A WWF Portugal, perante a crescente intensidade dos incêndios florestais em Portugal, agravada pelas alterações climáticas e pelo abandono rural, lançou uma “Agenda Comum para a Prevenção de Incêndios Florestais”, que propõe medidas concretas para uma transformação da paisagem e uma gestão integrada do território. Esta Agenda reúne contributos de especialistas de vários sectores para travar o ciclo dos grandes incêndios.
Apesar da redução no número de incêndios nas últimas duas décadas, Portugal continua a enfrentar fogos florestais cada vez mais intensos e devastadores. A WWF Portugal alerta para a urgência de transformar a forma como o território é gerido, lançando hoje, 15 de Julho, uma Agenda Comum para a Prevenção de Incêndios Florestais — um documento estratégico que resulta da colaboração de especialistas de múltiplos sectores e apresenta recomendações concretas para travar o ciclo destrutivo dos grandes incêndios.
O relatório identifica os principais factores que agravam o risco de incêndio, como a baixa rentabilidade da floresta, o abandono do mundo rural, a fragmentação da propriedade e a ausência de políticas públicas coordenadas. As faixas de gestão de combustível, ainda que existentes, são consideradas insuficientes e, por vezes, incompatíveis com os objectivos de conservação da biodiversidade, refere um nota de imprensa da WWF Portugal.
Em resposta a estes factores, a WWF defende “uma transformação eficaz da paisagem — especialmente a Norte do Tejo, onde se concentra grande parte da floresta homogénea e mal gerida — e propõe um modelo baseado em mosaicos agroflorestais sustentáveis, valorizando o capital natural e os serviços dos ecossistemas. O foco está na gestão à escala da paisagem, na multifuncionalidade da agricultura e na promoção da presença humana activa e informada no território”, afirma Vasco Silva, Coordenador de Florestas e Vida Selvagem da WWF Portugal.
A “Agenda Comum para a Prevenção de Incêndios Florestais” reúne propostas dirigidas ao Governo, sector privado, sociedade civil e comunidade científica, incluindo:
- Para o Governo: implementação de políticas que promovam a gestão do combustível, o uso do fogo controlado, a valorização do pastoreio extensivo e o apoio à agricultura familiar; reforço do cadastro predial e da governança; e integração de políticas agrícolas, florestais e ambientais.
- Para empresas e investidores: adaptação dos modelos de gestão florestal às alterações climáticas, parcerias com comunidades locais e investimento na valorização de produtos de sistemas agrosilvopastoris.
- Para a sociedade civil: organização em associações, participação activa no planeamento territorial, adopção de modelos de gestão diversificados e valorização dos produtos locais.
- Para a academia: produção de conhecimento sobre gestão multifuncional e resiliência, apoio à definição de políticas eficazes, formação de técnicos florestais e análise das dinâmicas demográficas e de mercado.
Este documento foi o resultado de uma reunião entre especialistas de vários sectores e entidades, que teve lugar em Lisboa em Maio de 2025. Estão disponíveis para consulta o documento completo aqui e o sumário aqui.
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