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INE: produção de milho para grão em 2024 foi a mais baixa da última década

A colheita do milho para grão de regadio decorreu com alguns contratempos devido à precipitação, confirmando-se decréscimos de produtividade na maioria das regiões, associados à Primavera fria e ao défice de radiação solar durante o ciclo vegetativo, bem como à restrição na utilização de alguns herbicidas. Por outro lado, o desincentivo à instalação desta cultura, expresso no decréscimo de área de 13,6%, foi consequência da descida do preço observada nos dois últimos anos, conjugada com os crescentes encargos em factores de produção e ainda com os prejuízos causados pelos javalis. A combinação do decréscimo de área e produtividade conduziu à mais baixa produção de milho para grão da última década.

Os dados são apresentados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) na sua edição de 2024 das “Estatísticas Agrícolas”.

Já as condições meteorológicas foram favoráveis às culturas cerealíferas de Outono/Inverno de sequeiro que apresentaram padrões de desenvolvimento vegetativo, crescimento das espigas e enchimento do grão acima dos normais. Depois de duas campanhas fortemente marcadas pela seca, registaram-se assim aumentos generalizados das produtividades.

Nos cereais de Outono/Inverno de regadio com maior potencial produtivo (cevada e trigo) a produtividade rondou as cinco toneladas por hectare. No entanto, o preço dos cereais ficou aquém do esperado, o que, associado a um incremento dos custos dos factores de produção, reduziu a margem líquida destas culturas. De referir que os parâmetros de qualidade foram inferiores aos das últimas campanhas, adianta o documento.

Por sua vez, as searas de arroz beneficiaram das boas condições de temperatura e humidade mas apresentaram muitas infestantes, sendo por isso a produção ligeiramente inferior à da campanha anterior (-3,8%).

Adianta o INE que o ano agrícola 2023/2024 foi marcado por condições meteorológicas particularmente relevantes para a actividade agrícola nacional. Classificado como muito quente e chuvoso, destacou-se como o sexto mais quente desde 1931/32, com uma temperatura média anual de 16,3°C, +0,7°C acima da normal climatológica.

A precipitação total foi de 897,4 mm, superior em 53,1 mm à média 1991–2020, reforçando o carácter globalmente húmido do ciclo agrícola.

As estações do ano apresentaram anomalias relevantes: o Outono de 2023 foi muito quente e muito chuvoso; o Inverno 2023/24 classificou-se como o mais quente de sempre, embora com precipitação dentro da média; a Primavera revelou-se quente e chuvosa, impulsionada por um mês de Março excepcionalmente húmido; e o Verão foi quente e surpreendentemente chuvoso, com precipitações acima do normal, sobretudo em Junho.

Pode ler a edição de 2024 das “Estatísticas Agrícolas” aqui.

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