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Montalegre lidera número de ignições em 2020. Presidente da Câmara diz que “o combate à praga do javali está intimamente ligado aos incêndios”

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Até ao dia de hoje, 31 de Março, desde o início do ano, o concelho de Montalegre tem contabilizadas 131 ignições. A área ardida ultrapassa os 1.300 hectares. É, de longe, o município com o maior número de ocorrências a nível nacional, seguido de Arcos de Valdevez (Viana do Castelo) com 48 ignições.

Relembre-se que o presidente da Câmara Municipal de Montalegre, Orlando Alves, disse na passada semana “ter conhecimento que parte dos incêndios que estão a acontecer no concelho, resultam de uma atitude de desespero das populações no sentido de se verem livres dos javalis”. E hoje fez questão de dizer “não tenho dúvidas que o combate à praga do javali está intimamente ligado aos incêndios”.

Os dados são arrasadores: Montalegre lidera, desde o início do ano, o número de ignições registadas. São 125 ocorrências e mais de 1.300 hectares de área ardida

Este número “envergonha e desonra” o concelho, referiu o presidente da Câmara Municipal de Montalegre, que por isso promoveu uma reunião de trabalho, no salão dos Paços do Concelho, que juntou várias entidades que integram o Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais com o objectivo de analisar e discutir as ocorrências de incêndios rurais desde o início do ano no concelho.

Neste encontro, para além do município e do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), participaram entidades como GNR, Polícia Judiciária, Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC), Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais (AGIF) e as corporações de bombeiros de Montalegre e Salto. Dentro de duas semanas, os intervenientes voltam a reunir-se.

Parceria com ICNF

Neste encontro foi estabelecida uma parceria entre o município de Montalegre e o ICNF no sentido de o concelho receber maquinaria para proceder aos denominados aceiros florestais. “Uma boa notícia que, por certo, irá melhorar os vários povoamentos florestais a fim de estancar a propagação do fogo”, salienta a autarquia.

Segundo Orlando Alves, “estamos a trilhar caminho. Foi importante termos esta reunião com todos os agentes territoriais, nomeadamente a Polícia Judiciária. É uma situação desonrosa e envergonha toda a gente. As causas são sabidas há muito tempo e que é preciso combater. Falo, por exemplo, da relação que o homem tem com natureza. A obrigação de o produtor apresentar, para cada cabeça de gado, um determinado número de hectares e que, não os tendo, vai comprar ao baldio que pode ser em vários pontos do concelho e do País”.

Fogo controlado

E acrescenta que “temos uma população envelhecida que se candidata a medidas agroambientais e que, não tendo capacidade para pagar ou força física para limpar, torna-se mais fácil usar o fogo. Localmente temos que definir as áreas para que possam ser feitos os fogos controlados e com o devido acompanhamento”.

O presidente da Câmara Municipal de Montalegre frisa ainda que “a lei diz que, à volta da casa de cada um, em espaço rural, é obrigatório limpar 10 metros. Entendo que é mais importante obrigar os baldios a limpar 100 metros à volta dos povoamentos florestais. Foi uma reunião importante, feita no território. No local onde os incêndios acontecem. Sentimos um desespero ao ver a posição de primeiro lugar no que respeita a ocorrências no País neste mês de Março”.

“Não tenho dúvidas que o combate à praga do javali está intimamente ligado aos incêndios. Percebemos a abertura por parte do ICNF em relação à caça ao longo do ano. Em época de sementeiras temos produtores que começam a cruzar os braços porque não estão para trabalhar para o javali. É um assunto que vai ser trabalhado com afinco e empenho”, diz Orlando Alves.

Defender o património natural e a biodiversidade

Por sua vez, o presidente do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, Nuno Banza, garante que “reforçámos a ligação entre as diferentes entidades e coordenamos as diferentes responsabilidades. Por vezes há uma distância muito grande entre o que vemos nos papéis e o que acontece no terreno. O objectivo final é sempre defender o património natural e a biodiversidade, gerindo eficientemente o risco. A forma de inverter isso é trabalhar activamente com as forças locais”.

“Olhamos para os números e hoje já temos 131 ocorrências só no concelho de Montalegre. Há uma razão para estarmos cá hoje. Precisamos de perceber se estamos a falar de fogos de gestão de pastagem que é especialmente relevante neste território. O fogo é um instrumento de gestão, mas precisamos que seja usado com regras e com uma forte redução do risco para que não resulte em perdas. Discutimos um mecanismo de gestão de queimadas que tem sido um verdadeiro sucesso. Em 2020 tivemos um número surpreendente de registos. Permite que aquilo que poderia ser um incêndio é tratado como gestão de combustível sem arriscar nada e com o devido acompanhamento na época própria”, refere ainda Nuno Banza.

Por sua vez, Álvaro Ribeiro, do Comando Distrital de Operação e Socorro (CDOS) da Protecção Civil de Vila Real, frisa que “houve a preocupação de encontrar soluções para este problema. Um dos motivos fortes tem a ver com o pastoreio e o seu rendimento nas explorações pecuárias. É necessária uma abordagem próxima das pessoas. Isso pode evitar muitas ocorrências. O concelho de Montalegre tem movimentado as forças distritais como nunca aconteceu no mês de Março. Houve necessidade de instalar equipas nestes últimos dias em Salto e Montalegre, com o reforço de meios concentrados onde existem mais ignições”.

E acrescenta que “foram instaladas 10 equipas no distrito. Foi deslocado um grupo de combate da Força Especial de Protecção Civil que se encontra instalado na base de apoio logístico de Vila Real. Não é normal. O mês de Março deste ano destaca-se pelo elevado aumento de ignições”.

Agricultura e Mar Actual

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