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Os Verdes: COP27 é “mais uma oportunidade perdida em clima cada vez mais agravado”

O Partido Ecologista Os Verdes (PEV) vê a 27ª conferência anual das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (UNFCCC), que decorre em Sharm el-Sheikh, no Egipto, como “uma oportunidade perdida”, considerando que se “exigiria que este evento promovesse um olhar sério e comprometido com os problemas sociais e humanos como consequência das alterações climáticas e da exploração desenfreada dos seus recursos naturais”.

Por isso, o Partido Ecologista Os Verdes apoia e estará presente na Marcha Pelo Clima que decorrerá em Lisboa no próximo dia 12 de Novembro, pelas 14 horas.

“É urgente que se assuma uma inversão dos modelos de desenvolvimento com vista à redução da exploração desenfreada de recursos naturais e ao travar de políticas e modos de promoção do consumo agressivos e predadores, reféns de grandes grupos económicos”, refere uma nota de imprensa do PEV.

E realça que “não tem sido esse o rumo, pelo contrário, esta COP, conforme se adivinha, procurará uma base para negociações com novos parceiros em mira, permitindo continuar um modelo de consumo e dependência que dificilmente ajudará à redução do ritmo de exploração dos recursos naturais e da emissão de Gases com Efeito de Estufa (GEE)”.

“A COP27 não poderá estar arredada do contexto social e ambiental decorrentes dos fenómenos climáticos extremos como seca extrema, incêndios e inundações que provocaram, ainda este ano, consequentes e devastadoras perdas um pouco por todo o mundo e que obrigam a coerência e sentido de urgência na acção climática, o que aliás há décadas vimos a defender”, frisa a mesma nota.

Para Os Verdes, “se no passado recente a pandemia serviu de pretexto para justificar entraves à implementação de metas e objectivos climáticos, o actual contexto de guerra, a escalada dos preços dos bens essenciais e da energia ditarão, de forma preocupante, o tom das mesas de negociação e dos encontros, com vista a facilitar planos para uma economia lavada de verde”.

Perdas e Danos

Por outro lado, diz o partido que “o controverso tema da agenda dedicado às “Perdas e Danos” que marcará esta COP, dificilmente conhecerá consensos, pois em causa estará a responsabilização e o financiamento climático por parte dos maiores responsáveis pelas emissões – devido ao uso dos combustíveis fósseis – pelos danos já causados e pelas consequências devastadoras do colapso climático. Um apoio directo para ajudar as nações mais pobres e vulneráveis”.

Não obstante o princípio de justiça climática que se pretenda imprimir na agenda “Perdas e Danos”, tal como defendido pelo secretário-geral da ONU como uma “questão fundamental de solidariedade internacional” acrescentando que “os poluidores devem pagar” porque “os países vulneráveis precisam de uma acção significativa”, na perspectiva do Partido Ecologista Os Verdes constitui “mais uma falsa solução, ignorando o cerne do problema, considerando que tal pressuposto vai de encontro a uma legitimação e normalização do papel dos países poluidores que continuarão a produzir consequências gravosas sobre os demais, pagando para tal, numa lógica redutora e irresponsável do poluidor-pagador”.

Políticas ambientais nacionais

Por último, no contexto das políticas ambientais nacionais, sendo Portugal pioneiro na apresentação de um plano para a neutralidade carbónica para 2050, “o Governo português não tem envidado os esforços exigidos para responder a tais compromissos nomeadamente em sectores cruciais como a ferrovia e promoção dos transportes públicos, na promoção da produção local e do mercado interno, na conservação da Natureza e no apoio à regeneração da floresta autóctone, na defesa e protecção da orla costeira ou na eficiência energética dos edifícios, entre outros”.

“Decisões como aumentar os voos nocturnos em Lisboa, a falta de estratégia e melhoria da rede ferroviária nacional nomeadamente a sua ligação a Espanha ou o mais recentemente o anúncio da criação de gasoduto ibérico para dar resposta a necessidades imediatas de combustíveis fósseis, constituem verdadeiras bandeiras negras na governação da maioria absoluta do PS”, salientam Os Verdes.

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