Presidente da ACOS: “um ano após a sua apresentação, pouca coisa foi feita” na Estratégia Água que Une

O presidente da ACOS — Associação de Agricultores do Sul, Rui Garrido, considera que “um ano após a sua apresentação, pouca coisa foi feita”, na Estratégia Água que Une. “Em relação a esta matéria, há duas questões que não nos cansamos de salientar. Uma, que já está incluída na estratégia, é a construção de pequenas barragens a Sul do Baixo Alentejo. Queremos que, além dos acordos com Espanha, ou da regularização do caudal ecológico do Rio Guadiana, estas barragens, de dimensão mais pequena, também sirvam para pequenos regadios de apoio à pecuária. Este é um assunto que temos vindo a falar há muito tempo. E não vamos deixar de falar sob pena de o assunto ser esquecido”.

Em entrevista à Revista Ovelha, publicação mantida pela ACOS, e no âmbito da 42ª Ovibeja que se realiza de 29 de Abril a 3 de Maio no Parque de Feiras e Exposições Manuel de Castro e Brito, em Beja, Rui Garrido sublinha que “a outra questão que nos preocupa na Estratégia Água que Une tem a ver com a interligação das bacias do Tejo e do Guadiana. Mas é importante destacar que está preconizado o estudo lá para as calendas gregas. A começar em 2030 e a acabar, salvo erro, lá para 2043. Este é um assunto que com certeza vai ser polémico. Que vai ter muita oposição. Que vai precisar de estudos ambientais. Por isso, não pode esperar tanto tempo. Felizmente que os dois últimos anos, e este último em particular, foram de muita chuva enchendo todas as barragens. Mas, se vierem outra vez anos secos, a água que está destinada sair de Alqueva não chega para o que é preciso. Este transvase é para nós fundamental”.

Na mesma entrevista, o presidente da ACOS salienta fazer “parte da génese da Ovibeja, do seu ADN, a sua postura reivindicativa e de colocação em cima da mesa das grandes preocupações acerca do sector e também da região”. É o que vai voltar a acontecer este ano com assuntos relacionados com a nova Política Agrícola Comum, com o acordo Mercosul, a Estratégia Água que Une, situações relacionadas com a interioridade da região.

Rui Garrido faz referência a muitas novidades nesta edição. “Vinho à Prova” é o tema central que, juntamente com o azeite, dão nome a um pavilhão. Provas comentadas, abertas ao público, apresentação de marcas, showcookings, são algumas das muitas iniciativas dirigidas ao sector agroalimentar e a estes dois produtos em concreto. Fazendo jus à diversidade da oferta, o presidente da ACOS sublinha que a Ovibeja é uma feira de agricultura. Para agricultores. Um local de debate e de reflexão. Mas é também um local de convívio onde todos se sentem bem.

O potencial do interior do País mostra-se na 42ª Ovibeja a par da Inovação e da Tecnologia associada à Inteligência Artificial, às novas tecnologias, à investigação e ao conhecimento. Com pontos de convergência no que diz respeito à interioridade, a região convidada deste ano é a das Terras de Trás-os-Montes.

A mediatização da Ovibeja é outra característica do seu ADN, com a confirmação de reunião do Conselho de Ministros num dos dias do evento, além da participação de vários membros do Governo e de partidos políticos em iniciativas da feira.

A Revista Agricultura e Mar aqui transcreve algumas das perguntas da totalidade da entrevista:

“Vinho à Prova” é o tema principal desta edição da Ovibeja. O que se pretende provar no decorrer do evento?

Desde logo, provar vinhos. Mas é muito mais do que isso. A ideia surgiu do facto de o Baixo Alentejo ter sido considerada Cidade Europeia do Vinho pela AMPV — Associação de Municípios Portugueses do Vinho. Reunimo-nos com a CIMBAL — Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo), com a AMPV e com a Câmara Municipal de Beja e chegámos à conclusão que fazia todo o sentido trazer o tema do vinho para a Ovibeja.

Por outro lado, é um sector que atravessa grandes dificuldades, como é do conhecimento geral. Por isso é importante ser trazido para reflexão através de várias iniciativas que vão acontecer na Ovibeja.

Vamos realizar um colóquio onde vão estar presentes os presidentes da ViniPortugal, da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana, da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo e o secretário-geral da Associação de Municípios Portugueses do Vinho. O debate vai ser à volta dos mercados, agroturismo, gastronomia, entre várias outras vertentes do sector. O ministro da Economia confirmou presença para o encerramento deste seminário.

A este propósito, a Associação de Municípios Portugueses do Vinho vai também realizar a sua Assembleia-Geral na Ovibeja.

O Pavilhão até aqui designado como Terra Fértil ou Pavilhão dos Sabores, que normalmente é dedicado a vinhos, azeites, queijos, enchidos, doçaria, etc., este ano vai ter um conceito diferente. Será exclusivamente dedicado ao vinho e ao azeite, com uma zona central para provas de vinhos e de azeites abertas aos visitantes, com uma calendarização diária. As provas são feitas por especialistas, enólogos, produtores que também aproveitam para dar a conhecer os seus produtos. Esta inovação, neste espaço, inclui ainda showcookings que dão a conhecer as diferentes possibilidades destes produtos.

Os restantes produtos agroalimentares de excelência que estão sempre na Ovibeja vão ficar numa tenda instalada ao lado deste pavilhão.

Esta edição do evento decorre num cenário de incertezas em relação aos efeitos do acordo Mercosul e, fundamentalmente, à nova Política Agrícola Comum. A Ovibeja sempre tem sido palco de importantes reivindicações, com eco na cena política nacional. É o que vai acontecer também este ano?

Faz parte da génese da Ovibeja, do seu ADN, a sua postura reivindicativa e de colocação em cima da mesa das grandes preocupações acerca do sector e também da região. Convidámos o primeiro-ministro e convidámos também o ministro da Agricultura. Vamos apresenta-lhes as nossas principais preocupações. Além da sessão formal, contamos também ter um momento de conversa ou reunião com o ministro da Agricultura para trocar algumas ideias. Também vamos apresentar as nossas preocupações aos partidos da oposição, como sempre fazemos.

Em traços gerais, o que mais vos preocupa?

Pela sua importância, a Nova Política Agrícola Comum e o acordo Mercosul, matérias que têm vindo a ser debatidas, inclusive aqui na nossa região, e por intermédio da nossa Federação de Agricultores (FAABA). Estes assuntos merecem mais uma reflexão na Ovibeja.

Já realizámos uma reunião em Beja aberta a todos os agricultores, que contou com a presença do presidente e do secretário-geral da CAP [Confederação dos Agricultores de Portugal] e com uma entrevista do Comissário Europeu da Agricultura Sobre o tema do Mercosul.

Na Ovibeja vamos adoptar um formato diferente. Convidámos as quatro confederações – CAP, Confagri [Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas], AJAP [Associação dos Jovens Agricultores de Portugal] , CNA [Confederação Nacional da Agricultura]) para comentarem a intervenção do deputado ao Parlamento Europeu, Paulo Nascimento Cabral.

Estes são temas com os quais as pessoas se preocupam por isso vamos dedicar uma manhã a este assuntos, no dia 30 de Abril. Também é nossa grande preocupação o desenrolar da Estratégia Água que Une.

Um ano depois da apresentação formal desta Estratégia, qual é a sua avaliação neste momento?

Um ano após a sua apresentação, pouca coisa foi feita. Em relação a esta matéria, há duas questões que não nos cansamos de salientar. Uma, que já está incluída na estratégia, é a construção de pequenas barragens a sul do Baixo Alentejo. Queremos que, além dos acordos com Espanha, ou da regularização do caudal ecológico do Rio Guadiana, estas barragens, de dimensão mais pequena, também sirvam para pequenos regadios de apoio à pecuária. Este é um assunto que temos vindo a falar há muito tempo. E não vamos deixar de falar sob pena de o assunto ser esquecido.

A outra questão que nos preocupa na Estratégia Água que Une tem a ver com a interligação das bacias do Tejo e do Guadiana. Mas é importante destacar que está preconizado o estudo lá para as calendas gregas. A começar em 2030 e a acabar, salvo erro, lá para 2043. Este é um assunto que com certeza vai ser polémico. Que vai ter muita oposição. Que vai precisar de estudos ambientais. Por isso, não pode esperar tanto tempo. Felizmente que os dois últimos anos, e este último em particular, foram de muita chuva enchendo todas as barragens. Mas, se vierem outra vez anos secos, a água que está destinada sair de Alqueva não chega para o que é preciso. Este transvase é para nós fundamental.

(…)

Em relação à Ovibeja propriamente dita, ao seu programa, que outras novidades estão previstas para esta edição?

Vamos ter, como região convidada, as Terras de Trás-os-Montes. Retomámos há dois anos este tipo de convites, com a presença da região do Fundão, a que se seguiu, o ano passado, a Região Autónoma dos Açores. Este ano convidámos as Terras de Trás-os-Montes que vão trazer vinhos, enchidos, azeite, artesanato e ainda os caretos, os pauliteiros.

É uma região que tem muitas semelhanças connosco, nomeadamente a Terra Quente Transmontana, com clima mediterrânico, onde também têm olival e amendoal, por exemplo. São zonas do interior, algumas delas, provavelmente, com mais problemas de interioridade do que nós.

Vamos também ter aqui uma delegação com vários empresários brasileiros, que vão estar com um stand no Pavilhão Institucional da Ovibeja. Vêm da zona de Lages, Estado de Santa Catarina. A sua participação e vinda a Beja resulta de uma relação de trabalho, firmada num protocolo de cooperação com a ACOS, o NERBE [Associação Empresarial do Baixo Alentejo e Litoral], o Instituto Politécnico de Beja.

Outra novidade é, pela importância que tem vindo a ganhar, o Pavilhão de Inovação e Tecnologia que vai ficar este ano numa zona mais nobre da feira, dentro do Pavilhão Terra Fértil, que este ano se vai designar de Pavilhão do Vinho e do Azeite, ao lado do Auditório ACOS. Temos várias iniciativas ligadas à inovação, novas tecnologia, investigação, conhecimento, programadas para este espaço.

O Campo da Feira é a zona de excelência para as máquinas e equipamentos agrícolas, e várias empresas ligadas ao sector, local onde vamos também apresentar demonstrações. Vai lá estar uma zona de comes e bebes para apoio a toda aquela zona.

A exposição dedicada à caça e à pesca vai ser muito maior e com maior expressão que a do ano passado. Esta é uma organização do Clube Português de Monteiros e da Federação Alentejana de Caçadores.

Pode ler a entrevista completa na 81.ª edição da Revista Ovelha, aqui.

Agricultura e Mar

 
       
   
 

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