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Quer investir em Figo-da-Índia? Investigadores do INIAV explicam a planta e o negócio em livro

Tem terreno e não sabe o que produzir? Os investigadores do INIAV – Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária acabam de publicar em livro os principais conhecimentos relacionados com a cultura, a valorização agro-industrial, a economia e os mercados do Figo-da-Índia.

Intitulado “A cultura da figueira-da-índia e a valorização agroindustrial do fruto”, o livro está dividido em cinco capítulos. Esta publicação foi uma iniciativa de investigadores do INIAV, participantes no projecto, tendo tido também a colaboração de sócios da OpuntiaTec (que individualmente são parceiros no projecto) e um técnico do Centro de Excelência e Valorização dos Recursos Silvestres Mediterrânicos (Cevrm) que foi o promotor do projecto.

Nos dois primeiros capítulos descreve-se a espécie na perspectiva botânica e de adaptação ao meio, a sua dispersão pelo mundo e as técnicas culturais adequadas à obtenção de uma boa produção.

Segue-se um capítulo dedicado à economia da cultura e como proceder a uma análise económica e de investimentos, assim como os possíveis apoios ao investimento e à inovação.

No capítulo sobre a valorização agro-industrial do figo-da-índia descrevem-se os principais processos de conservação e de transformação dos frutos para obtenção de produtos de valor acrescentado.

Por fim apresenta-se a situação actual da cultura em Portugal, em termos de área plantada, possibilidade de expansão e colocação da produção no mercado. A Agricultura e Mar Actual deixa aqui algumas das dicas dos investigadores.

O cultivo da figueira-da-índia

Segundo os autores do livro, a propagação da figueira-da-índia faz-se por via vegetativa, através de estacas de cladódios. Em Portugal há produtores com pomares que vendem cladódios para propagação. No caso de se optar por fazer as próprias estacas de cladódios, a época de colheita do material para enraizar decorre entre Março e Abril, para uma plantação primaveril e em meados de Agosto para uma plantação no fim do Verão, contudo, a taxa de crescimento é muito reduzida comparada com a plantação na Primavera.

Os cladódios devem ter 1 ou 2 anos de idade, e devem ser cortados o mais próximo da zona de inserção, com utensílios limpos, para evitar contaminações. Depois de colhidos, devem ser colocados em ambiente semi-sombreado cerca de 15 a 30 dias, para que o corte cicatrize, de modo a favorecer o enraizamento e evitar o seu apodrecimento, realça a publicação.

figo da india 04Antes de iniciar a plantação, dizem os investigadores que deve ser feita uma verificação das características físicas do solo e recolher terra para análise de nutrientes e de pH.

A eliminação de infestantes e o espalhamento de matéria orgânica devem preceder a mobilização do solo. A aplicação em fundo de 20 a 30 t/ha de estrume curtido melhora a estrutura do solo, a riqueza em nutrientes e aumenta a capacidade de retenção de água.

Em casos em que as características do solo sejam favoráveis à mobilização mínima, poderá optar-se por mobilizar só a linha de plantação, através de, por exemplo, uma ripagem, sendo a estrumação aplicada na linha.

Plantação em pomar

Um aspecto importante no estabelecimento de um pomar de figueira-da-índia é o compasso de plantação. A densidade de plantas no terreno é uma característica geral para qualquer cultura, mas neste caso, que tende a ocupar um grande volume e pela sua agressividade devido aos espinhos, exige compassos de plantação mais alargados, para facilitar a operação de colheita e a segurança do operador.

O tipo de plantação recomendado para pomares para a produção de fruto é em quadrícula, em que as plantas podem ser conduzidas em globo, vaso aberto ou na forma erecta (Fig. 2.2). Os compassos podem variar entre 4-6 m x 3-5 m (289 a 833 plantas/ha), contudo, actualmente, é usual a utilização de um compasso de 6 x 5 m com 3 cladódios/covacho.

A densidade de plantas deve obedecer principalmente à capacidade produtiva do solo ou ao tipo de nutrição que se pretende implementar. Um pequeno espaçamento na linha origina um maior número de cladódios férteis, mas obriga a efectuar mais podas para evitar ensombramento. O ensombramento dos cladódios é uma questão
importante pois a frutificação é reduzida.

A orientação dos cladódios no momento da plantação deve ser considerada. O eixo transversal dos cladódios e as linhas de plantação devem ficar no sentido norte-sul, de forma a receberem a luz solar de manhã e de tarde, para se obter bom crescimento.

Os cladódios devem ser enterrados na vertical até meio da sua altura, podendo plantar-se um, dois ou três cladódios próximos no mesmo covacho. Após a plantação, se o terreno estiver seco, é aconselhável efectuar uma rega ligeira.

Aproveitamento agro-industrial

A cadeia de produção do figo-da-índia deve visar a incorporação de valor à matéria-prima, através de agro-indústrias capazes de processar e diversificar a oferta de novos produtos. Dada a sua composição, os figos são susceptíveis de alteração de origem microbiana, pelo que torna-se imperativo a aplicação de processos de transformação e de conservação, de forma a evitar perdas pós-colheita.

Os frutos podem ser divididos em três fracções, nomeadamente polpa, sementes e casca, podendo dar origem a inúmeros produtos de elevado valor acrescentado, disponíveis em qualquer época do ano.

A polpa, a parte mais valiosa e comestível do fruto, é também considerada a mais interessante para o processamento. As sementes podem ser utilizadas para extracção de óleo. As cascas (epiderme), como normalmente não são comestíveis e como são de difícil separação da polpa, é compreensível apresentarem pouco interesse para esta finalidade.

As operações de processamento são importantes, não só a nível da indústria, mas também a nível de armazenamento, pois, neste último caso, podem ocorrer modificações das características físicas, químicas e biológicas que, dependendo da intensidade do efeito, causam a sua perda para a função alimentar.

A unidade de processamento deverá obedecer a determinados requisitos, em que, além do sector de transformação, propriamente dito, torna-se imprescindível a existência de um sector de apoio, armazém para embalagens, sala de lavagem de material, utilizado durante o processo tecnológico, laboratório de controlo do produto final, assim como uma secção social (gabinetes, vestiários).

Nas boas práticas de higiene interessa não só o controlo do produto acabado, mas igualmente o do ar ambiente e das superfícies (instalações e equipamentos). Neste sentido, as recomendações e disposições regulamentares, que visam a obtenção de um produto acabado de qualidade passam por:

figo da india 05• Fornecimento de matéria-prima de forma contínua e homogénea;
• Separação entre a sala de recepção e as de processamento e embalagem;
• Desinfecção das referidas salas, bem como do equipamento, com hipoclorito de sódio ou água clorada (80 ppm de cloro activo);
• Cumprir os requisitos de higiene;
• Possuir manual de procedimentos de HACCP (Análise de Perigos e Controlo de Pontos Críticos) com identificação dos riscos, pontos críticos e respectivas acções correctivas;
• Respeitar as condições de distribuição.

Da América para a Europa, desde os Descobrimentos

A figueira-da-índia foi trazida da América para a Europa na época dos descobrimentos marítimos e desde então foi-se expandindo pelo país tendo-se adaptado onde as condições climáticas lhe foram favoráveis. Em Portugal, foi no Alentejo e Algarve, que as populações rurais mais a aproveitaram, nomeadamente, os frutos para alimentação.

Quem viaja pelo país encontra junto às estradas muitos maciços de Opuntias em estado espontâneo como resultado de muitos séculos de dispersão. No final do verão apresentam um aspecto colorido, facilmente identificável, devido aos muitos frutos que ostentam.

figo da india 03A cultura intensiva emergiu em Portugal, com a instalação de jovens agricultores, em resposta à crise económica e de emprego após 2008.

É nas regiões do interior, de baixa densidade demográfica e com problemas de debilidade económica, que esta cultura, à semelhança de outros recursos silvestres emergentes, pode contribuir de forma significativa e sustentável para o desenvolvimento local das referidas regiões.

Desde 2009, ano da primeira plantação em pomar, têm vindo a ser instalados pomares cuja área total deve rondar os 200 ha, com uma forte tendência para aumentar. Estes pomares proporcionam uma paisagem diversa que ainda causa alguma estranheza.

Com o aumento da área plantada, os agricultores sentem a necessidade de se organizarem, tendo sido criadas diversas associações no âmbito da produção, da comercialização e da divulgação cultural. Como resultado deste dinamismo têm-se organizado diversos encontros técnicos e científicos, com a participação de especialistas nesta cultura, que muito têm contribuído para a divulgação de conhecimentos. Por parte dos agricultores tem-se verificado uma grande afluência e entusiasmo na assistência a estes eventos.

Pode descarregar o livro completo aqui.

Agricultura e Mar Actual

 

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10 comentários

  1. gostava de ver o tal livro e eventualmente experimentar as plantas.
    Como posso obter o livro e a informação sobre os fornecedores da planta?

  2. O meu nome e Paulo Feerro , tenho 28 anos e tenho varias piteras em muitos lugares de familia , todos os anos deixamos estragar os figos da india , andei a estudar sobre a materia e tenho adorado . quanto mais estudo mais fico fascinado . gostaria de obter informacoes de pessoas ou empresas que comprem o figo da india , para depois poder investir em comprar mais piteras .
    Agradeco que me responda por maill . com maiores cumprimentos Paulo Ferro

  3. Boa noite, quero saber como obter mudas dessa plantas?
    E como cultiva-la num terreno de 3/hectares?

    • CarlosCaldeira

      Boa noite. Aconselhamos que entre em contacto coma APROFIC – Associação de Profissionais de Figo da India Portugueses.
      Telefone: 932 885 721

  4. Maria do Céu Casa Branca

    Poderá contactar a opuntiatec – Consultoris Agronómica Unipessoal, Lda
    geral@opuntiatec.pt

  5. alberto achando

    Estou interessado em obter mais informação sobre as piteiras, nomeadamente variedades de plantas, pois já vi frutos vermelhos, alaranjados e verdes. ..
    Outras informaçoes estão no livro, que já consultei e onde obtive informações muito úteis. ..só das variedades é que não li nada.
    A informação pode ser dada no meu email.
    Um abraço.

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