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Pequenos agricultores não sabem o que fazer à azeitona. Lagares da Carmim e de Portel estão parados

As três grandes unidades de recepção de bagaço de azeitona, proveniente dos lagares, cooperativos e não cooperativos, que processam toda a azeitona produzida no Alentejo, têm a sua capacidade de armazenamento esgotada ou praticamente esgotada e não aceitam mais matéria-prima. O lagar de azeite da Carmim está parado, assim como o da Cooperativa Agrícola de Portel.

Os pequenos agricultores não sabem o que fazer a azeitona que ainda está nas árvores e estão adiar a apanha, diz a secretária-geral da Fenazeites – Federação Nacional das Cooperativas Agrícolas de Olivicultores, Patrícia Falcão Duarte.

Em declarações ao agriculturaemar.com, Patrícia Falcão Duarte, explica que “apesar da superprodução que se perspectivava, a capacidade das unidades extractoras no Alentejo, com uma capacidade de 600 mil kg por ano, manteve-se. E chegou ao fim. Os agricultores precisam de mais espaço para armazenar o bagaço de azeitona e maior laboração diária daquelas unidades”.

“Há dois anos tínhamos chamado a atenção para esta possibilidade, mas não chegou a acontecer. Há dois anos produzimos 140 mil toneladas azeite. Mas com o crescimento dos olivais modernos, carregados de azeitona, houve concentração de apanha de azeitona em Outubro e principio de Novembro. Repare que o olival do Alentejo tem capacidade para produzir 24 mil kg de azeitona por ha. Daqui a dois anos, chegarmos as 200 mil toneladas de azeite não e impossível”, explica Patrícia Falcão Duarte.

Lagares param

Perante esta situação, em que as unidades de recepção de bagaço de azeitona não conseguem receber mais produto, os lagares param a sua produção, pois não têm capacidade para armazenar mais bagaço, e os agricultores param a colheita de azeitona. Preferem esperar para ver ou, no limite, deixar a azeitona na árvore, poupando nos custos com a apanha.

“Já passámos mais de metade da campanha e em Portel ainda há 1 milhão de kg para apanhar e o lagar está parado. Acredito que as unidades extractoras estão a trabalhar para ainda conseguirem receber mais bagaço. Mas, a verdade é que já estão muitos pequenos produtores a ficar de fora”, realça a secretária-geral da Fenazeites.

Explica aquela responsável que “o sector está desequilibrado. Não é preciso autorização específica para plantar olival. Se tiver um terreno agrícola posso plantar. Isto num sector onde o break even está nos 1,75 euros por kg de azeite. Não há obstáculo a plantar, mas depois à entraves ambientais à criação de novas unidades extractoras”.

E realça Patrícia Falcão Duarte que “uma das unidades extractoras apresentou para Sousel e Serpa projectos de novas unidades. Mas foram chumbas por razoes ambientais. Há que se realizar um diálogo entre a agricultura  e o ambiente, em conjunto com o sector, para se arranjar uma solução, pois vai ser necessário criar novas unidades”.

A secretária-geral da Fenazeites avança ainda que “há hoje em dia muitos mais cuidados a nível de filtros, até para diminuir uma coisa de que as pessoas se queixam muito, os fumos provenientes daquelas unidades. Mas esta actividade tem sempre uma imagem negativa”.

Para já, Patrícia Falcão Duarte diz que a situação não terá qualquer impacto no preço pago pelo consumidor final  por litro de azeite, umas vez que “o preço e mínimo é nivelado por Espanha, o maior produtor mundial de azeite. Para o consumidor não há grande impacto, há é para o agricultor”.

Agricultura e Mar Actual

 
       
   
 

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