Rui Garrido alerta: guerra com Irão já levou a aumentos de 50% no preço de fertilizantes

O presidente da ACOS — Associação de Agricultores do Sul, Rui Garrido, alerta que a guerra com o Irão está a aumentar consideravelmente os preços dos factores de produção. “Relativamente a esta questão, estamos obviamente muito preocupados e sem conhecermos um fim à vista. Desde o princípio de Março, o gasóleo agrícola já subiu 60 cêntimos e os fertilizantes, em média, mais 30%, sendo que, para alguns, o seu preço já aumentou mais de 50%. Isto para não falar dos agroquímicos que também irão aumentar”.

Em entrevista à Revista Ovelha, publicação mantida pela ACOS, e no âmbito da 42ª Ovibeja que se realiza de 29 de Abril a 3 de Maio no Parque de Feiras e Exposições Manuel de Castro e Brito, em Beja, Rui Garrido diz que “o Governo já anunciou algumas medidas, nomeadamente, um apoio de 10 cêntimos ao litro de gasóleo, o que representa menos de um quinto do seu aumento, e que são manifestamente insuficientes. Tanto mais, se compararmos com os nossos vizinhos espanhóis que vão ter uma ajuda directa de 30 cêntimos por litro de combustível e uma ajuda equivalente para a aquisição de fertilizantes”.

Assim sendo, “produziremos com custos mais elevados, mas com preços de venda que não poderão ser superiores, havendo uma concorrência desleal”, frisa aquele responsável.

Para o presidente da ACOS, na mesma entrevista, “trata-se de uma situação muito extraordinária, que terá que ter apoios extraordinários em tempo oportuno”.

A Revista Agricultura e Mar aqui transcreve algumas das perguntas da totalidade da entrevista:

O novo Presidente da República, António José Seguro, deu especial atenção, no início do seu mandato, às zonas do interior do País. Que expectativas tem em relação à atuação do novo Presidente?

Por aquilo que conseguimos perceber das suas primeiras declarações, o novo Presidente da República parece de facto preocupado com o interior do País e o meio rural. Apraz-nos registar isso, naturalmente. É fácil manifestar preocupações com o interior. É fácil criar ministros da coesão e sei lá mais o quê mas, na prática, as coisas levam demasiado tempo a acontecer ou nunca se realizam. Por isso, ter mais um elemento na nossa hierarquia do Estado, neste caso, a do representante do mais alto cargo da nação, preocupado com os problemas do interior, naturalmente que nos deixa satisfeitos.

Conta com a presença do Presidente da República na 42.ª Ovibeja?

Em resposta ao nosso convite, o Presidente da República manifestou interesse em vir à Ovibeja, só ainda não está confirmado o dia em que virá.

A organização da Ovibeja também convida sempre os membros do governo e dos partidos políticos para visitarem a feira. Que confirmações já têm em relação à presença da classe política nesta edição?

Temos várias confirmações, como habitualmente, inclusive, a realização de reunião de Conselho de Ministros, no dia 30 de Abril. A inauguração, no dia 29, vai contar com a presença ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, que também encerrará o colóquio organizado pela ACOS, sobre PAC [Política Agrícola Comum] e Mercados. Confirmados, para participar em colóquios, estão a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, do ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, do secretário de Estado da Agricultura, João Moura, secretário de Estado do Tesouro e Finanças, João Silva Lopes.

Estão ainda responsáveis de partidos políticos em processo de confirmação. Os representantes do PS [Partido Socialista], do PCP [Partido Comunista Português] e da Iniciativa Liberal já confirmaram a sua presença. À semelhança dos anos anteriores, recebemos também a visita de embaixadores e representantes diplomáticos com acreditação em Portugal.

Já foi anunciado também que esta edição vai contar com um desfile de animais de raças autóctones.

Sim, é uma maneira diferente de realçar a importância que as raças autóctones têm para o nosso País.

A Ovibeja é um evento organizado por uma associação de agricultores: a ACOS. Uma vez que não conta com dinheiros públicos, a não ser em apoios pontuais, como é gerir o equilíbrio financeiro numa feira com a dimensão da Ovibeja?

Às vezes não é fácil. De facto, o orçamento da feira é todo da ACOS, Associação de Agricultores do Sul. A feira tem de se fazer e sustentar através do seu próprio orçamento. Das suas receitas. As receitas da feira são a bilheteira, que não vai sofrer aumento em relação aos anos anteriores, e é a venda dos espaços. Neste caso, apenas actualizámos o valor da inflação. E são os nossos patrocínios. Felizmente que este ano temos mais alguns patrocinadores.

É importante referir que, se alguém pensar que nós organizamos a feira para ganhar dinheiro, está muito enganado. Felizmente que, mais ou menos, conseguimos que a feira se pague a ela própria. Mas qualquer deslize no seu orçamento, dá logo prejuízo. Estamos a falar de um montante já muito elevado.

De entre as muitas actividades da ACOS, a Ovibeja é uma delas. Por isso, não abdicaremos de fazer a Ovibeja por toda a visibilidade que traz à agricultura, à região, à cidade de Beja, etc.. Portanto, o que pedimos é que as pessoas também colaborem. E felizmente isso tem acontecido. Só com a colaboração de todos é que nós conseguimos fazer uma feira com a dimensão da Ovibeja, cada vez mais digna, com cada vez mais qualidade e que se consiga pagar a ela própria.

A Ovibeja é conhecida por estabelecer elos de ligação com quem nela participa. Como é, da parte da organização, definir a Ovibeja? O que é para si a Ovibeja?

A Ovibeja é, em primeiro lugar, uma feira de agricultura. Para os agricultores. E tem de continuar a ser. Mas não é só isso. É muito mais. É um local de convívio. A Ovibeja tem um programa recheado de actividades culturais e lúdicas para atrair pessoas. Tem tasquinhas, muitos espaços de petiscos, restaurantes, esplanadas, onde as pessoas se sentem bem. Há muitas pessoas, especialmente as que são daqui, mas que cá não vivem, que tiram férias para virem à Ovibeja. E há muitos jovens que acolhem nas suas casas amigos de outras zonas do País para estarem na Ovibeja. Mas a Ovibeja é também um local de debate e de reflexão sobre os principais assuntos da ordem do dia, que mais preocupam a região ou o País. A Ovibeja é um local onde todos se sentem bem. Um local de trabalho, de conhecimento, mas igualmente, um local de lazer e de convívio.

Pode ler a entrevista completa na 81.ª edição da Revista Ovelha, aqui.

Agricultura e Mar

 
       
   
 

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