O presidente da ACOS – Associação de Agricultores do Sul, Rui Garrido, mostra-se Preocupado com uma das medidas da Estratégia “Água que Une”, a qual “tem a ver com a interligação das bacias do Tejo e do Guadiana, cujo estudo de viabilidade está programado para iniciar-se apenas em 2030 e terminar em 2043”. Diz que é essencial, mas o Governo terá de reagendar a data de execução.
“Este é um assunto que com certeza vai ser polémico. Que vai ter muita oposição. Que vai precisar de estudos ambientais e muitos licenciamentos. Por isso, não pode esperar tanto tempo. Felizmente que os dois últimos anos, e este último em particular, foram de muita chuva enchendo todas as barragens. Mas, se vierem outra vez, como é muito provável, vários anos secos, a água de Alqueva que está destinada ao regadio actual e futuro, mais a água que, sabemos, estar acordada para beneficiar outras regiões, não chegará para as necessidades. Esta interligação Tejo-Guadiana afigura-se-nos fundamental, mas o seu prazo de execução terá que ser reagendado para um período mais curto e mais próximo”, disse hoje, 29 de Abril, Rui Garrido na sua intervenção de abertura da 42.ª Ovibeja, que se realiza de 29 de Abril a 3 de Maio, no Parque de Feiras e Exposições Manuel de Castro e Brito, em Beja.
Dirigindo-se ao ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, e à ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, chamou à atenção para a construção dos blocos de rega de Moura e de Póvoa de São Miguel-Amareleja, que são “uma prioridade inquestionável para o desenvolvimento da região e que vêm sendo anunciados desde 2018, mas com adiamentos vários e sucessivos”.
“Estamos também à beira duma nova PAC Política Agrícola Comum]. As propostas actuais da Comissão [Europeia] preocupam todos os agricultores em Portugal. Este tema irá ser debatido amanhã, também com a presença do Senhor ministro da Agricultura, mas, uma coisa é certa, só unidos, Governo e agricultores, e com firmeza, poderemos reverter as medidas que mais nos penalizam”.
Conselho de Ministros
O presidente da ACOS relembrou ainda os governantes que vai decorrer amanhã, 30 de Abril, na Ovibeja, uma reunião do Conselho de Ministros, “o que constitui uma grande honra para a nossa organização e que, desde já, agradecemos”.
“Esperamos que seja um bom pronúncio para a divulgação, quer, dos apoios que a agricultura nacional precisa neste momento, quer, das infra-estruturas tão importantes para o desenvolvimento do Alentejo, como sejam a construção e modernização da linha de caminho-de-ferro até à Funcheira, a ligação ferroviária ao Aeroporto de Beja e a auto-estrada até à fronteira com Espanha. Uma vez realizados estes projectos, poderão ser equacionadas outras valências para este Aeroporto, com benefícios evidentes para região e para o País”, realçou aquele responsável.
Mas, apesar destes “investimentos serem importantíssimos para a revitalização da região, só por si não são suficientes para travar o preocupante despovoamento do nosso território e a falta de renovação geracional em diversas actividades, nomeadamente na agricultura”, fez saber Rui Garrido.
“Urge criar condições para atrair e fixar os jovens. Além do emprego, acresce a necessidade de termos bons serviços de saúde, boa qualidade de ensino, uma diversificada oferta cultural e acesso fácil às novas tecnologias. Para tal, é fundamental investimento público, sendo, portanto, imprescindível que a nossa administração acredite na sua necessidade e o inclua nos programas de financiamento, a bem duma verdadeira coesão territorial”, disse ainda.
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