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Onze empresas portuguesas em Cuba 20 dias antes de Obama aterrar em Havana

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Uma missão empresarial portuguesa estará em Cuba, entre hoje, 28 de Fevereiro, e sexta-feira, para promover localmente o “made in Portugal”, antecipando a conjuntura favorável que se prevê para a economia cubana nos próximos anos, na sequência da normalização das relações diplomáticas com os Estados Unidos e o levantamento do embargo preconizado pelo presidente norte-americano, que estará em Havana nos próximos dias 21 e 22.

Na comitiva estão representadas 11 empresas, maioritariamente ligadas à fileira da construção, cujos responsáveis manterão em Havana reuniões de negócios e contactos institucionais previamente agendados pelas entidades promotoras: a Associação Empresarial de Portugal (AEP) e a Câmara de Comércio Portugal-Cuba (CCPC).

“O facto desta missão chegar a Cuba 20 dias antes do presidente Obama é reflexo de uma grande mudança, com repercussões profundas e a vários níveis, que pode proporcionar oportunidades interessantes às empresas portuguesas”, justifica o presidente da AEP, Paulo Nunes de Almeida, para quem esta missão “pouco tem a ver” com as duas anteriores, realizadas em 1996 e 1999.

“A nossa opção foi chegar o mais cedo e o mais depressa possível, aproveitando para reforçar o relacionamento económico bilateral. No dia em que os EUA levantarem o embargo, cairá o último muro da guerra fria. E o livre comércio internacional, Portugal incluído, ganhará com isso”, acrescenta.

As relações comerciais entre Portugal e Cuba são uma realidade há vários anos, mas a economia cubana vive hoje uma nova fase, ante a perspectiva do fim do embargo comercial norte-americano, 54 anos depois de ter sido declarado, e a nova postura do Governo cubano, que tem vindo a reformar o sistema económico para abrir o mercado à iniciativa privada e captar investimento estrangeiro.

Há dois anos que o país dispõe de uma lei que promove o investimento directo estrangeiro (lei n.º 118, de 29 de Março de 2014), passando a ser possível a constituição de empresas de capital totalmente estrangeiro. Foi também criada a zona económica especial de Mariel, com cerca de 465 quilómetros de área total e a aproximadamente 45 quilómetros de distância de Havana. Dispõe de um porto de águas profundas e as empresas aí instaladas acedem a benefícios fiscais sem paralelo no resto do território cubano.

Neste quadro de mudança, a AEP e a CCPC firmaram uma parceria como contributo para o reforço das relações empresariais e o incremento dos negócios entre os dois países.

Portugal em condições de responder à procura cubana

Pela informação recolhida e estudos prévios à missão, Portugal tem empresas e produtos em condições de responder à procura cubana em sectores como o dos materiais de construção, energias renováveis, agro-indústria, moldes, tratamento de resíduos, têxteis, calçado, turismo e equipamento médico-hospitalar, diz fonte institucional da AEP.

No entanto, a maioria dos elementos da comitiva portuguesa que neste domingo parte para Havana estão ligados à fileira da construção (fechaduras e dobradiças, pedras e rochas ornamentais, plásticos técnicos e tratamento de superfícies, entre outros). Há ainda distribuidores grossistas, instaladores técnicos e fabricantes de mobiliário.

Esta missão a Cuba organizada pela AEP e pela CCPC constitui uma das cerca de quatro dezenas de acções previstas no programa de internacionalização da primeira para este ano, “Business on the way” 2016, que abrange 27 mercados diferentes e é co-financiado pelo Compete 2020 no âmbito do Portugal 2020 – Programa Operacional da Competitividade e Internacionalização, Eixo II – Projectos Conjuntos – Internacionalização.

Exportações nacionais para Cuba superam os 45 milhões de euros
A balança comercial luso-cubana tem sido favorável ao nosso País. No final do ano passado, a taxa de cobertura entre exportações e importações superava os 171%, com Portugal a vender para a maior e economicamente mais forte ilha das Caraíbas 45,9 milhões. As importações ficaram-se pelos 26,8 milhões de euros.

Segundo a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (Aicep), entre 2014 e 2015 as vendas portuguesas a Cuba aumentaram 36,8%. Mas, as importações ainda cresceram mais: 72%. A tendência, aliás, já vinha dos anos transactos, uma vez que entre 2011 e 2015 as importações subiram mais de 100%, quase quatro vezes mais do que o movimento ascendente das exportações, que se quedaram pelos 26,7%.

Tradicionalmente, Cuba compra ao nosso país, sobretudo, produtos plásticos e de borracha, que pesaram 28% no valor global exportado para aquele mercado no último ano. Nos restantes grupos de produtos, destacaram-se as máquinas e aparelhos (17%), metais comuns (11%), minerais e minérios (10,7%), produtos químicos (8,7%) e pastas celulósicas e papel (7,8%).

Em sentido inverso, recebemos de Cuba, maioritariamente, produtos alimentares. Em 2015, valeram 78% do valor global das nossas aquisições. Seguiram-se a madeira e a cortiça (18,6%).

Pelo que evidencia a análise desagregada dos indicadores oficiais, os produtos cubanos com mais procura entre nós são o açúcar, o carvão vegetal e os ícones da indústria tabaqueira local: charutos, cigarrilhas, cigarros e sucedâneos.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2014 havia 64 empresas portuguesas a exportar regularmente para Cuba.

Com mais de 11,2 milhões de habitantes, o país é a ilha das Caraíbas com mais população. A esta, há a juntar a forte presença na diáspora, em especial nos EUA e no Canadá.

Apesar do embargo norte-americano, o Produto Interno Bruto (PIB) cubano registou uma taxa média anual de crescimento de 4,6% entre 2000 e 2012, segundo o Banco Mundial, superando os indicadores mundial (2,7%) e da América Latina (3,6%).

Mas, segundo a agência pública de promoção externa cubana (o CEPEC – Centro para la Promoción del Comercio Exterior y la Inversión Extranjera de Cuba), o país exporta, principalmente, níquel, produtos farmacêuticos, açúcar, tabaco, mariscos e rum. Já as importações centram-se em produtos prioritários, como combustíveis e lubrificantes, máquinas e equipamentos, bens alimentares e produtos manufacturados.

Agricultura e Mar Actual

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