A vice-presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Carla Guerreiro, exaltou a essência da comunidade piscatória e a valorização identitária promovidas pela Mostra das Tradições Marítimas de Setúbal, inaugurada ontem, que proporciona com actividades no Parque Urbano de Albarquel, até 8 de Junho.
“Esta é uma verdadeira iniciativa da comunidade e, talvez por isso, tenha tanto sucesso”, sublinhou a autarca na cerimónia de abertura da edição 2025 do evento, que une União da Freguesias de Setúbal, juntas de freguesia do Sado e de São Sebastião e Câmara Municipal de Setúbal, com parcerias.
A vice-presidente da autarquia sublinhou a importância do evento de valorização de artes e tradições. “Não há futuro sem conhecimento do passado. Temos de ter olhos no futuro, sempre com respeito pelas tradições, e, sobretudo, de lutar para manter esta actividade funcional, fulcral para o desenvolvimento económico do concelho”, avança uma nota de imprensa da autarquia
A Mostra das Tradições Marítimas de Setúbal, de celebração da ligação da cidade ao mar e às suas gentes e enquadrada nas celebrações do Dia Nacional do Pescador, assinalado a 31 de Maio, proporciona actividades para todas as gerações que valorizam a identidade e o património marítimo local.
Durante o dia, as actividades destinam-se sobretudo ao público escolar, com oficinas educativas e exposições temáticas que levam à descoberta das tradições marítimas, enquanto ao final da tarde o espaço transforma-se num ponto de encontro e convívio com gastronomia regional, animação cultural e concertos à beira-rio, adianta a mesma nota.
A presidente da União das Freguesias de Setúbal, Fátima Silveirinha, afirmou que esta é uma “iniciativa que pretende preservar e dar a conhecer as nossas tradições e profissões tão ligadas ao mar e ao rio, da pesca artesanal, ao entralhar das redes, do carpinteiro ao calafate”.
A autarca, ao adiantar que o evento, realizado nesta altura “por forma a se poder assinalar o Dia Nacional do Pescador”, conta com uma forte componente ambiental. “Temos presentes as questões da sustentabilidade, promovendo a necessidade e a importância de preservar aquilo que temos”.
Por sua vez, a presidente da Junta de Freguesia do Sado, Marlene Caetano, falou num tributo à comunidade piscatória “O mar é vida, é identidade e é sustento, pelo que esta festa é uma justa homenagem à actividade, para que continue, com um olhar no passado e no futuro, numa perspectiva de sustentabilidade.”
Marlene Caetano disse ainda que a Mostra das Tradições Marítimas de Setúbal é um espaço de partilha. “Espero que cada um que passe por aqui leve as histórias destas pessoas ligadas ao mar, de mãos calejadas, com um olhar na fé e na esperança naquilo que as espera todos os dias nas jornadas de trabalho”.
Já o presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião, Luís Matos, enalteceu a vertente educadora da iniciativa. “Temos de estimular e sensibilizar as nossas crianças e jovens para o facto de termos de estar virados para o rio, para as nossas origens e tradições piscatórias.”
Luís Matos reforçou que a Mostra das Tradições Marítimas de Setúbal, que homenageia “pessoas de trabalho, com uma actividade de risco, sem uma rentabilidade fixa”, procura também “encaixar, o turismo, a recreação e o lazer, devidamente enquadrados e com regras”.
A abertura da mostra incluiu a inauguração da exposição “Balanço”, com fotografias analógica de médio formato e digitais 35mm, da autoria de Jeriko, patente no jardim da Praia da Saúde, resultado de uma viagem fotográfica realizada numa das últimas traineiras activas na região de Setúbal.
“Este é um excerto de uma exposição muito maior, que comecei há cerca de vinte anos, a registar o trabalho marítimo em Setúbal, que culminou numa viagem numa traineira, que deveria de ter sido de 12 horas [acabou por ser de 48 horas], para captar um décimo daquilo que estes 15 homens normalmente apanham na faina”, revelou o fotógrafo.
Destaque ainda, no vasto leque de actividades que preenchem a Mostra das Tradições Marítimas de Setúbal, a realizar até 8 de Junho no Parque Urbano de Albarquel, para uma regata de botes a remos, assim como para o almoço comemorativo do Dia Nacional do Pescador.
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