Os analistas da XTB Portugal analisaram o potencial impacto de uma proibição de exportação de gasóleo nos Estados Unidos da América (EUA) no mercado da União Europeia (UE). O problema não é o gasóleo, mas sim o gás natural. Sem impacto.
“Há várias semanas que circula no debate público norte-americano, com intensidade variável, uma proposta para introduzir uma proibição das exportações de gasóleo dos Estados Unidos, inicialmente por um período de cerca de 90 dias. Durante o dia de ontem surgiram notícias que davam conta da implementação desta medida, que acabaram por ser desmentidas por parte da Casa Branca”, refere uma análise daquela corretora financeira internacional.
Ainda assim, a situação nos EUA “é grave e afecta também os republicanos, devido à extrema dependência do país em relação ao consumo de combustível. Os preços dos combustíveis estão a atingir níveis recorde, e surgem cada vez com mais frequência relatos isolados sobre a escassez física de determinados produtos petrolíferos”.
Com as eleições intercalares a aproximarem-se, “os preços dos combustíveis assumem um papel crucial e, apesar da natureza drástica e intrusiva desta solução, muitos participantes no mercado não a descartam. Porquê o gasóleo? A indústria petrolífera apresenta uma série de características complexas, sendo que uma delas é o facto de o actual défice não se situar no lado do petróleo (crude), mas sim no da capacidade de refinação. E, entre os produtos refinados, as maiores escassezes verificam-se actualmente nos derivados como o gasóleo”, adiantam os mesmo analistas.
E, para aqueles especialistas, “a guerra no Golfo Pérsico retirou do mercado capacidade de refinação (dependendo do produto). A pressão sobre a oferta também se faz sentir na Rússia. No ano passado, a Rússia representou cerca de 5% da oferta global deste tipo de combustível. Uma campanha de ataques à infra-estrutura de refinação da Rússia, cuja escala e eficácia têm vindo a aumentar, colocou grande parte da sua capacidade de exportação fora de serviço”.
No entanto, “partindo do cenário mais pessimista, será que isso coloca a Europa numa posição tão desfavorável como muitos comentadores sugerem? É importante salientar que a escassez se verifica actualmente no sector da refinação, e não no da extração. As reservas estratégicas de petróleo libertadas dos inventários desde o início do conflito têm amortecido grande parte do défice”.
“Há bastante tempo, porém”, cada vez mais dados indicam que os “navios que contornam o bloqueio” conseguem transportar para fora do Estreito de Ormuz uma quantidade de petróleo suficiente para cobrir a procura global. Assim, a escassez diz respeito ao combustível, e não ao petróleo. O mercado de combustíveis, no entanto, tanto na Europa como a nível global, apresenta-se de forma completamente diferente”, escrevem ainda os analistas da XTB.
E garantem: “a maior dependência da Europa neste domínio não é do petróleo nem dos combustíveis, mas sim do gás natural; que, apesar das dificuldades, continua a chegar à Europa, entre outros, proveniente da Noruega ou dos EUA”.
A Europa “importa cerca de 95% do seu petróleo, mas apenas cerca de 10% do gasóleo. No que diz respeito à gasolina, a Europa acaba por conseguir exportar. Desta forma, uma hipotética proibição das exportações de gasóleo dos EUA poderia ter um impacto menos severo na economia dado o contexto”.
Agricultura e Mar
AGRICULTURA E MAR Revista do mundo rural e da economia do mar
