O Centro Pinus — Associação para a Valorização da Floresta de Pinho, assinalando o Dia Internacional da Reciclagem, celebrado a 17 de Maio, divulga os mais recentes indicadores de reciclagem dos seus associados industriais, num ano em que a reciclagem de madeira alcançou um máximo histórico, atingindo o valor mais elevado dos últimos cinco anos.
Em 2025, as empresas da fileira do pinho evitaram a deposição em aterro ou a queima de 359 mil toneladas de resíduos de madeira (+8%) e de 248 mil toneladas de papel e cartão (-4%), totalizando mais de 600 mil toneladas de resíduos reciclados, avança uma nota de imprensa daquela Associação.
“O crescente investimento das empresas transformadoras de madeira na reciclagem tem-se revelado essencial para alcançar uma economia circular e de baixo carbono, mas também para colmatar o grave défice de madeira de pinheiro-bravo em Portugal”, acrescenta realçando que este défice estrutural representa actualmente cerca de 46% do consumo anual da indústria (segundo os Indicadores da Fileira do Pinho, Centro PINUS, 2025).
Para mitigar esta escassez, as empresas de transformação de madeira têm adoptado diversas estratégias, entre as quais a crescente incorporação de materiais reciclados.
“Um exemplo de referência é a DS Smith Paper Viana. Este associado do Centro Pinus é o maior reciclador nacional de papel. O seu principal produto, o kraftliner, incorpora até 50% de fibra reciclada”, sakienta a mesma nota.
Mobiliário usado, estruturas de madeira, caixas e paletes danificadas e resíduos de construção são hoje recursos valiosos. Nos centros de reciclagem dedicados à madeira, estes materiais transformam-se em novos produtos, assegurando a continuidade do armazenamento de CO2.
O sector dos painéis de madeira é o principal motor da valorização deste tipo de materiais. Empresas associadas do Centro Pinus têm vindo a integrar de forma crescente matéria-prima reciclada nos seus processos produtivos. A Sonae Arauco já incorpora 80% de madeira reciclada em gamas específicas de produtos, com a ambição de aumentar esse crescimento até 85%, enquanto nos produtos actuais da Luso Finsa os níveis de incorporação de madeira reciclada podem ir até 40%, ambas reflectindo o investimento contínuo na valorização destes materiais.
Apesar destes avanços, “o potencial da reciclagem de madeira em Portugal está muito longe de ser concretizado, criando limites à circularidade. Muita da madeira que chega ao circuito de resíduos urbanos é ainda depositada em aterro ou é queimada para produção de energia”.
Para a direcção do Centro Pinus, “a indústria não pode fechar este ciclo sozinha. É imperativo um maior envolvimento dos municípios e dos sistemas de gestão de resíduos, através da criação de parcerias público-privadas que potenciem a reciclagem de madeira a nível local”.
É igualmente “essencial garantir a proximidade e a facilidade de entrega de resíduos de madeira por parte de cidadãos e empresas, nomeadamente através da dinamização estratégica dos Ecocentros”.
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