandes, 2000).

Em função do sistema de produção, em determinados locais são aplicadas consorciações de culturas forrageiras , com vista à conservação de forragem, onde valor nutritivo é melhorado através da introdução das culturas leguminosas e se pretende o corte único em estado avançado de maturação.

Para finalizar a qualidade da forragem relaciona-se com as características da cultura escolhida contribuindo a variedade, o estado de maturação e as técnicas culturais efectuadas.

Bibliografia:
Duthil, Jean, 1967, Le Production Fourragére, Presença, 236 páginas
Fernandes, António, 2000, Luzerna (Medicago sativa L.), Ficha Técnica, nº 84, DRAEDM, 4 páginas
Lopes Violeta, Nogueira Abel e Fernandes António, 2006, Cultura do Azevém anual, Ficha Técnica, 53, DRAEDM, 4 páginas
Miranda F. Augusto, 1993, Produção e Conservação de Forragens, 92 páginas
Moreira Nuno, 2002, Agronomia das Forragens e Pastagens, UTAD, 2002, 190 páginas

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