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Ir à praça, salvar a paisagem rural local

Opinião de Ricardo Nogueira Martins, Investigador colaborador do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS) da Universidade do Minho

Preços mais acessíveis, diversidade de produtos e variedades regionais são os atrativos fulcrais dos mercados e praças do nosso país, acompanhado por uma comunicação direta com os seus produtores e vendedores.

Os mercados e as praças são estruturas tradicionais, ocupando, na maior parte dos casos, espaços centrais nos espaços das vilas e cidades portuguesas. Pese embora, a necessidade de requalificação, para maior conforto e atratividade para vendedores e compradores, uma grande maioria dos espaços cumpre o necessário para uma compra feliz.

Ir à praça, significa preocupar-se com a pegada ecológica e com os produtos de proximidade, significa promover a biodiversidade agrícola e as paisagens rurais do concelho em que vive, promovendo a policultura e o facto de discriminar positivamente a agricultura local e familiar, consumindo diretamente os seus produtos

As estratégias cada vez mais comuns de requalificação das praças e dos mercados deviam incluir programas sociais e culturais associados à experiência de ir ao mercado, nomeadamente através da expressão da música popular portuguesa e de outros artes e artistas emergentes, como atrativo complementar da atividade comercial.

O reduzido afluxo de clientes jovens, é demonstrativo da necessidade de convocar as gerações mais jovens que persiste em categorizá-los como fora de prazo, e pouco divertidos. Prefiro, acreditar, ironicamente, que o causador deste feito é uma lacuna de uma aptidão social para perguntar o preço ou responder um “não” redondo, com afinco quando nos tentam vender um quilo de nabos em vez de duas unidades.

A comodidade mas também a impessoalidade dos hipermercados e o formato de atendimento associado, criou uma geração de consumidores ligeiramente preguiçosos, com poucas contas a prestar, habituada a ler rótulos em vez de pessoas.

Nas tendências da atualidade com uma crescente preocupação pela sustentabilidade em todas as suas dimensões, incluindo a fixação de rendimento no território e a dinamização da economia local, ir à praça tem que ser sexy. Ir à praça, significa preocupar-se com a pegada ecológica e com os produtos de proximidade, significa promover a biodiversidade agrícola e as paisagens rurais do concelho em que vive, promovendo a policultura e o facto de discriminar positivamente a agricultura local e familiar, consumindo diretamente os seus produtos.

Invoco uma cadeia de valor competitiva à escala global, que não perca o foco do necessário autoaprovisionamento alimentar diminuindo o défice alimentar de Portugal, acompanhado da promoção paralela da pequena agricultura.
Em contexto quase pós-pandemia, o vibrar humano do mercado, faz falta. Vamos?

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