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PAC. Defesa dos insectos polinizadores “não está adequada à realidade agrícola” dos países do Sul da Europa

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As Estruturas de Foco Ecológico definidas na Política Agrícola Comum (PAC) “não estão adequadas à realidade agrícola de diversos países europeus, em particular dos países do Sul da Europa”, no que diz respeito à conservação dos insectos polinizadores. Esta é uma das conclusões de um estudo, liderado pelo Scotlland Rural Colledge (SRUC),de que a Universidade da Madeira fez parte.

Os investigadores analisaram uma variedade de estruturas e habitats de vida selvagem (EFAs) nos agrossistemas e concluíram que apesar do investimento significativo muitas são pouco eficientes na disponibilização dos recursos e condições que devem fornecer para actividade dos polinizadores.

ISOPlexis presente

Miguel Ângelo Carvalho, docente da Faculdade de Ciências da Vida e Investigador do ISOPlexis – Centro de Agricultura Sustentável e Tecnologia Alimentar, da Universidade da Madeira, participou num estudo da rede europeia “Super Acção B – Polinização Sustentável na Europa”, para avaliar a Importância das Estruturas de Foco Ecológico (EFA) na Agricultura Sustentável e na Conservação dos Polinizadores.

Este estudo, liderado pelo Scotlland Rural Colledge (SRUC), envolveu 22 especialistas de 18 países e foi publicado no passado dia 17 de Fevereiro, pela Journal of Applied Ecology, com o título “A critical analysis of the potential for EU Common Agricultural Policy measures to support wild pollinators on farmland”.

Importância dos polinizadores na agricultura

Os insectos polinizadores (abelhas, abelhas solitárias e moscas) são importantes para a produtividade de 70% das culturas agrícolas praticadas em todo o Mundo. E por isso, destaca-se a necessidade de criar uma variedade de estruturas e habitats inter-conectados nos agrossistemas, que mediante boas práticas de gestão agrícola se complementem nos recursos e condições disponibilizadas para a manutenção das populações de polinizadores.

Um declínio no número de polinizadores de insectos foi atribuído à agricultura intensiva e à perda associada de habitats ricos em espécies vegetais, que forneçam alimentos, locais de nidificação e reprodução.

As EFAs foram introduzidas pela Política Agrícola Comum (PAC) da UE de 2014, que definiu um conjunto de características e estruturas da paisagem e do habitat, que os agricultores precisavam incorporar nos agrossistemas (explorações agrícolas) para receber ajudas ambientais.

Diminuir o impacto ambiental

Estas EFAs visavam diminuir o impacto ambiental de uma agricultura, baseada em práticas insustentáveis (monocultura intensiva, agroquímicos) e na destruição de estruturas de apoio tradicional), que fizeram diminuir a diversidade e as populações de insectos polinizadores, colocando em causa uma série de serviços ecológicos prestados pela agricultura.

Na Madeira, estruturas de focus ecológico podem ser consideradas ou estão representadas pelos muros de pedra emparelhada, terraços (poios), pluricultura, bordaduras (margens do terreno) com espécies aromáticas e nativas, e cabeceiras com árvores de fruto ou outras. Os serviços destas EFAs são potenciados pela agricultura de manutenção (conservação) e o pelo Modo de Produção Biológico, realça fonte institucional da Universidade da Madeira.

Potencial das Estruturas de Foco Ecológico

Os investigadores envolvidos no estudo uniram esforços para avaliar o potencial das diferentes opções de EFAs, e a sua variação, no apoio e captação de insectos polinizadores, em condições de gestão padrão (agricultura convencional) ou “amigável” (agricultura biológica ou agricultura de conservação) dos agrossistemas.

Assim como, as alterações nos esquemas agroambientais, que devem ser introduzidas para melhorar o papel e as funções das EFAs. Estes especialistas analisaram uma variedade de estruturas e habitats de vida selvagem (EFAs) nos agrossistemas e concluíram que apesar do investimento significativo muitas são pouco eficientes na disponibilização dos recursos e condições que devem fornecer para actividade dos polinizadores.

EFAs definidas na PAC não estão adequadas à realidade agrícola

Para além disso, as EFAs definidas na PAC não estão adequadas à realidade agrícola de diversos países europeus, em particular dos países do Sul da Europa.

Estes investigadores identificaram oportunidades substanciais para melhorar a qualidade dos habitats agroambientais, implementando práticas de maneio e gestão mais “amigáveis” para os insectos polinizadores. Estas melhorias aumentariam não apenas a abundância, mas a gama de recursos no agrossistema.

As conclusões do estudo, que foi financiado no âmbito do programa “Super Acção B – Polinização Sustentável na Europa”, serão usadas junto dos decisores políticos e a sociedade (público em geral) para informar das decisões a tomar na PAC, após 2020.

Segundo Miguel Ângelo Carvalho “o nosso estudo destaca que, com a rápida aproximação da PAC após 2020, existe uma necessidade de melhorar a conservação efectiva dos polinizadores, que deve incidir sobre a melhoria da qualidade e diversidade do habitat no agrossistema, a fim de garantir que este ofereça a gama de recursos e as condições que os polinizadores necessitam na sua actividade. E, de melhoria dos serviços ecológicos e da paisagem, prestados pela agricultura, com o seu apoio efectivo, através de medidas agroambientais diferenciadoras, que promovam as boas práticas”.

Centro de investigação da Universidade da Madeira

O ISOPlexis é um Centro de investigação da Universidade da Madeira, que desenvolve actividade nas áreas temáticas de agricultura, sustentabilidade e tecnologia alimentar, com enfoque na agrodiversidade, recursos genéticos para agricultura e alimentação e tecnologia alimentar.

Este centro é constituído por dois grupos de investigação (ISOPLab e QSALab) e por duas estruturas de investigação e serviços (o BG ISOPlexis (Banco de Germoplasma, que assegura e mantém o Sistema de Documentação e Informação (SDI) do Recursos Genéticos para Agricultura e Alimentação) e o ISOPServiços, que presta serviços analíticos e de consultadoria e desenvolvimento ao tecido empresarial, outros agentes interessados e à comunidade)).

O ISOPlexis participa em diversos programas nacionais e internacionais de investigação, contribuindo para a implementação dos Planos Nacional e Europeu para os Recursos Genéticos, participa na Rede Regional de Bancos de Germoplasma do CGIAR/FAO, e tem como parceiros diversos centros de investigação nacionais e internacionais.

Agricultura e Mar Actual

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