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Franceses da Jardim da Lagoa mantêm investimento de 250 mil euros para expansão de produção de baby leaves

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A Jardim da Lagoa, do grupo francês Picvert, especializada em produção de baby leaves e mini legumes, também foi afectada pela situação pandémica de Covid-19, que levou ao fecho da restauração. Mas, os investimentos em curso e previsto não param nesta empresa com o estatuto PME Líder. “O mercado dos mini legumes não deixa de ser um mercado “de nicho”, que na escala da Europa representa um volume interessante, por enquanto destinado essencialmente aos mercados ditos “gourmet” e à restauração”, diz o responsável pela Jardim da Lagoa, Stéphane Kerdilès.

Stéphane Kerdilès

E garante que a empresa, depois de vários anos de crescimento contínuo de ano para ano desde 2010, a chegada da pandemia e o enceramento dos restaurantes na Europa com os primeiros confinamentos, “fez parar quase por completo o dinamismo comercial e as vendas caíram em mais de 60% de um dia para o outro. Até passámos por períodos em que nem havia vendas. Durante estes últimos 12 meses continuámos a produzir adaptando e reduzindo os volumes a necessidade do mercado, procuramos também desenvolver outros tipos de culturas de forma a manter a actividade e a ocupação tanto da “máquina” de produção como dos trabalhadores”.

Em entrevista ao agriculturaemar.com, Stéphane Kerdilès garante que, apesar da situação sanitária não muito favorável ao investimento, “temos vários projectos em curso e previstos”, que ascendem a 250 mil euros, e que o principal projecto para o futuro é aumentar a capacidade de produção com aquisição de terra suplementar.

Como surgiu a ideia de criar a Jardim da Lagoa?

A Picvert, sediada no Norte da França, na região da Picardie, já exista há mais de 25 anos como produtora e embaladora de baby leaves [colhidas precocemente]. Devido ao clima daquela região, só podíamos produzir no Verão. Para conseguirmos fornecer os nossos clientes ao longo de todo o ano, havia a necessidade de conseguir produzir também no Inverno. Havia várias hipóteses para onde poderíamos avançar, entre as quais a África do Norte ou Espanha. Mas, o fundador da Picvert, Jacques Deramecourt, escolheu Portugal, mais precisamente o litoral alentejano, pelas suas características climáticas.

O que o levou a si trocar França por Portugal?

Vir para Portugal não foi uma troca mas sim um complemento, com o objectivo na altura, em 2007, de continuar a produzir no Verão em França e produzir no Inverno em Portugal. A realidade 14 anos depois está muito diferente dos nossos objectivos iniciais.

O que produz a Jardim da Lagoa?

O objectivo inicial era de produzir baby leaves no Inverno para “abastecer” a nossa fábrica em França e responder ao nosso mercado do Norte da Europa, e hoje produzimos o ano inteiro baby leaves e mini legumes, tanto para o mercado nacional como para exportação.

Que relacionamento tem com o Grupo Picvert em França? Há sinergias?

O grupo Picvert está constituído principalmente por três pólos de produção: a Picvert “casa-mãe” em França (produção de baby leaves e fábrica de acondicionamento de baby leaves), a Jardim da Lagoa em Portugal (produção de baby leaves e produção e acondicionamento de mini legumes, e a Picvert-Ibérica, em Málaga, Espanha (produção de baby leaves). As três empresas funcionam em total sinergia entre elas, tanto ao nível de trocas de tecnologia, de inovação, de trocas comerciais, etc., num verdadeiro espírito de grupo, o que permite de crescer de mãos dadas apoiando-nos uns os outros.

Porquê a aposta nos mini legumes?

A aposta dos mini legumes veio do facto de apercebermo-nos que podíamos reunir os principais elementos chave para ter sucesso; em primeiro lugar, a existência de um mercado e em segundo o facto de sabermos produzir e oferecer um produto de qualidade e isto tudo num lugar particular que permite a regularidade na produção. De facto, o mercado existia na altura e apesar da situação sanitária ter alterado completamente o esquema nestes últimos 12 meses, acreditamos que continuará a existir. Temos os conhecimentos técnicos para produzir, e o litoral alentejano com o seu clima particular permite produzir 12 meses por ano sem interrupção um produto de qualidade ao ar livre.

Onde escoam a maior parte dos produtos? Nas grandes superfícies, mercados gourmet ou restauração?

O mercado dos mini legumes não deixa de ser um mercado “de nicho”, que na escala da Europa representa um volume interessante, por enquanto destinado essencialmente aos mercados ditos “gourmet” e à restauração.

Em para que regiões vendem?

Comercializamos os nossos mini legumes Picvert principalmente em França, Inglaterra, Bélgica bem como noutros países do Norte da Europa e também em Portugal.

A pandemia afectou a vossa actividade?

Depois de vários anos de crescimento contínuo de ano para ano desde 2010, a chegada da pandemia e o enceramento dos restaurantes na Europa com os primeiros confinamentos, fez parar quase por completo o dinamismo comercial e as vendas caíram em mais de 60% de um dia para o outro. Até passámos por períodos em que nem havia vendas. Durante estes últimos 12 meses continuámos a produzir adaptando e reduzindo os volumes a necessidade do mercado, procuramos também desenvolver outros tipos de culturas de forma a manter a actividade e a ocupação tanto da “máquina” de produção como dos trabalhadores.

Qual o volume de produção da Jardim da Lagoa, por variedade de cultura ?

Em 2020, que não foi de longe um ano de referência, a Jardim da Lagoa produziu 1.000 toneladas de baby leaves (principalmente alfaces baby, espinafre baby, rúcula), 350 toneladas de canónigos e mais de 1 milhão de unidades de vendas de mini legumes (molhos, covetes, etc,).

Qual o volume de negócios de 2020 e o esperado para 2021 ?

O ano de 2020 sofreu um decréscimo considerável no volume de negócios, passando de 5,8 milhões de euros em 2019 para 4 milhões de euros no ano passado. E com a situação sanitária complicada a prolongar-se prevemos um ano 2021 novamente complicado sendo quase impossível fazer previsões fiáveis enquanto o mercado não voltar a estabilizar-se.

Que investimentos recentes fez?

De forma a manter o nosso ritmo de crescimento, aumentámos recentemente a nossa superfície de produção de 30 hectares suplementares, com um investimento de cerca de 100.000 euros em instalação de rega, perfazendo actualmente 150 hectares em produção de hortícolas. O nosso parque de maquinas agrícolas está também em constante renovação, com aquisição de um novo tractor de 120 cv equipado com GPS (12.000 euros), uma colhedora suplementar de baby leaves (60.000 €) e novas alfaias. Na parte do acondicionamento, investimos também 80.000 euros numa nova linha de corte de cenouras, que veio melhorar a nossa capacidade de resposta ao crescimento do mercado (pré-Covid) e nos vai permitir responder também a novos clientes.

E quais os que tem em curso ou para avançar em breve?

Apesar da situação sanitária não muito favorável ao investimento, temos vários projectos em curso e previstos, como a instalação de 2 vaccum coolers para refrigeração rápida do produto pós-colheita (100.000 euros) e a instalação de 1.800 m2 de painéis fotovoltaicos para auto-consumo o que nos deverá tornar auto-suficientes a 80% em consumo de energia eléctrica (150.000 €). O nosso projecto principal para o futuro é de aumentar a nossa capacidade de produção com aquisição de terra suplementar, mas estamos confrontados a condicionante que, apesar de haver milhares de hectares não utilizados, para não dizer abandonados aqui na zona, principalmente propriedade do Estado, este não manifesta grande interesse em nos ajudar a nos desenvolvermos.

Tem tido apoios comunitários?

Ao longo dos anos, tivemos apoios comunitários principalmente do PDR 2020 que participou em cerca de 40% dos 700.000 que investimos entre 2014 e 2019, investimentos estes todos orientados a produção.

Agricultura e Mar Actual

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