Transvases entre bacias hidrográficas. Presidente da EDIA alerta para limitação técnica do diâmetro das condutas

O presidente da EDIA – Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva José Pedro Salema, José Pedro Salema, diz que “A Estratégia Água que Une não é um pacote fechado. Depende das decisões políticas”. E sobre a questão dos transvases entre bacias hidrográficas, alerta para a limitação técnica do diâmetro das condutas, que vão estreitando obrigatoriamente desde a origem até ao destino final da água, e deu um exemplo: “se pensarmos que a água de Alqueva que vai até Santa Clara, através do Monte da Rocha, e depois de Santa Clara para a Barragem da Bravura, em Lagos, quando a água lá chegar são 3 baldes de água”.

As declarações foram proferidas na terceira mesa redonda do ‘Colóquio Olival e Amendoal- Presente e Futuro’, organizado pela Magos Irrigation Systems, realizado a 30 de Abril, na Ovibeja, reunindo cerca de 100 empresários agrícolas, técnicos dos fabricantes de sistemas de rega e representantes das associações de regantes.

Uma mesa redonda onde os representantes das entidades gestoras do regadio público apresentaram as suas perspectivas sobre a ‘Estratégia Água que Une’, que prevê um investimento de 5 mil milhões de euros até 2030 para gerir a água na agricultura e no abastecimento urbano em Portugal de forma mais eficiente, resiliente e inteligente, refere uma nota de imprensa da Magos.

Por sua vez, o presidente da Fenareg — Federação Nacional de Regantes de Portugal, José Núncio, afirmou que a Estratégia é uma boa notícia e tem virtudes, mas deveria ser mais ambiciosa: “aponta para muitos estudos de novas barragens, mas dos estudos até chegarmos às barragens vai uma grande diferença. E preocupam-me as fontes de financiamento. O PEPAC não tem dinheiro para estes investimentos, mas o senhor ministro [da Agricultura] disse aqui hoje na Ovibeja que se pode recorrer ao financiamento dos planos operacionais regionais”.

Atendendo a que a maioria das obras públicas de rega têm várias décadas de existência e necessitam de obras para reduzir as enormes perdas de água, o mais urgente é a modernização das infra-estruturas nos perímetros hidroagrícolas. “A Estratégia prevê 95 milhões de euros para a modernização do nosso perímetro. Se pudesse ser executada em 5 anos, ficava satisfeito”, disse Paulo Tomé, presidente da Associação de Regantes e Beneficiários de Idanha-a-Nova, que distribui a água aos agricultores em canal aberto num perímetro de 8400 hectares, com as perdas de água a rondar os 48%.

Refira-se que o alteamento da barragem Marechal Carmona, que abastece o regadio da Idanha, está previsto na Estratégia e o seu objectivo é aumentar a capacidade de armazenamento de água e dar mais segurança hídrica aos agricultores. “Actualmente temos uma taxa de ocupação do perímetro de 60%, mas dentro de 2 a 3 anos, com as obras previstas, passaremos para 80 a 85%”, estima Paulo Tomé.

Já no perímetro de rega do Mira, no sudoeste alentejano, a escassez de água tem limitado a actividade agrícola e os agricultores reduziram o consumo de água em dois terços graças aos investimentos que fizeram para aumentar a eficiência. Em 2024, apenas foram utilizados 5.500 dos 12.000 hectares do perímetro de rega.

O director executivo da Associação de Beneficiários do Mira, Carlos Chibeles, congratula-se com as medidas previstas na Estratégia: a reabilitação do aproveitamento hidroagrícola do Mira, que data da década de 60 do século passado; a nova captação na albufeira de Santa Clara para o sector agrícola, através de um novo sistema de bombagem para chegar a cotas mais baixas; o reforço do sistema de telegestão e a interligação Alqueva-Mira, através da barragem do Monte da Rocha.

Já o presidente da Associação dos Beneficiários do Plano de Rega do Sotavento do Algarve, Macário Correia, afirmou que a construção da Barragem da Foupana, cujo estudo está em fase avaliação de impacto ambiental na Agência Portuguesa do Ambiente, poderá ser concluída no prazo de 10 anos. A água da Foupana servirá para substituir a água dos furos usada no regadio entre Moncarapacho e Almancil.

A construção da Barragem do Alvito e a revisão da concessão da Barragem do Cabril, para fins múltiplos incluindo a agricultura, são as potenciais novas origens de água para reforçar o abastecimento ao Tejo e ao Oeste. “O Tejo é a zona de regadio mais importante do País, mas só retemos 20% das afluências de água no Rio Tejo”, lamentou José Núncio.

Agricultura e Mar

 
       
   
 

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