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Lainco lança solução natural contra a Xylella fastidiosa. Bactericida já está patenteado em Espanha

A Lainco, empresa espanhola especializada na investigação, desenvolvimento e produção de soluções de protecção de culturas, após mais de cinco anos de investigação, anuncia que já tem uma solução natural para combater a Xylella fastidiosa. O seu óleo essencial de eucalipto alcançou “excelentes resultados” e acaba de receber a patente em Espanha para o seu uso como bactericida. Patente que nos próximos meses se estenderá a nível mundial.

Em 2022, a Lainco começará a trabalhar nos processos de registo para a sua aprovação nos Estados Unidos e na União Europeia, enquanto que em alguns países sul-americanos estes trâmites já arrancaram. Uma vez finalizados estes processos de registo, esta solução passa a liderar o catálogo de produtos de biocontrolo da Lainco, esperando a empresa que esta seja uma ferramenta “de grande utilidade a nível global”.

A nível mundial, a Xylella fastidiosa é considerada como uma das principais ameaças para a agricultura. Trata-se de uma bactéria responsável pela murchidão, ou decadência generalizada, em alguns casos mais agudos, das folhas e galhos e, finalmente, pela morte de toda a planta. Até agora, as únicas medidas de controlo para evitar a sua propagação são a demarcação da zona onde se detecta a sua presença e o corte do cultivo afectado.

Porém, estas actuações não impediram a propagação desta bactéria a nível mundial, com o impacto social e económico que acarreta. Daí a necessidade urgente de se poder contar com soluções eficazes para o seu controlo.

Esta solução natural chega depois de mais de cinco anos de trabalho por parte do Departamento de Desenvolvimento da Lainco, em colaboração com o Centro de Inovação e Desenvolvimento em Sanidade Vegetal (CIDSAV) da Universidade de Girona, para o controlo e prevenção efectiva da Xylella fastidiosa, além de outras doenças bacterianas como as causadas pela Pseudomonas syringae no kiwi ou no tomate, a Xanthomonas arboricola em frutos como o pêssego, nêspera, cereja, ou abacate, e a amêndoa, ou a Erwinia amylovora na pêra.

Óleo essencial de eucalipto

A empresa espanhola começou em 2016 a trabalhar na procura de soluções naturais para o controlo de enfermidades bacterianas, perante os problemas causados pela Xylella fastidiosa e as principais estirpes identificadas na agricultura a nível mundial.

A partir do estudo das propriedades de alguns óleos essenciais com os que a Lainco já estava a trabalhar, o Departamento de I+D+i iniciou o teste de óleo essencial de eucalipto contra a Xylella fastidiosa, alcançando “excelentes resultados” e iniciando um protocolo de colaboração com CIDSAV da Universidade de Girona, dirigido por Emilio Montesinos.

Este estudo centrou-se em determinar, e confirmar, a eficácia do produto frente a diferentes subespécies de Xylella fastidiosa, estabelecer o seu modo de acção, assim como os protocolos de aplicação desde o “in vitro” até à sua aplicação em campo.

De forma complementar, na Lainco realizaram-se numerosos ensaios de eficácia, em campo, com esta solução natural contra outras doenças bacterianas, com bons resultados para o controlo da Pseudomonas syringae em kiwi e em tomate, da Xanthomonas arboricola em frutas de caroço e amêndoal e da Erwinia amylovora em pereiras.

Trata-se de una solução natural, curativa e preventiva, de fácil aplicação, em total respeito com a matéria vegetal e a fauna auxiliar, com uma composição estável a altas concentrações e temperatura ambiente, e altamente eficaz para prevenir infecções bacterianas, realça a empresa.

Impacto económico da Xylella

Presente já em áreas bastante extensas do continente americano, desde os Estados Unidos. até à Argentina, Médio Oriente, Ásia e Europa, esta bactéria está a causar perdas importantes em culturas de grande impacto económico, como a videira, o olival, fruteiras de caroço, amendoal e cítricos principalmente, no entanto foram identificadas mais de 300 espécies hospedeiras. Estima-se que apenas na viticultura da Califórnia esta praga causa danos de cerca de 92 milhões de euros por ano.

Na Europa, onde está presente desde 2013 em focos localizados, o risco de que esta enfermidade se propague é muito alto, dadas as condições climáticas. Daí que esta é considerada na União Europeia como praga de quarentena de carácter prioritário pela Organização Europeia e Mediterrânea de Protecção de Plantas (EPPO).

Segundo um estudo da Universidade de Wageningen (Holanda), do espanhol Instituto de Agricultura Sustentável do CSIC — Conselho Superior de Investigações Científicas e do Instituto Valenciano de Investigações Agrárias (IVIA- Espanha), com base num modelo bio-económico, conclui-se que, na ausência de medidas de controlo, a propagação da praga no sector do olival levaria a perdas económicas de milhares de milhões de euros num horizonte de 50 anos.

Segundo estes modelos, a expansão da doença apenas na Itália teria um impacto económico de até 5.200 milhões de euros. A replantação com variedades resistentes diminuiria este impacto para os 1.600 milhões de euros, enquanto que reduzir a velocidade de propagação da praga com medidas de controlo levaria a uma redução das perdas em 1.300 milhões euros. Por outro lado, a introdução e posterior expansão da doença na Grécia e Espanha poderá ter um impacto económico de cerca de 2.000 e 17.000 milhões de euros, respectivamente.

Desenvolvimento sustentável

A Lainco é uma empresa química de investigação, desenvolvimento, fabricação, embalagem e comercialização de produtos fitossanitários e farmacêuticos. Actualmente, conta com uma ampla gama de soluções de protecção de culturas, em constante evolução e melhoria, entre as que se destacam as novas soluções de bioestimulantes e biofertilizantes, apostando na qualidade, a inovação tecnológica e o respeito pelo meio ambiente para assegurar um modelo de desenvolvimento eficiente e sustentável.

A Lainco pertence às principais associações empresariais fitossanitárias e farmacêuticas: AEPLA (Associação Empresarial para a Protecção das Plantas), APJ (Associação de empresas com produtos para o cuidado de Parques e Jardins) e Farmaindustria (Associação Nacional Empresarial da Industria Farmacéutica).

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