Presidente da ACOS para ministro da Agricultura: produtores continuam sem apoio ao surto de Língua Azul ao contrário de Espanha

O ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, e a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, estiveram hoje presentes na inauguração da 42.ª Ovibeja, que se realiza de 29 de Abril a 3 de Maio, no Parque de Feiras e Exposições Manuel de Castro e Brito, em Beja, uma organização da ACOS – Associação de Agricultores do Sul que este ano tem como tema principal o “Vinho à Prova”. O presidente da Associação na perdeu a oportunidade e voltou a alertar os governantes para as preocupações dos produtores agropecuários.

Na sua intervenção de abertura da 42.ª Ovibeja, o presidente da ACOS, Rui Garrido, começou logo por se dirigir a José Manuel Fernandes: “atravessamos um período muito difícil para a nossa agricultura. Não bastasse um segundo surto de Língua Azul que afectou muito particularmente a zona Sul do Alentejo, seguido de um largo período de chuvas intensas e consecutivas, enfrentamos agora as consequências da guerra no Médio Oriente”.

Relativamente à Língua Azul, “sabemos que a taxa de mortalidade nas regiões mais afectadas foi duas a três vezes superior ao habitual durante os meses de Setembro a Novembro. E mais impactante do que a mortalidade, foi o elevado número de animais que adoeceram. A quebra abrupta na produção de leite, a mortalidade dos borregos, os abortos, os fracos desempenhos zootécnicos dos animais afectados, os tratamentos médico-veterinários necessários e o enorme acréscimo da mão-de-obra que foi precisa para acudir a estes animais, são consequências da doença que têm um impacto muito significativo na economia das explorações pecuárias atingidas. Tudo isto agravado pelo inverno rigoroso que dificultou sementeiras, alimentação e assistência aos animais, acentuando ainda mais os prejuízos”, explicou Rui Garrido ao ministro da Agricultura.

E logo, de seguida, lembro o governante: “apesar de já termos manifestado várias vezes a nossa preocupação a Vossa Excelência, até à data, não foram implementadas medidas de apoio aos produtores, ao contrário do que aconteceu aos nossos colegas da Andaluzia e da Extremadura”.

Seguros agrícolas

Ainda na área da sanidade animal, para o presidente da ACOS “é incompreensível que se tenham iniciado os programas sanitários anuais com 4 meses de atraso. É, pois, fundamental repensar o procedimento contratual por forma a que esta situação não se repita no futuro, a bem da sanidade animal e da saúde pública”.

Por outro lado, Rui Garrido salientou que “embora os danos causados pelas intempéries, no Alentejo, não tenham sido tão elevados como noutras regiões do País, ocorreram, contudo, prejuízos muito acentuados nas culturas anuais de Outono-Inverno, nomeadamente pastagens, forragens e cereais praganosos. Estamos a referir-nos a áreas completamente perdidas devido ao alagamento, outras, onde as produções serão insignificantes e ainda zonas onde nem sequer foi possível semear”.

Como forma de acautelar e mitigar futuros prejuízos relacionados com intempéries e outras adversidades, “torna-se imprescindível a criação de um verdadeiro sistema de seguros para a agricultura, para a pecuária e para a floresta, que também cubra situações de calamidade. Mais uma vez, Senhor Ministro, conforme já tive oportunidade de lhe dizer, não precisamos de inventar muito, basta copiar o modelo utilizado em Espanha”, adiantou.

Para terminar este quadro, “há que referir o brutal aumento dos custos dos factores de produção, nomeadamente os combustíveis e os fertilizantes, conjuntura esta que, a manter-se, comprometerá a sustentabilidade das nossas explorações. Estamos, pois, perante uma situação extraordinária, que requer soluções e apoios extraordinários, os quais não deverão ser desviados de orçamentos já alocados a outras medidas, sob pena de, por exemplo, comprometer o investimento nas explorações agrícolas, pecuárias e florestais”, disse ainda Rui Garrido ao ministro da Agricultura.

Agricultura e Mar

 
       
   
 

Verifique também

CDS alerta para praga de vespa do galho do castanheiro em Bragança

Partilhar              O Grupo Parlamentar do Partido do Centro Democrático e Social (CDS) alerta o Governo para …

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.