Os futuros do cacau (COCOA) na bolsa ICE dos Estados Unidos da América (EUA) caíram mais de 7% hoje, 23 de Janeiro, corrigindo mais de 65% desde o seu topo de 2024. Os receios de um crescente excedente de oferta na época 2025/26 e a liquidação generalizada de posições compradas estão a provocar uma queda acentuada dos preços, referem os analistas da XTB.
O mercado rapidamente mudou a narrativa que dominou 2024 e 2025: as perspectivas de Produção significativamente melhoradas (em grande parte graças ao clima mais favorável na África Ocidental, incluindo a Costa do Marfim e o Gana), o aumento da produção na América do Sul e, acima de tudo, a fraca procura por parte dos fabricantes estão a empurrar os preços para baixo. Após uma queda de quase 50% em 2025, a reversão da tendência de alta anterior acelerou no início de 2026, acrescentam aqueles analistas.
As reservas estimadas de cacau atingiram 1,1 milhões de toneladas no final da época 2024/25, 4,2% acima do ano anterior, de acordo com a Organização Internacional do Cacau (ICCO), com base no seu inquérito anual. Esse valor está abaixo da estimativa estatística da organização de 1,3 milhões de toneladas. O resultado sugere que a diferença entre a oferta e a procura foi menor do que as 49.000 toneladas projectadas, mas os stocks ainda aumentaram significativamente em relação ao ano anterior.
Dados fracos de processamento sinalizam procura fraca:
● Europa: -8,3% em relação ao ano anterior (o pior quarto trimestre em 12 anos)
● Ásia: -4,8% em relação ao ano anterior
● América do Norte: +0,3% em relação ao ano anterior (essencialmente estável)
Os preços do chocolate irão cair?
Para os analistas da XTB, os aumentos anteriores nos preços do cacau traduziram-se em preços mais elevados do chocolate no retalho, pelo que os consumidores têm comprado menos ou optado por alternativas
mais baratas.
Para esta época, as previsões apontam para um excedente de 175 000 a 250 000 toneladas (ou mais), graças à melhoria das condições de cultivo na África Ocidental e à recuperação da produção na América do Sul.
Na Costa do Marfim, o aumento dos stocks e o congestionamento portuário têm pesado sobre o mercado físico, e o governo adquiriu 123.000 toneladas de cacau não vendido para estabilizar a situação. Os agricultores também exigiram a renúncia do chefe do órgão regulador (CCC), alegando falhas na cadeia de abastecimento.
Não houve novas ameaças climáticas significativas na África Ocidental, e espera-se que as condições melhorem ainda mais, realçam aqueles analistas, acrescentando que os produtores de chocolate continuam numa situação delicada: os preços mais baixos do cacau poderiam ajudar nas margens, mas alguns custos ainda estão “bloqueados” por contratos futuros assinados durante o pico dos preços. Ao mesmo tempo, os Consumidores não estão dispostos a continuar a pagar por preços tão elevados.
Tecnicamente, a tendência continua claramente em baixa, e o aumento dos volumes sugere que a liquidação é forte. Sem uma recuperação da procura ou uma mudança climática repentina, o cacau provavelmente continuará sob pressão fundamental”.
Por outro lado, os fabricantes ainda estão a moer grãos caros comprados perto do pico do mercado nos últimos anos, razão pela qual muitos aumentaram os preços, reduziram o tamanho dos produtos ou trocaram a manteiga de cacau por gorduras vegetais mais baratas ou açúcar, para proteger a rentabilidade. “Parece provável que o chocolate ficará mais barato, se as condições favoráveis de produção persistirem. Os preços irão precisar de se ajustar à procura para estimular novamente o consumo, mantendo o processamento economicamente viável. Provavelmente faz sentido para os produtores garantir o abastecimento a preços significativamente mais baixos e reduzir os preços de retalho para aumentar os volumes e a moagem”.
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