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“Tipo iogurte” ou “alternativa ao queijo”. Vegans holandeses pressionam Presidência Portuguesa da UE a favor dos rótulos dos produtos de origem vegetal

O iogurte é um lacticínio, tal como o queijo. São dois produtos de origem animal. Mas, terão de ser tratados, em termos de rotulagem nos supermercados, de forma diferente a par dos produtos “alternativos” de origem vegetal?

Amanhã, 29 de Abril, o Parlamento Europeu vai ter de tomar uma decisão sobre o futuro da rotulagem dos produtos de origem vegetal na União Europeia. E a Upfield e a Associação Vegetariana Portuguesa, dois dos principais actores da alimentação de origem vegetal, estão mais uma vez a unir forças para apelar ao Governo português — que tem actualmente a Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia — a se opor à Alteração 171. Este apelo já teve lugar nos Países Baixos e a unidade dos Estados-membros “poderá significar que, finalmente, a incerteza regulamentar na União Europeia chegará ao fim”.

O Parlamento nacional holandês pediu ao governo esta semana que se oponha activamente a esta proposta que poderá proibir qualquer comparação relativa à sustentabilidade entre produtos vegetais e animais.

Refira-se que a área de negócio da Unilever (Jerónimo Martins) à base de plantas, em Dezembro de 2017, foi vendida e relançada como Upfield, que detém actualmente marcas como a Becel, ProActiv ou Flora.

Após conversações entre 21 e 26 de Abril, espera-se que amanhã, quinta-feira, seja finalmente tomada a decisão a nível europeu sobre a alteração que pretende “proibir informações fundamentais sobre a rotulagem de alternativas de origem vegetal a produtos lácteos, tornando difícil aos consumidores tomar uma decisão de compra consciente e informada”, diz uma nota de imprensa da Upfield.

“Caso não exista apoio das instituições europeias, as informações sobre a pegada ambiental de um produto poderiam também deixar de ser permitidas, dados esses que interessam a cada vez mais cidadãos e produtores de marcas que defendem a total transparência na rotulagem”, acrescenta a mesma nota.

Produtos lácteos ou de origem vegetal?

“Os portugueses não se confundem no supermercado e querem continuar a poder escolher o que compram. 95.9% dos portugueses sabe distinguir produtos lácteos e produtos de origem vegetal quanto à origem dos seus ingredientes e não se confundem com as diferentes alternativas. A Upfield, como membro da European Alliance for Plant-based Foods (EAPF) e no âmbito da estratégia ‘Do Prado ao Prato’, pede ao governo português que se oponha a esta Alteração para mostrar o seu apoio a todas as indústrias e continuar a contribuir para uma transição para uma alimentação, produção e economias mais sustentáveis”, afirma Álvaro Carrilho, sales manager da Upfield em Portugal.

Para a Upfield, se aprovada a Alteração 171, “para além de proibir qualquer comparação entre alimentos de origem vegetal com alimentos de origem animal para referência do consumidor como “tipo iogurte” ou “alternativa ao queijo”, proibiria a inclusão de informação sobre a sustentabilidade do produto nas embalagens dos mesmos. Assim, os consumidores não poderiam saber se um produto tem uma pegada de carbono mais baixa do que outro”.

E acrescenta que “esta decisão vai contra a tendência actual da população, cada vez mais preocupada com o ambiente e empenhada no consumo responsável, tendo, por exemplo, 96.0% dos consumidores portugueses confirmado que a oferta de produtos deve ser cada vez mais alargada, possibilitando opções de escolhas para todos os gostos, tipos de alimentos e intolerâncias. Note-se ainda que em Portugal, 40% da população é intolerante à lactose”.

Emenda 171

“A Emenda 171 é um exemplo eminente de uma interferência supérflua do aparato burocrata europeu na liberdade dos mercados e, em última análise, na própria liberdade dos consumidores – de fazerem escolhas de consumo que se distanciam dos padrões alimentares mais tradicionais, optando por alimentos de base vegetal, com menor pegada ecológica, como é o caso das alternativas aos lacticínios, sejam as bebidas ou iogurtes vegetais”, diz Nuno Alvim, presidente da Associação Vegetariana Portuguesa.

E acrescenta que “uma União Europeia que preze a inovação e a sustentabilidade deve opor-se firmemente a directrizes legislativas que sufoquem a indústria de produtos vegetarianos ou veganos, ao invés de mostrar subserviência aos lóbis da agropecuária. Fazê-lo não só evidencia um compromisso com a protecção ambiental, como também com as próprias metas da UE, traçadas no Pacto Verde Europeu e na estratégia do Prado ao Prato”.

Agricultura e Mar Actual

 
       
   
 

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