Os viticultores durienses reuniram-se num grande plenário promovido pela CNA — Confederação Nacional da Agricultura e pela Avadouriense — Associação dos Viticultores e da Agricultura Familiar Douriense, no Peso da Régua, a 1 de Junho, para discutir a “difícil situação que se vive na Região Demarcada do Douro”. E decidiram realizar uma grande manifestação no dia 2 de Julho, na Régua.
Aqueles produtores exigem “uma fiscalização efectiva na entrada de mostos e vinhos oriundos de fora da região” e reclamam, como medidas imediatas e conjunturais de gestão de crise “a compra pelo Estado de stocks excedentários das adegas cooperativas, refrescando os stocks armazenados na Casa do Douro”, entre outras medidas.
Com o Auditório da Câmara Municipal da Régua cheio, “foram muitos os viticultores que expressaram de viva-voz as suas preocupações e propostas, que ficaram plasmadas numa Moção aprovada por unanimidade”, realça um comunicado de imprensa da CNA.
No documento constam diversas “propostas de medidas concretas e imediatas para fazer face à situação que estão a viver e para resolver a crise estrutural que está em curso na Região”.
Recorda o mesmo comunicado que, “nos últimos anos, a situação dos viticultores durienses degradou-se aceleradamente. Os preços pagos à produção mantêm-se em valores de há 25 anos, os custos de produção (combustíveis, fitofármacos, energia, fertilizantes) cresceram bastante, e acentuou-se o desequilíbrio entre o poder de mercado das grandes casas comercializadoras e exportadoras, e o dos viticultores, em especial, dos pequenos e médios”.
“Perante o agravar das dificuldades, os viticultores durienses decidiram realizar uma grande manifestação no dia 2 de Julho, na Régua, exigindo a adopção do conjunto das propostas e reclamações constantes na Moção”, segundo a qual “mantêm-se problemas na fiscalização na entrada de mostos e comercialização de vinhos que são vendidos como se do Douro fossem originários, que contribuem para os excedentes de produção que se acumulam, e para os baixos preços pagos aos viticultores”.
Moção
Segundo aquela Moção, os viticultores durienses:
- Reclamam o aumento do quantitativo do benefício, e rejeitam veementemente que, em 2025, este seja fixado abaixo do valor de 2024;
- Exigem que o Estado fixe preços mínimos para as uvas, e que estabeleça a proibição da compra de uvas abaixo dos custos de produção;
- Reclamam que a aguardente a utilizar na produção do vinho generoso seja prioritariamente regional, de modo a permitir escoar toda a produção de uvas da RDD;
- Reclamam que seja conferida à Casa do Douro capacidade legal e operacional para ter um papel efectivo na estabilização dos stocks, através da compra e armazenamento de excedentes;
- Exigem uma fiscalização efectiva na entrada de mostos e vinhos oriundos de fora da região;
- Reclamam, como medidas imediatas e conjunturais de gestão de crise:
1) a compra pelo Estado de stocks excedentários das adegas cooperativas, refrescando os stocks armazenados na Casa do Douro;
2) a implementação de uma medida de apoio à colheita em verde, com dotação financeira suficiente, desenhada de modo a poder ser um apoio atractivo para os viticultores, e apoiando prioritariamente os pequenos e médios viticultores;
3) a programação de uma medida de destilação de crise direccionada prioritariamente para as produções dos sócios das adegas cooperativas (através destas), e para os produtores que não tenham adquirido vinhos a terceiros.
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AGRICULTURA E MAR Revista do mundo rural e da economia do mar
