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Rendimento da suinicultura cai 20%. Produtores lamentam que “não haja estratégia governamental incentivadora do consumo de produtos nacionais”

A FPAS —Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores alerta para as dificuldades porque estão a passar os seus associados, lamentando que “num momento tão delicado como o que o sector atravessa, assim como em todos os momentos, não haja uma estratégia governamental incentivadora do consumo de produtos nacionais e impulsionadora das cadeias curtas de abastecimento”. Em causa está o aumento do preço dos combustíveis e da electricidade, os custos com a alimentação animal e os preços pagos aos produtores.

“Ultrapassada a pandemia, a recuperação do País residirá no estímulo à economia, não em sucessivas provações à sua resiliência” diz a FPAS

Em comunicado, a Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores alerta diz que, face a este cenário “são necessárias e urgentes medidas que contenham esta escalada dos custos de contexto que têm resultado na perda de competitividade das empresas portuguesas em relação aos seus parceiros comunitários, tais como a convergência fiscal com a média da União Europeia em matéria de serviços energéticos e a eficaz regulação de práticas comerciais nas relações da cadeia de valor”.

Explica a Federação que “o segundo semestre de 2021 tem-se caracterizado por um período de crescentes dificuldades provocadas pelo aumento substantivo dos custos de produção, decréscimo acentuado dos preços pagos aos produtores e contracção do comércio internacional”.

Combustíveis e electricidade dos mais caros da Europa

E adianta que, em Outubro, “o preço dos combustíveis é 28% mais elevado que no período homólogo de 2020, sendo Portugal o 6º país da Europa com o preço dos combustíveis mais elevados, apresentando um diferencial para Espanha no preço médio do gasóleo de 0,37€/l”.

Por outro lado, refere que o preço da electricidade “é nalguns casos 50% mais elevado que há um ano, sendo Portugal o 6º país da Europa com a electricidade mais cara, apresentando um diferencial para Espanha na ordem dos 0,013€/kWh para os consumidores industriais”.

Realça ainda a direcção da FPAS que os “custos com a alimentação animal cresceram 20% no último ano e continuam em subida”, além de que “a semana 40 [4 a 10 de Outubro de 2021] foi a pior de sempre em termos homólogos no que respeita aos preços pagos aos produtores, mantendo-se a trajectória de descida em Outubro”.

Preço pago ao produtor cai 27%

Alertam os suinicultores que, na comparação entre Setembro de 2021 e Setembro de 2020, os preços sofreram uma quebra de 27%. Também o rendimento da indústria sofreu uma redução de 20%, em média, no último ano. E, durante o período pandémico, o consumo interno baixou na ordem dos 3,2%, “não sendo expectável a sua recuperação ainda durante o ano 2021”.

Segundo o mesmo comunicado, a procura externa por parte de países terceiros “abrandou substancialmente no segundo semestre de 2021, criando em todo o espaço europeu um excesso de oferta de carne de porco, deflacionando os mercados”.

Acrescido a tudo isto, “os operadores do retalho alimentar têm praticado sistemáticas campanhas de promoção com incidência sobre a carne de porco, esmagando ainda mais as margens de toda a fileira, já de si iníquas”.

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