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Quanto valem 200 sobreiros? 275 megawatts

Editorial

A linha da central solar de Cercal, no Alentejo, vai levar ao abate de 200 sobreiros. O projecto da central fotovoltaica terá uma capacidade instalada de 275 megawatts (MW), em Santiago do Cacém. E teve uma declaração de impacto ambiental favorável em Julho de 2021.

Em Fevereiro de 2022, ficámos a saber que a instalação da central solar de Margalha, no Alentejo, foi considerada “de imprescindível utilidade pública”. E até que a empresa responsável pelo projecto irá compensar o arranque das árvores com “75 hectares de áreas ocupadas com sobreiros”. Na altura, o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, autorizou o arranque de 1.079 sobreiros e quatro azinheiras para a construção da central solar, no concelho alentejano de Gavião. E realçou o “relevante interesse económico e social” do empreendimento.

Já em Novembro de  2022, o ICNF — Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas autorizou o abate de quase 300 sobreiros em Famalicão para instalar 106 mil painéis solares.

Tudo a bem da “sustentabilidade”, do carbono zero, do Pacto Ecológico Europeu, da luta contra as alterações climáticas. E a sustentabilidade alimentar e agrícola, onde fica?

Esta é a prova de que as florestas deveriam estar na tutela do Ministério da Agricultura e não do Ministério do Ambiente e Acção Climática, que trata de tudo menos de Agricultura ou Florestas

Num País onde se vive do trabalho do empregado de mesa (turismo) e em que os grandes investimentos são apenas a abertura de grandes hipermercados, num País onde os únicos produtores são os agricultores, não se podem esperar grandes aumentos de salário. Sem produção não há valor acrescentado e sem valor acrescentado não pode haver aumento de salários.

Não vão ser os funcionários públicos e os vendedores a darem valor acrescentado à economia portuguesa. Portugal precisa é de produção. De indústria, de agroindústria, de valor acrescentado. Veja-se o caso da AutoEuropa: sem ter quem lhe forneça os materiais, não pode produzir automóveis. Porque não podem ser esses materiais produzidos em Portugal? Não poderia a “bazuca” ajudar empresários a produzirem esses materiais?

Refira-se ainda que, desde os tempos do primeiro-ministro José Sócrates, na nossa factura de electricidade, existem “os custos com a política energética do País, nos quais se incluem, nomeadamente as rendas pagas pelas empresas de electricidade aos municípios, os sobrecustos com a produção de electricidade através de fontes de energia renováveis e não renováveis ou ainda com a convergência tarifária entre Portugal continental e as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira”.

Ou seja, continua-se a abater sobreiros para que “pseudo-empresários” das renováveis tenham um rendimento garantido, pelo Estado, os contribuintes.

Esta é a prova de que as florestas deveriam estar na tutela do Ministério da Agricultura e não do Ministério do Ambiente e Acção Climática, que trata de tudo menos de Agricultura ou Florestas.

Carlos Caldeira

 
       
   
 

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