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IACA alerta para aumento do preço das matérias-primas para alimentação animal. Sector “não pode financiar as diferentes fileiras”

O preço do milho atingiu já aumentos de 50% face a Outubro do ano passado. Os aumentos de preço por tonelada de ração estão entre os 50 e os 60 euros. Além disto, o fecho da restauração, devido à Covid-19, conduziu a uma quebra no consumo de produtos de origem animal. A produção pecuária tem mais custos ao manter os animais durante mais tempo nas explorações e, assim, dificuldade em acompanhar o aumento do preço das rações.

O alerta é da IACA – Associação Portuguesa dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais, que já deu nota das preocupações ao Governo português e ao Conselho Agrícola da União Europeia no âmbito da Presidência portuguesa do Conselho, mas a questão, longe de estar resolvida, tem vindo a agravar-se.

A associação que representa os fabricantes de alimentos para animais produtores de géneros alimentícios tem vindo a alertar publicamente para os efeitos do aumento e instabilidade dos preços de matérias-primas agrícolas como o milho, trigo, cevada, girassol, soja e derivados. E avisa que “prevê o acentuar de dificuldades, o que compromete a viabilidade das empresas da fileira, conduz à diminuição de efectivos, à redução de actividade e a abandonos”.

Por isso, o secretário-geral da IACA, Jaime Piçarra, diz que “nesta perspectiva, e sendo certo que a pressão do aumento dos preços das matérias-primas prosseguirá no segundo semestre, a alimentação animal não pode financiar as diferentes fileiras. O esforço tem que ser repartido por todos os intervenientes e os preços dos produtos de origem animal terão de reflectir as novas condições de mercado, se queremos manter a actividade pecuária em Portugal. A resiliência do nosso sector tem limites”.

A IACA diz mesmo que o agravamento continuado das condições de produção da alimentação animal leva à “possibilidade de arrastamento da pecuária” devido à instabilidade e aumento continuado dos preços das principais matérias-primas para a actividade.

“Numa altura em que se discute o Plano de Contingência da União Europeia, para mitigar os efeitos de futuras pandemias, as lições da Covid-19 mostram que, pese embora a notável resiliência do agroalimentar português, temos de ser menos dependentes dos mercados externos. É urgente criar as condições para que os agentes económicos não abandonem a actividade face à dura realidade imposta pela pandemia”, afirma Jaime Piçarra.

Porque aumentam os preços?

Em comunicado, a IACA explica que a dinâmica internacional resumida no índice de Preços da FAO que regista desde Junho de 2020 aumentos mensais consecutivos, está apenas 7,6% abaixo do pico (137,6 pontos) atingido em Fevereiro de 2011.

Para esta situação estão a contribuir em simultâneo diversos factores: dificuldades de aprovisionamento devido às compras de stocks pela China para o desenvolvimento das suas produções pecuárias, a redução de produção de cereais em alguns pontos do globo, o aumento da procura quer nos EUA, quer no Brasil ou na Ucrânia, as greves na Argentina, condições climatéricas desfavoráveis e a imposição de taxas à exportação de cereais pela Rússia, que se juntam às taxas alfandegárias de 25% à importação de milho dos EUA, situação que não ficou resolvida na regulação das relações transatlânticas. O agravamento do preço do petróleo contribui, igualmente, para o aumento dos custos intermédios da produção.

Agricultura e Mar Actual

 
       
   
 

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