“Apesar do sector estar a atravessar um período de grande desenvolvimento nos últimos anos, com conquistas assinaláveis em termos de quantidade e qualidade do azeite produzido, existem desafios pela frente”, garante o presidente do CEPAAL — Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo, Gonçalo Morais Tristão. Entre eles, o uso cada vez mais eficiente da água na rega e o acesso a fertilizantes orgânicos “mais amigos do ambiente”, para os quais “a Europa ainda não está preparada para ser autossuficiente e poder abastecer a produção agrícola com este tipo de adubos”.
Em entrevista à Revista Agricultura e Mar, Gonçalo Morais Tristão refere que “no campo, a olivicultura tem o desafio da sustentabilidade. Também aqui já se fizeram progressos muito interessantes, quer ao nível das práticas agrícolas, quer da gestão adequada do solo, do uso cada vez mais eficiente da água na rega e na aplicação dos fitofármacos. Mas é um caminho que se deve continuar a percorrer, até porque o País, neste aspecto, não é todo igual”.
“Ainda a propósito deste tema, a instabilidade geopolítica que o Mundo vive presentemente também tem a sua influência no sector. Veja-se, por exemplo, os aumentos exponenciais do valor dos fertilizantes e, agora, o embargo da Europa à importação de fertilizantes vindos da Rússia e da Bielorrússia, que obriga à procura de outras alternativas orgânicas e mais amigas do ambiente. Mas a Europa ainda não está preparada para ser autossuficiente e poder abastecer a produção agrícola com este tipo de adubos. É, pois, um desafio”, realça o presidente do CEPAAL.
Por outro lado, “a mesma instabilidade geopolítica — que já estava a afectar as cadeias de abastecimento e a provocar o aumento dos custos de produção —, passou também a ser muito caracterizada pelas dificuldades crescentes que se registam nas trocas comerciais. A chamada “guerra das tarifas” fomentada pela nova administração dos EUA, desestabiliza completamente os mercados, obrigando a que os produtos europeus, nomeadamente o azeite, procurem não só novos mercados, como outras formas de continuarem a exportar para os mercados existentes. Este é um enorme desafio para o sector do azeite, desde logo porque é nos EUA que o consumo mais tem subido, e não será fácil “encaixar” uma eventual diminuição das exportações para este mercado”.
Gonçalo Morais Tristão diz ainda que “embora as exportações de azeite português para os EUA sejam diminutas, nós exportamos a maior parte do nosso azeite a granel para Espanha e Itália que, por sua vez, são os maiores abastecedores de azeite dos EUA. Logo, indirectamente, seremos afectados. São necessárias, assim, estratégias de promoção inovadoras que possam assegurar a continuação das nossas exportações, e até comportar um alargamento, face ao normal aumento da produção, não diminuindo o valor das mesmas exportações”.
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AGRICULTURA E MAR Revista do mundo rural e da economia do mar
