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Maioria do pescado disponível no mercado Mediterrâneo Europeu e em Portugal é importado

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A maioria do pescado disponível no mercado Mediterrâneo Europeu e em Portugal é importado, principalmente de países em desenvolvimento, alerta um novo relatório do World Wide Fund for Nature (WWF). De facto, para cada quilo de pescado produzido ou capturado por países europeus do Mediterrâneo, mais de dois quilos são comprados fora desta região.

Segundo o WWF, em 2014, os países mediterrânicos da UE importaram cerca de 85% do pescado que consumiram.

Os países da União Europeia (UE) na região – Croácia, França, Grécia, Itália, Eslovénia, Espanha e Portugal – analisados no relatório da WWF, Seafood and the Mediterranean: local tastes, global markets (O Pescado e o Mediterrâneo: os hábitos locais, os mercados globais) estão entre os maiores consumidores mundiais de pescado. A região tem um consumo médio anual de 33,4kg de pescado per capita em comparação com uma média da UE de 22,9kg e uma média global de 19,2kg. O consumo de Portugal é de 56,8 kg/per capita, mais de um quilo de pescado por pessoa, por semana.

Diz o relatório que os países mediterrânicos europeus consomem quase 7,5 milhões de toneladas de pescado por ano – no entanto, apenas cerca de 2,75 milhões de toneladas provêm de fontes internas, o que deixa uma enorme quantidade de pescado para encontrar noutros locais: quase 5 milhões de toneladas por ano.

Importações do Norte de África

A maioria das importações nestes países provém do Norte da África (Marrocos, Tunísia, Argélia, Líbia). Em 2014, os países europeus do Mediterrâneo importaram cerca de 1,8 milhões de toneladas dos países em desenvolvimento da região. Os pescadores locais procuram espécies de alto valor comercial para serem vendidas frescas nos mercados da região.

Para Marco Costantini, responsável dos projectos de pesca da WWF Mediterrâneo, “a situação do Mediterrâneo reflecte a crise global da pesca. É urgente melhorar a gestão do nosso relacionamento com os oceanos, e integrar a sustentabilidade como centro dos nossos mercados de pescado”.

Por sua vez, Rita Sá, da WWF Portugal, acrescenta que “Portugal é o maior consumidor de pescado per capita da Europa e o 3º do mundo. Apesar das suas populações marinhas não estarem tão ameaçadas como as do resto da região do Mediterrâneo, apenas 1/4 do pescado que os portugueses consomem provem de águas nacionais. Esta dependência de importações de países do Norte da Europa, com espécies como o bacalhau e o salmão, também se verifica relativamente aos países em desenvolvimento, com outras espécies”.

Para saber mais sobre como consumir pescado sustentável, que foi capturado de uma forma que preserva os recursos marinhos e as pessoas que deles dependem, consulte o Guia de pescado da WWF, aqui.

Agricultura e Mar Actual

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