Presidente do CEPAAL: o olivicultor utiliza a água com cada vez maior eficiência regando apenas o volume necessário

Há uma ideia, pelo menos nas cidades, de que o olival intensivo é um “gastador de água”. O presidente do CEPAAL — Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo, Gonçalo Morais Tristão, queixa-se: “Infelizmente essa percepção existe, alimentada por posições mais ou menos ideológicas, sem qualquer base científica. Em primeiro lugar, temos de partir do princípio de que a produção agrícola, em geral, utiliza (e não gasta, termo que pretende incutir na opinião pública uma ideia de desperdício) água para aumentar a produção de bens alimentares, aqueles que nós compramos todos os dias nos supermercados”.

“Com o olival e a produção de azeite passa-se o mesmo: a produção é bastante incrementada nos olivais de regadio, intensivos e em sebe com mais árvores por hectare. Estes olivais, dependendo do compasso e das zonas onde estão implantados, têm dotações de rega entre os 2.500 m3 e os 4.000 m3 por hectare, valores conseguidos por adopção de práticas agrícolas que induzem o uso eficiente da água na rega da cultura. Estas práticas agrícolas, associadas ao uso, cada vez maior, de dados agrometeorológicos na gestão da rega e à utilização de equipamentos e sistemas de rega que foram evoluindo em termos tecnológicos, caracterizam um sector cada vez mais eficiente”, diz o presidente do CEPAAL, em entrevista à Revista Agricultura e Mar.

Em resumo: “é totalmente descabido este ataque de alguma opinião ao olival, que até utiliza menos água do que outros produtos agrícolas produzidos em Portugal e que também são indispensáveis para a nossa alimentação. Sinceramente, creio que estes ataques ao sector olivícola significam a aversão ao próprio sucesso do sector nos últimos anos e já agora que estamos a falar no uso da água , ao sucesso do projecto Alqueva.

Para Gonçalo Morais Tristão, “a adaptação às alterações climáticas, com menor precipitação, temperaturas mais elevadas e maior evapotranspiração das plantas, induz a utilização da água para rega. Nesse sentido, o sector tem-se expandido para zonas onde o acesso à água é mais fácil. É o caso da região à volta do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva. Como se disse anteriormente, o olivicultor, por outro lado, tendo acesso à água, utiliza-a com cada vez maior eficiência, tentando regar apenas o volume necessário para a planta se desenvolver e nos momentos mais eficazes. Por outro lado, começam a ser estudadas e experimentadas estratégias de rega deficitária controlada, de modo a que os produtores possam aproveitar o conhecimento científico em casos de escassez hídrica”.

Olivais de sequeiro

Realça ainda aquele responsável que “nos tempos que vamos vivendo, em que devido à pandemia e às guerras existentes os factores de produção aumentaram bastante, o produtor de um olival tradicional perdeu as suas defesas, tornando muito mais difícil a viabilidade financeira da sua exploração”.

“Nos últimos 2 anos, em que os preços do azeite andaram muito altos, essa realidade ficou mais ou menos escondida. Mas agora, com os preços a regressarem à normalidade, passa a ser um desafio acrescido para os olivais tradicionais. A rentabilidade destas explorações só pode ser atingida se se conjugarem dois ou três aspectos. Em primeiro lugar, é essencial que o olival apesar de tradicional se modernize, com boas práticas agrícolas, quer na sua manutenção, quer na poda e na colheita. Por outro lado, o olival tradicional tem de seguir os caminhos da qualidade e da valorização do azeite ali produzido, com base na sua origem (DOP/IGP) e na sua história”, frisa.

A este respeito, adianta, “começa-se a desenhar a estruturação de uma actividade complementar à exploração pura e simples do olival: a actividade turística que tem o olival como ponto fulcral, o olivoturismo ou oleoturismo. Finalmente, sou de opinião que este tipo de olivais, na defesa de um património paisagístico e por razões sociais e de coesão territorial, deveriam ter um apoio financeiro específico que auxiliasse a sua manutenção/preservação”, diz Gonçalo Morais Tristão.

Agricultura e Mar

 
       
   
 

Verifique também

IPMA: Setembro de 2025 foi o sexto mais frio desde 2000

Partilhar              O IPMA — Instituto Português do Mar e da Atmosfera informa que foi publicado o …

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.