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Produtores de leite da Póvoa de Varzim em risco de falência pedem para serem pagos ao preço mínimo de 38 cêntimos/litro

Caso não exista um aumento do preço do leite a breve prazo, toda a produção leiteira e agrícola da região do Minho está em risco. Na Cooperativa Agrícola e Leiteira da Póvoa de Varzim estão em causa 550 postos de trabalho e a sobrevivência de centenas de famílias do concelho, garante aquela Cooperativa, presidida por José Moreira Campos, em comunicado.

“Apelamos ao Governo para que promova o diálogo entre todos os intervenientes desta cadeia – produtores, indústria, distribuidores e comerciantes —, no sentido da valorização do leite e do aumento do preço pago ao produtor para um mínimo de 38 cêntimos/litro, de forma que os produtores possam suportar o aumento dos custos dos factores de produção”, realça o mesmo comunicado.

Explica a direcção da Cooperativa Agrícola e Leiteira da Póvoa de Varzim que os baixos preços pagos ao produtor de leite nos últimos anos, a que se “somam os aumentos galopantes dos custos dos factores de produção, deixaram o sector leiteiro da região do Minho completamente descapitalizado, sobre endividado e até, em alguns casos, em extremo risco de falência”.

Nos últimos anos, o preço médio pago ao produtor de leite estagnou. Entre 2018 e 2021, o preço do leite não ultrapassou a barreira dos 32 cêntimos por litro, somente no passado mês de Outubro aumentou 1,5 cêntimos, para os 0,338€/litro. “Este ajuste é manifestamente insuficiente face ao aumento do custo das rações (+17%), do gasóleo agrícola (+ 31%), dos fertilizantes (+ 33% a + 200%), da electricidade e dos fitofármacos”.

116 produtores de leite

Segundo o mesmo comunicado, no concelho da Póvoa de Varzim ainda existem 116 produtores de leite, que produzem 82 milhões de litros de leite vendidos a esta cooperativa e a outros compradores de âmbito privado e cooperativo. Todos se encontram numa situação desesperante.

“É com grande preocupação que vemos o desaparecimento de um sector organizado, que é auto-suficiente no fornecimento do mercado e vital para a economia da região. Além das perdas económicas, perder um fornecimento de proximidade causará o aumento da pegada ecológica, porque a indústria terá de se abastecer noutras regiões do país ou no estrangeiro”, salienta a direcção da Cooperativa Agrícola e Leiteira da Póvoa de Varzim.

E refere que “a factura da falência do sector chegará futuramente aos consumidores, que terão que pagar o preço que lhes for exigido pelo mercado, visto que a distribuição se obrigará a importar o produto, acrescido o custo de transporte, a um valor mais elevado do que o actual”.

“Só uma valorização urgente do leite e de todos os produtos agrícolas poderá evitar a morte do sector agrícola e de todas as actividades a ele associadas. É dever de todos salvar a agricultura nacional” frisa o mesmo comunicado.

A Cooperativa Agrícola e Leiteira da Póvoa de Varzim, fundada em 1948, conta actualmente com cerca de 800 sócios activos, entre produtores de leite, produtores de carne de pequenos e grandes ruminantes, horticultores, fruticultores, floricultores e pequenos agricultores.

Agricultura e Mar Actual

 
       
   
 

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