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Montalegre faz sessões de esclarecimento de combate à vespa velutina

A Câmara de Montalegre, através do Gabinete Técnico Florestal (GTF), promove três sessões de esclarecimento que visam combater a denominada Vespa Velutina, mais conhecida por “vespa asiática”. As sessões estão abertas a toda a comunidade.

As acções, coordenadas pelo técnico José Luís Tavares, decorrem em Fafião (26 de Agosto, no Ecomuseu de Barroso – Vezeira e a Serra), Salto (27 de Agosto, no Ecomuseu de Barroso – Casa do Capitão) e Montalegre (28 de Agosto, no Salão dos Paços do Concelho).

As sessões vão debater temas como a identificação da espécie (caracterização e ciclo de vida), a distribuição no concelho de Montalegre e estratégias de combate (captura de vespas e eliminação e ninhos).

Plano Municipal de Combate à Vespa Velutina

A autarquia, presidida por Orlando Alves, recorda que tendo em conta “o elevado risco ecológico que representa para a saúde pública e economia local, o município de Montalegre elaborou um Plano Municipal de Combate à Vespa Velutina [asiática]”.

Esta acção contemplou, como medida primária, a implementação de uma rede de 200 armadilhas dispersas por todas as localidades do concelho, entre os inícios dos meses de Março e meados de Junho, período em que estas vespas saem da sua hibernação.

A autarquia publica no seu site uma série de perguntas e respostas sobre a vespa asiática que o agriculturaemar.com aqui transcreve.

Como é a vespa-asiática (Vespa velutina)?

Não há como a confundir: tem a cabeça preta com face laranja ou amarelada, o corpo castanho-escuro ou preto, um segmento no abdómen amarelo-alaranjado na parte dorsal, as asas escuras e as patas castanhas com extremidades amarelas. Os seus ninhos são arredondados, podendo chegar a um metro de altura e até 80 centímetros de diâmetro. Cada um pode albergar entre 2.000 a 13.000 vespas.

Como se comporta?

É diurna e predadora de outras vespas, abelhas, entre outros insectos. O seu método de ataque é simples: começa por esperar as abelhas carregadas de pólen junto das colmeias. Depois, captura-as e corta-lhes a cabeça, patas e ferrão, para aproveitar o tórax, a parte mais rica em proteínas. Por fim, transporta-as para o seu ninho para alimentar as larvas. Tem um ciclo biológico anual, sendo que atinge a máxima actividade no Verão, devido ao aumento de ninhos e crescimento da colónia.

Quando chegou a vespa-asiática a Portugal?

A sua presença em Portugal foi detectada, pela primeira vez, em Setembro de 2011 em quatro apiários no concelho de Viana do Castelo, segundo o artigo “A Vespa Velutina em Portugal Continental e a Apicultura Nacional”, de Miguel Maia e José Manuel Grosso-Silva, publicado em 2012 na revista O Apicultor.

De onde veio?

A Vespa velutina é originária de uma área de distribuição que abrange as regiões tropicais e subtropicais desde o Norte da Índia até ao Leste da China, Indochina e arquipélago da Indonésia. Dentro desta área, vive nas zonas montanhosas e mais frescas.

Já a subespécie Vespa velutina nigrithorax (que se encontra em Portugal) habita no Norte da Índia, Butão, China e nas montanhas das ilhas de Samatra e Celebes.

Há mais de uma década que a Vespa velutina foi detectada fora da sua área de distribuição natural, nomeadamente na Coreia do Sul em 2003 e na Europa em 2004.

“A vespa-asiática foi introduzida na Europa, através de um transporte de hortícolas vindos da China e que foi desembarcado no porto de Bordéus (França) no ano de 2004”, lê-se no artigo na revista O Apicultor. Depois, em 2010 foi confirmada no Nordeste de Espanha, em 2011 na Bélgica e em 2012 em Itália.

Quais as zonas mais afectadas pela vespa-asiática em Portugal?

Até agora, a presença da vespa-asiática em Portugal foi confirmada no Norte e no Centro do país, até à bacia do Tejo, mas estima-se que vá colonizar todo o território continental. A localização dos ninhos e dos avistamentos dos insectos pode ser visto na plataforma SOS Vespa (www.sosvespa.pt), que cartografa e monitoriza essas ocorrências através da colaboração de cidadãos e de instituições.

Como a plataforma gerida pelo Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) depende dessa colaboração e porque já havia outros canais de informação e sistema de detecção a funcionar, os valores de alguns distritos não correspondem à situação real.

Quais os principais efeitos e consequências?

Há quatro grandes efeitos da presença da vespa-asiática em Portugal, segundo o Plano de Acção para a Vigilância e Controlo da Vespa velutina em Portugal (revisto em Janeiro de 2018), desenvolvido pela Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária e pelo ICNF com o contributo do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária.

Na apicultura causa perdas devido à predação da abelha-europeia (Apis mellifera) e pela diminuição da actividade das abelhas, pois há menos mel e polinização vegetal. Já na agricultura, além de haver uma menor actividade de polinização, pode influenciar a produção frutícola. A vespa-asiática pode afectar o bem-estar e a segurança das pessoas.

“Embora não sendo individualmente mais agressiva para o ser humano do que a vespa-europeia, reage de forma bastante agressiva às ameaças do ninho», lê-se no plano. Por exemplo, se se sentir ameaçada a cinco metros, pode responder em grupo e perseguir essa ameaça a cerca de 500 metros. Por fim, como é uma espécie invasora, «pode originar a médio prazo impactos significativos na biodiversidade”.

Como se pode comunicar a detecção ou suspeita de ninhos e de exemplares de vespa-asiática?

Pode preencher-se um formulário na plataforma SOS Vespa; completar o anexo IV do plano de acção já mencionado e enviá-lo para a Câmara Municipal da área de detecção; contactar a linha SOS Ambiente (808 200 520) ou pedir a colaboração da junta de freguesia da área da observação. Relativamente à destruição dos ninhos, devem seguir-se as orientações do plano de acção e usar equipamentos de protecção. Nunca se deve usar armas de fogo, pois só destrói parcialmente o ninho e contribui para a dispersão das vespas.

Pode consultar o Plano Municipal de Combate à Vespa Velutina do Município de Montalegre aqui.

Agricultura e Mar Actual

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