“Todas as partes dos oceanos estão agora ameaçadas pelas alterações climáticas, pela perda de biodiversidade e pela poluição”, revela o nono relatório sobre o estado dos oceanos, publicado ontem, 1 de Outubro, pelo Serviço de Monitorização do Meio Marinho do Copernicus, o sistema de observação da Terra da União Europeia (UE).
Os resultados mostram que “o aquecimento dos oceanos está a acelerar, que os pontos críticos da biodiversidade marinha estão em risco crescente e que a acidificação está a avançar rapidamente. A poluição por plásticos agora afecta todas as bacias oceânicas, enquanto espécies ameaçadas e recifes de coral enfrentam ameaças críticas”, avança uma comunicado de imprensa da Comissão Europeia.
As principais conclusões do relatório deste ano incluem:
- Aquecimento sem precedentes: Na Primavera de 2024, o mar mundial atingiu uma temperatura recorde de 21 °C, com impactos importantes no ecossistema da Terra
- Ondas de calor marinhas: Em 2023 e 2024, as temperaturas oceânicas excederam os recordes anteriores em mais de 0,25 °C, afectando os ecossistemas, as pescas e as economias costeiras
- Ascensão dos mares: O nível do mar aumentou 228 milímetros entre 1901 e 2024, ameaçando 200 milhões de europeus que vivem em zonas costeiras e pondo em risco os locais classificados como património mundial da UNESCO
- Espécies invasoras: Durante a vaga de calor do Mediterrâneo de 2023, as águas mais quentes aumentaram as espécies invasoras, como os caranguejos-azuis-do-atlântico e os bichos-de-fogo-barba, levando as pescas locais à beira do colapso
- Declínio do gelo marinho: Entre Dezembro de 2024 e Março de 2025, o gelo do mar Árctico registou quatro mínimos históricos consecutivos, perdendo uma área quase o dobro do tamanho de Portugal.
Para o Comissário da Defesa e Espaço, Andrius Kubilius, “enquanto proprietária do Copernicus, o sistema de observação da Terra mais único, a União pode monitorizar o estado do ambiente da Terra e dos seus subsistemas. A infra-estrutura e os serviços Copernicus constituem uma capacidade de craveira mundial que permite à União desempenhar um papel de liderança na observação e previsão de diferentes parâmetros do estado dos oceanos. A Comissão está empenhada na continuidade e evolução do Copernicus, bem como em assegurar que a capacidade europeia de observação da Terra seja abrangente, reunindo intervenientes e capacidades públicos e privados. A economia espacial consiste em libertar o poder dos sistemas e serviços espaciais para oferecer soluções em diferentes políticas e sectores de mercado”.
Por sua vez, o Comissário das Pescas e Oceanos, Costas Kadis, considera que “as conclusões do Relatório sobre o Estado dos Oceanos revelam um diagnóstico difícil, mas essencial, do nosso oceano. Confirma que a tripla crise planetária não é uma ameaça futura, mas uma realidade presente nas nossas bacias. Isto significa também que demos os primeiros passos necessários, uma vez que os dados estão na base de uma acção eficaz. Em consonância com a Iniciativa de Observação dos Oceanos do Pacto para os Oceanos, estamos a tirar partido do poder do gémeo digital europeu dos oceanos, assente em recursos de conhecimento do meio marinho, como o Copernicus Marine e a EMODnet, para transformar os dados em previsibilidade, permitindo-nos passar da observação para a solução. Agora, podemos simular a propagação de espécies invasoras, prever o impacto das ondas de calor nos estoques de peixes e testar a eficácia das AMPs antes de implementá-las. Estes instrumentos são cruciais para uma economia azul resiliente e sustentável. O oceano está a enviar-nos um sinal claro. Estamos agora mais bem equipados para responder”.
O relatório anual do Copernicus fornece dados vitais sobre a forma como as alterações nos oceanos afectam os ecossistemas, a segurança alimentar, as economias, as comunidades costeiras e a regulamentação climática mundial, realça o mesmo comunicado.
Através do seu sistema Copernicus, a UE está a !intensificar a sua acção, fornecendo dados fiáveis para monitorizar a saúde dos oceanos e apoiar medidas que protejam a biodiversidade, reduzam a poluição e reforcem a resiliência contra as alterações climáticas”.
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