As previsões agrícolas, em 31 de Março, apontam para um aumento na produtividade dos cereais face à campanha anterior, com as searas a responderem positivamente à precipitação deste mês.
Estas condições meteorológicas promoveram também o desenvolvimento das áreas forrageiras e tiveram um papel essencial no restabelecimento dos níveis normais de armazenamento de água nas charcas, albufeiras e aquíferos subterrâneos, revela o Boletim Mensal da Agricultura e Pescas – Abril de 2018.
Chuva beneficia desenvolvimento de matéria verde nas áreas forrageiras
A precipitação abundante de Março conduziu a uma melhoria significativa do desenvolvimento vegetativo das áreas forrageiras, que apresentavam no final do mês uma maior disponibilidade de matéria verde. Estima-se que, com o aumento das temperaturas e do número de horas de sol, se possam ultrapassar os atrasos verificados no início do ciclo, resultantes da anterior situação de seca prolongada.
O contributo dos alimentos conservados e rações industriais na alimentação dos efectivos baixou expressivamente para níveis próximos dos normais para a época e muito semelhantes aos do ano anterior.
Segundo o documento elaborado pelos técnicos do Instituto Nacional de Estatística (INE), como aspecto menos positivo da abundante pluviosidade, e por já se observarem situações de encharcamento dos solos, destaca-se a dificuldade na preparação dos terrenos para a instalação das culturas de Primavera/Verão, prevendo-se uma diminuição da área de batata plantada (-5% na de regadio e -10% na de sequeiro, face a 2017).
Março extremamente chuvoso
O mês de Março caracterizou-se, em termos meteorológicos, como extremamente chuvoso e muito frio. De facto, refere o Boletim Mensal da Agricultura e Pescas, a precipitação média, 272 mm, foi cerca de quatro vezes o valor mensal normal, tendo sido o segundo Março mais chuvoso desde 1931 (Março de 2001 registou 274 mm).
A ocorrência de intensa precipitação teve como resultado o final da situação de seca meteorológica que se verificava há onze meses consecutivos (desde Abril de 2017).
De acordo com o índice meteorológico de seca PDSI1, em final de Março cerca de 88% do território do continente já se encontrava nas classes de chuva fraca e moderada. Verificou-se também, e comparativamente com o final de Fevereiro, uma subida no volume armazenado em todas as bacias hidrográficas monitorizadas pelo SNIRH2.
Albufeiras a 81% da capacidade total
O armazenamento das 60 albufeiras acompanhadas por este sistema encontrava-se próximo dos 81% da capacidade total (em final de Fevereiro este valor era de 57%).
Quanto à temperatura média do ar, registou-se uma anomalia negativa de 1,6ºC face à normal 1971-2000, tendo sido o Março mais frio das últimas três décadas.
Este cenário meteorológico, que alterou de forma significativa as limitações na disponibilização de água aos efectivos animais e promoveu o normal desenvolvimento das culturas instaladas, afectou a realização dos trabalhos agrícolas normais para a época, originando atrasos nas podas de vinhas e pomares, nas adubações de cobertura, nos tratamentos fitossanitários e aplicação de herbicidas e na preparação dos terrenos para a instalação das culturas de Primavera/Verão.
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