A Conferência “Impacto dos Incêndios no Sector Vitivinícola” realizou-se hoje, 25 de Fevereiro, no Solar do Vinho do Dão, em Viseu, tendo reunido especialistas nacionais e internacionais para debater temas como as alterações climáticas, gestão de riscos, políticas públicas e os efeitos do fumo na produção de vinho.
No seguimento da Conferência, a ADVID — Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense/CoLAB Vines&Wines, que colaborou na organização do evento, acaba de emitir um boletim que resume as conclusões resultantes de trabalhos técnico-científicos realizados mundialmente, onde são sugeridas as etapas da gestão da vinha no pós-incêndio, com foco na avaliação dos danos, nas técnicas de recuperação vegetativa e na importância da monitorização regular das plantas.
Realça a ADVID que Portugal é anualmente fustigado por incêndios rurais e florestais, onde o ano de 2024 não foi excepção. As regiões Norte e Centro são frequentemente expostas a estes fenómenos, cujo impacto pode comprometer significativamente a vitalidade das vinhas e o seu potencial produtivo. Após um incêndio, é fundamental avaliar os danos causados nas videiras e implementar estratégias direccionadas para a recuperação vegetativa e a monitorização contínua das plantas, assegurando a sobrevivência e a qualidade futura da produção.
Segundo o boletim, a variabilidade da vinha (por exemplo: o declive, estado fitossanitário, vigor, teor de água no solo, idade da vinha, etc.) e a variação das condições de incêndio (por exemplo: velocidade do vento, carga de combustível sob a vinha, proximidade da vegetação adjacente, etc.) tornam difícil a avaliação dos impactos. Apesar de o escaldão das folhas ser um indicador de danos mais ligeiros, o calor radiante proveniente do incêndio pode ter um impacto negativo significativo na viabilidade dos gomos, assim como no sistema vascular da videira, que não é imediatamente visível.
Quanto à avaliação visual preliminar, “o procedimento é relativamente simples, recomendando-se observar uma amostra de videiras por cada zona uniforme (p.ex. um talhão de uma vinha), de modo a avaliar a correlação entre os danos visuais e a extensão efectiva dos danos à viabilidade da videira”.
Por outro lado, podem ser utilizadas quatro abordagens metodológicas para avaliar os danos: análise visual, avaliação cambial por corte vertical do tronco (pequena incisão lateral no tronco para avaliação dos vasos), avaliação vascular por coloração transversal de secção de tronco com azul de metileno e análise de gomos dormentes. A comparação dos métodos indicou que a avaliação visual combinada com a coloração de secções transversais é a abordagem mais fiável, adianta o documento.
“Embora seja um método de avaliação destrutivo, a coloração do tronco fornece uma avaliação inequívoca do impacto de um incêndio na viabilidade de uma videira. Existem casos onde foi observada a presença de um anel castanho nos vasos, que assinalava danos circunferenciais completos do floema secundário. Esta lesão pode provocar um cintamento dos vasos da planta e consequente interrupção de circulação de seiva, que será de difícil observação por outros métodos de avaliação. Nestes casos, a planta poderá apresentar sinais de recuperação vegetativa inicial, com possibilidade de morte súbita nas campanhas subsequentes “, acrescenta.
Poe ler o boletim completo aqui.
Agricultura e Mar