O presidente do CEPAAL — Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo, Gonçalo Morais Tristão, considera que “a promoção do azeite português é uma necessidade. Isso cabe, essencialmente, à produção e às nossas marcas de azeite”. Mas “o País (…) deve ter uma estratégia comum, pela qual saibamos identificar o que queremos produzir, que mercados queremos explorar e ganhar”. Por outro lado, “o Estado deve ter um papel de facilitador”.
“A promoção do azeite português é uma necessidade. Isso cabe, essencialmente, à produção e às nossas marcas de azeite. Cada marca tem os seus objectivos e dirigirá a sua estratégia para alcançar esses objectivos. Mas o País, como importante player mundial na produção de azeite de alta qualidade, deve ter uma estratégia comum, pela qual saibamos identificar o que queremos produzir, que mercados queremos explorar e ganhar e como queremos mostrar e vender o nosso azeite ao Mundo. Essa estratégia de promoção deve ser conduzida pelo sector”, diz Gonçalo Morais Tristão, em entrevista à Revista Agricultura e Mar, em antecipação da 8ª edição do Congresso Nacional do Azeite, organizada pelo CEPAAL, em parceria com a Câmara Municipal de Campo Maior, no âmbito da Feira Nacional de Olivicultura, que se realiza nos dias 22 e 23 de Maio, no Centro Cultural de Campo Maior.
Por outro lado, “o Estado deve ter um papel de facilitador, garantindo que o sector tem os instrumentos legislativos adequados, nomeadamente programas de promoção que incentivem as estratégias de marketing e a internacionalização das nossas empresas e das suas marcas”.
“O Estado tem a obrigação de flexibilizar regras que, muitas vezes, dificultam a vida às empresas que querem exportar. E não criar mais obstáculos. A este propósito, convém referir que o sector olivícola português já criou uma associação interprofissional, a AIFO [Associação Interprofissional da Fileira Olivícola], com o objectivo, entre outros, de potenciar a promoção de conhecimento dos nossos azeites nos mercados de exportação, para fazer face à sã concorrência dos azeites de outras origens”, salienta aquele responsável.
Porém, diz, “até agora esta associação não conseguiu cumprir os seus objectivos, sobretudo devido aos obstáculos criados pela má transposição das directivas comunitárias para o quadro legislativo nacional. Acredito que, neste momento, essas barreiras possam estar a ser levantadas, pelo que, apoiada pela introdução de regulamentos extensivos a toda a produção e comercialização de azeite nacional, a AIFO poderá vir a desenvolver, plenamente, a sua actividade de promoção do azeite português. O financiamento desses investimentos na promoção do azeite nacional virá da produção e da comercialização, sendo exponenciado pelo apoio de fundos comunitários específicos para a promoção dos produtos agroalimentares europeus em sede de programas que são lançados todos os anos pela Comissão Europeia”, acrescenta Gonçalo Morais Tristão.
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AGRICULTURA E MAR Revista do mundo rural e da economia do mar
