A Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza junta-se à contestação da autarquia de Alenquer e da população local, emitindo parecer desfavorável à Unidade de Produção de Biometano de Abrigada, no concelho de Alenquer, cuja consulta pública encerra hoje, 15 de Setembro.
“Consideramos que este projecto apresenta fragilidades ambientais significativas ao nível dos recursos hídricos, solos, emissões, odores e impactes sobre as populações. A valorização energética de resíduos orgânicos pode contribuir para a transicção energética e para uma economia mais circular. No entanto, estes benefícios não podem justificar novos riscos ambientais”, refere um comunicado de imprensa da Associação.
E realça que a unidade “prevê processar cerca de 230 toneladas de resíduos e sub-produtos agropecuários e agroindustriais por dia, mais de 84 mil toneladas por ano, para produção de biometano”.
Esta é a segunda unidade de produção de biometano do mesmo promotor (Gás da Terra) a enfrentar oposição pública e das respectivas autarquias em menos de 3 meses, depois de ter sido contestada a aprovação de um projecto semelhante em Árgea, Torres Novas, em relação ao qual a Quercus também se pronunciou de forma negativa.
Pressão sobre os recursos hídricos
Para a Quercus, o projecto prevê a “afectação directa de uma linha de água de 1.ª ordem e do domínio hídrico de uma linha de água de 2.ª ordem, bem como o consumo de 20.091 m³ de água por ano da rede pública”. “O projecto deve ser reformulado de forma a eliminar a afectação das linhas de água e privilegiar fontes alternativas de água não potável, como reutilização de águas residuais tratadas”.
Adianta o mesmo comunicado, estarem previstas cerca de 87.075 toneladas por ano de digerido para valorização agrícola, “sem que seja apresentado um plano com a identificação das parcelas agrícolas onde será aplicado”.
A Quercus alerta para “os riscos de lixiviação de nitratos, contaminação das águas subterrâneas e eutrofização, defendendo um plano vinculativo que demonstre a capacidade dos solos para receber estes materiais e uma caracterização rigorosa do digerido antes da sua aplicação, evitando a contaminação dos solos com metais pesados, patógenos e fármacos veterinários”.
Por outro lado, a Quercus defende a “implementação de plano de monitorização de odores através da instalação de redes de sensores de contorno de instalação para observação contínua dos níveis de H2S (Sulfureto de Hidrogénio), NH3 (Amónia) e VOCs (Compostos Orgânicos Voláteis). Estes dados devem ser públicos e ser consultados em tempo real”.
A Quercus considera igualmente necessária uma caracterização inicial dos solos e das águas subterrâneas, que permita avaliar futuramente eventuais impactes da actividade.
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