A AJAP — Associação dos Jovens Agricultores de Portugal considera que “sem Jovens não há futuro” no Portugal rural. Mas, “os incêndios voltam a devastar o País. Não são apenas hectares de mato e floresta que ardem, são vidas, empresas e sonhos que desaparecem em minutos. Agricultores, pequenos empresários e populações vivem no limite da resiliência, muitos já não acreditam. E cada vez menos jovens estão dispostos a investir em territórios condenados à repetição deste ciclo de destruição”.
Por isso, a direcção da Associação apela “ao Governo, porque temos a firme convicção, da importância de operacionalizar esta figura JER [Jovem Empresário Rural]. Sabemos que sendo uma figura que atravessa vários sectores de actividade, deve apoiar-se pelo menos em quatro Ministérios (Economia e Coesão Territorial, Agricultura e Mar, Ambiente e Energia, e Cultura, Juventude e Desporto), pois é necessária uma intervenção robusta e coordenada a nível nacional e local”, refere um comunicado da AJAP.
“Não temos a menor dúvida, que todo o esforço político necessário por parte do Governo, para a sua implementação, será devidamente compensador para os portugueses, para os territórios rurais e para o País”, acrescenta.
Para a AJAP, “não temos mais tempo a perder. Os incêndios serão cada vez piores e mais arrasadores, e são apenas um dos encargos da nossa inacção”.
E recorda que, “durante anos a fio, foi produzida muita legislação florestal e rural, que não passou de “discussões em vão”. Uma parte difícil de colocar em prática, outra não se ajusta a realidades locais, e contém partes que claramente afastam (com restrições e coimas pesadas) as pessoas destes territórios. Necessitamos de operacionalizar e concretizar mais, seguramente legislar menos, e não politizar o que em consciência ninguém quer perder, o Portugal Rural”.
A AJAP “tem alertado para esta situação há largos anos e propõe a implementação urgente do Pacto – Inovação Portugal Rural”, com o objectivo de “revitalizar os territórios rurais, apoiar as suas gentes e criar dinâmicas económicas e sociais que impulsionem o desenvolvimento”.
“Temos sido, ao longo dos anos, uma das principais vozes de alerta contra este “esvaziar” dos territórios rurais e promotores de soluções concretas. Falamos de mais de 75% do País, que vem assistindo a um abandono das actividades económicas, que luta contra o despovoamento, contra o envelhecimento populacional, e assiste à saída dos seus jovens que procuram melhores soluções de vida. Com poucos Jovens Agricultores a entrar no sector agroflorestal (devido a toda uma complexidade que se arrasta ao longo de anos), vários foram os estudos da AJAP (alguns em parceria), que conduziram a que outros jovens pudessem ser atraídos para estes territórios”, realça o mesmo comunicado.
E adianta: “demorou mais de uma década, e só após inúmeras pressões, finalmente surgiu, em Janeiro de 2019, a criação da Figura do Jovem Empresário Rural, pelo Decreto-Lei n.º 9/2019, de 18, de Janeiro. O ciclo parece repetir-se, pois já passaram mais de cinco anos, sem que a sua operacionalização se concretize”.
A AJAP salienta ainda que “a Estratégia Nacional ‘Água que Une’ e o ‘Pacto Florestas 2050’ são efectivamente duas excelentes iniciativas estruturais de visão de curto e médio prazo para Portugal, que o anterior Governo lançou ao País. Iniciativas que a AJAP aplaudiu e aplaude. Mas em seu complemento, entendemos que é necessário mobilizar e motivar pessoas nestes territórios, daí a proposta do Pacto – Inovação Portugal Rural, defendida por várias organizações da esfera privada e pública”.
É por tudo isto que a AJAP, e vários parceiros, “reforçam e propõem a implementação urgente do Pacto – Inovação Portugal Rural (consultar Pacto nos documentos anexos), um compromisso que une Governo, autarquias, universidades, associações e sector financeiro”.
Um Pacto que “permite desburocratizar, acompanhar tecnicamente e apoiar com eficiência e eficácia a instalação de jovens empresários (agrícolas e rurais), devolvendo confiança e futuro aos territórios rurais. O Portugal Rural precisa de novos agricultores, novos empreendedores, de novas dinâmicas junto das pessoas. Precisamos de juventude no coração do mundo rural – para inovar na agricultura, dinamizar o turismo, investir em serviços, desenvolver tecnologias e proteger os ecossistemas”.
“Se não agirmos agora, não haverá segunda oportunidade. O abandono e o fogo não esperam”. Para a AJAP “a situação é clara: ou assumimos este Pacto, ou arriscamos perder definitivamente o Portugal Rural”.
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