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Raiz lidera maior programa nacional de I&D em bioeconomia de base florestal com investimento de 14,6 M€

A promoção de uma nova geração de bioprodutos, a criação de produtos inovadores e diferenciadores, assim como o desenvolvimento de potenciais novos negócios são alguns dos principais contributos do projecto inpactus. Este é o resultado do maior investimento em Portugal num projecto de I&D no domínio da bioeconomia de base florestal, rumo à descarbonização e a uma economia mais sustentável, circular e competitiva.

Com um investimento global de 14,6 milhões de euros e o envolvimento de uma equipa de mais de 200 pessoas, o inpactus – produtos e tecnologias inovadores a partir do eucalipto foi desenvolvido em co-promoção entre a The Navigator Company, o RAIZ – Instituto de Investigação da Floresta e Papel, a Universidade de Coimbra e a Universidade de Aveiro, refere a Navigator em nota de imprensa.

Contou ainda com o envolvimento de instituições parceiras, como a Universidade da Beira Interior, Universidade do Minho, Instituto Superior Técnico, Universidade Nova de Lisboa, Instituto Ibérico de Nanotecnologia, Centros de I&D RISE Bioeconomy (da Suécia) e Fraunhofer (da Alemanha) e a spin-off Satisfibre.

O evento de encerramento do projecto realiza-se no Parque de Biotecnologia Português, o Biocant Park, em Cantanhede, no dia 19 de Outubro, e conta com a presença da ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Elvira Fortunato.

Além da apresentação dos resultados do inpactus, o evento acolhe, da parte da tarde, uma Mostra Regional da Floresta, em parceria com o SerQ, dedicada ao tema dos “Futuros” para a valorização do conhecimento da Floresta e da Bioeconomia de base Florestal, evento associado a projecto INOV C+, financiado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro.

Mais de 37 patentes submetidas

Ao longo de quatro anos e nove meses, a qualidade da investigação e desenvolvimento tecnológico do inpactus materializou-se em mais de 37 patentes submetidas ou em preparação, consolidando a liderança do Instituto RAIZ no registo nacional da propriedade industrial.

É igualmente visível a inovação nos 66 protótipos e 114 provas de conceito gerados pelo consórcio, bem como pelos produtos inovadores e diferenciadores criados. Destes, pelo menos quatro já se encontram em fase de comercialização – três produtos de papel higiénico-sanitário e outro de papel de embalagem kraftliner produzido a partir de pasta de alto rendimento -, mas também oito potenciais novos produtos e negócios no domínio da bioeconomia de base florestal.

Entre os múltiplos resultados deste projecto, é de destacar igualmente o desenvolvimento de um processo inovador de produção de pastas de alto rendimento. Este foi o ponto de partida para um dos lançamentos mais importantes na história recente da Navigator: a nova gama de papéis para embalagem, a gKraf, oferecendo uma alternativa aos produtos de origem fóssil, como o plástico. Além disso, deu origem a materiais inovadores já em fase de comercialização ou pré-comercialização para o mercado da higiene e saúde, como os produtos tissue com aditivos – perfumes, suavizantes ou antibacterianos.

Bioeoconomia circular

Num contexto de bioeoconomia circular, são também vastos os exemplos de resultados do projecto, evidenciando o enorme potencial de produtos inovadores a partir da floresta de eucalipto. Por exemplo, esta espécie possibilitou o desenvolvimento de uma nova geração de bioprodutos, como biocompósitos à base de celulose e bioplásticos, com potencial utilização em indústrias tão diversas como a injecção e moldagem de plásticos, filamentos para impressão 3D e indústria têxtil.

Mas não só. Os produtos bioactivos e essências a partir da biomassa florestal têm também potencial de aplicação na área farmacêutica, na cosmética e nos produtos de higiene, em ingredientes de alimentação animal ou na nutracêutica. Nesta última aplicação já com comprovados benefícios a vários níveis, nomeadamente acção anti-inflamatória, antienvelhecimento da pele e actividade pré-biótica.

Existem igualmente outros projectos promissores em fase de demonstração industrial, como novas argamassas e cimentos ecológicos com integração de cinzas das caldeiras de biomassa, assim como aplicações da lenhina, um subproduto do processo industrial, para aplicação em espumas de poliuretano, adesivos e compósitos. Entre os resultados, de destacar também biocombustíveis a partir dos sobrantes da biomassa florestal, através de diferentes tecnologias.

Este é, assim, um projecto que extravasa as fronteiras da ciência e da economia, estendendo a sua influência à sustentabilidade e à qualidade de vida das futuras gerações, e que põe em evidência a importância da floresta plantada e do eucalipto globulus como matéria-prima de excelência.

Conhecimento de vanguarda em destaque

O inpactus destaca-se também pela geração de conhecimento de vanguarda e qualidade reconhecida internacionalmente, como atestam as mais de 140 publicações científicas internacionais publicadas ou submetidas para publicação pela equipa do projecto.

Além disso, possibilitou a qualificação de recursos humanos. Ao todo, foram cerca de 24 os doutoramentos, 45 mestrados e duas Cátedras Internacionais Convidadas, uma em Ciência e Tecnologia do Papel, na Universidade de Coimbra, e outra em Biorrefinarias e Bioprodutos, na Universidade de Aveiro.

O conhecimento e as dinâmicas geradas foram igualmente determinantes para promover sinergias duradouras a nível nacional e internacional, com um modelo colaborativo elogiado como boa prática pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). De destacar também a certificação de qualidade europeia do RAIZ como Business Innovation Centre, bem como o reconhecimento como Clube UNESCO, pela UNESCO Portugal, enquanto entidade promotora da bioeconomia de base florestal e dos objectivos de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas junto das gerações do futuro.

Apesar de chegar agora ao fim, os efeitos do projecto prolongam-se no tempo, já que se estabeleceu uma plataforma universidade-indústria de excelência numa área fundamental para a economia nacional: a bioeconomia de base florestal centrada na floresta de eucalipto e na indústria papeleira nacional, refere a mesma nota.

“A participação no inpactus atesta a vontade da companhia em inovar para o desenvolvimento de uma nova geração de bioprodutos. A empresa tem procurado alternativas mais sustentáveis aos produtos com uma forte pegada ambiental, rumo a uma bioeconomia favorável para a natureza e neutra para o clima, mas também com impacto positivo na qualidade de vida das futuras gerações, compromissos que a The Navigator Company assume no seu propósito corporativo”, realça a mesma nota.

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