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Parlamento Europeu vota a favor da proibição das munições com chumbo nas zonas húmidas

O Parlamento Europeu votou para proibir o uso de munição de chumbo nas zonas húmidas em toda a União Europeia, permitindo assim que a Comissão Europeia introduza nova regulamentação. Depois de aprovação final pelos Estados-membros no Conselho Europeu, a UE poderá finalmente remover o chumbo das zonas húmidas.

“Uma decisão que irá salvar milhares de aves selvagens de uma morte lenta e dolorosa por envenenamento, e salvaguardar a saúde pública, e pela qual nós e os nossos parceiros da coligação C6, que engloba as maiores Organizações Não-Governamentais de Ambiente do País, nos temos batido”, diz um comunicado da SPEA — Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves.

Os eurodeputados votaram inicialmente para proibir o chumbo na terça-feira passada. Isto levou o grupo de direita Identity and Democracy (ID) a submeter uma objecção que foi votada ao fim do dia de quarta-feira. Na votação final, 499 eurodeputados votaram a favor da proibição, 153 contra e 39 abstiveram-se.

No prazo de 24 meses, toda a munição usada em zonas húmidas não pode conter chumbo. O Comité REACH, responsável pela regulação de compostos químicos na UE, já tinha votado para proibir o chumbo em Outubro devido às suas propriedades altamente tóxicas.

Chumbo na caça e pesca

Explica a direcção da SPEA que o chumbo é usado há décadas em munições de caça e chumbos de pesca, “apesar de ser cada vez mais abundante a informação sobre os terríveis impactos que tem nas pessoas, na vida selvagem e na natureza”.

Nos cartuchos usados por muitos caçadores, “inúmeras pequenas esferas de chumbo são disparadas em lugar de uma única bala. Como resultado, apenas uma pequena proporção do chumbo disparado atinge o alvo. O resto fica disperso na natureza. Estima-se que cerca de 21 a 27 mil toneladas de chumbo são dispersas para o ambiente na UE todos os anos, devido apenas à caça”, acrescenta a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves.

Estas chumbadas são “frequentemente ingeridas por aves aquáticas como cisnes, flamingos, patos e gansos, que tragicamente as confundem com as pedrinhas que engolem para ajudar à digestão e com as sementes que comem”. A Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA) estima que o resultado seja a morte de mais de um milhão de aves anualmente.

“É um alívio e é encorajador ver os eurodeputados a recusar-se a cair na armadilha da desinformação e do medo que foram propagados sobre esta questão. Toda a gente sabe que o chumbo é tóxico e por isso mesmo tem vindo a ser banido de muitas utilizações”, diz Joaquim Teodósio, da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, em nome da C6.

“Esperamos que esta proibição seja rapidamente implementada na Europa e adoptada em Portugal, para que as munições de chumbo sejam substituídas pelas alternativas que já existem no mercado, e os nossos rios, lagoas, açudes e pauis sejam libertados deste metal tóxico, a bem das aves, da natureza e da saúde pública” acrescenta aquele responsável.

Agricultura e Mar Actual

 
       
   
 

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