“O sector agrícola é bastante mal compreendido. Muitas pessoas têm ainda uma visão romantizada da agricultura, imaginando paisagens bucólicas, práticas tradicionais e um modo de vida enraizado na comunidade e na gestão da terra. Para muitos produtores, isto continua a ser verdade: a agricultura é fundamentalmente uma casa e um meio de subsistência. Para outros, porém, a agricultura evoluiu para um empreendimento de alta tecnologia, gerido através de computadores, sensores e smartphones, integrado em cadeias de abastecimento globais e optimizado através da análise de dados. Ambos são agricultores, mas as realidades em que navegam são muito diferentes”.
Quem o diz é James Henderson, Gestor de Dados Agrícolas – Global Partnership for Sustainable Development, em artigo de opinião publicado na edição nº 33 da publicação Cultivar – Cadernos de Análise e Prospectiva, dedicada aos “Dados na agricultura”. Uma edição do GPP — Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral, do Ministério da Agricultura.
Explica aquele responsável que “nas explorações agrícolas e florestais de todo o Mundo, está a ocorrer uma revolução silenciosa. Há satélites a digitalizar as copas das árvores, sensores a monitorizar a humidade do solo, drones a mapear a saúde das culturas e plataformas digitais a analisar vastos conjuntos de dados que permitem aconselhamento aos agricultores em tempo real. Esta digitalização gerou um volume sem precedentes de dados agrícolas, acelerado pelos recentes avanços em Inteligência Artificial (IA)”.
No entanto, “apesar de todo este progresso tecnológico, persiste uma questão fundamental: estarão estes dados a ajudar a tomar melhores decisões e, se sim, para quem? À medida que as tecnologias digitais proliferam nas paisagens agrícolas, a promessa de uma agricultura baseada em dados torna-se mais evidente. Os riscos também. No meu trabalho com a Global Partnership for Sustainable Development Data, tenho vindo a testemunhar tanto o potencial transformador como as preocupantes armadilhas da digitalização na agricultura”.
“Um aspecto fundamental: dados por si só não criam valor. Sem uma utilização eficaz, mesmo os mais abrangentes conjuntos de dados permanecem inertes. Os dados têm de ser transformados, através de uma utilização activa, em informação útil e em conhecimento aplicável que sirva os agricultores, os decisores públicos e os sistemas alimentares. O fosso entre a recolha e a utilização dos dados representa hoje uma das oportunidades perdidas mais significativas na actual transformação da agricultura”, frisa James Henderson.
Pode consultar a edição nº 31 da publicação Cultivar – Cadernos de Análise e Prospectiva aqui.
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